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15 de Março de 2014 - 06:00

Ao lado do general Mourão, Paulo Emerich e Wilson Cid registram o anúncio da marcha das tropas para o Rio; a foto foi feita por Jorge Couri

Por Renato Salles

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Paulo Emerich e Wilson Cid registram o anúncio da marcha das tropas para o Rio
Paulo Emerich e Wilson Cid registram o anúncio da marcha das tropas para o Rio

Um fato marcou definitivamente o dia 31 de março de 1964: o momento em que o general Olympio Mourão Filho comunicou à imprensa juiz-forana sua decisão de partir com as tropas para o Rio de Janeiro. Quase 50 anos depois, a Tribuna teve acesso à foto histórica, captada pelas lentes do fotógrafo Jorge Couri, que flagrou o exato momento do anúncio. Naquele momento, Mourão aparece ladeado pelos jornalistas Wilson Cid e Paulo Emerich, que faziam a cobertura da entrevista. A movimentação culminou com a queda do então presidente João Goulart e o início de um período de 21 anos, em que as rédeas do país permaneceram nas mãos dos militares. Os três relatam como foi a movimentação na cidade naquele dia que durou mais de duas décadas.

"Trabalhava no 'Diário Mercantil' e no 'Diário da Tarde' (publicações mantidas pelo grupo Diários Associados, à época), que funcionavam em frente ao antigo Cine Excelsior. Morava ali perto e desci a pé para o trabalho. Quando estava chegando próximo à redação, vi uma grande movimentação de guardas. Percebi que estava acontecendo algo. Quando cheguei lá, o jornalista Décio Cataldi me informou que fomos convocados para ir até a 4º Região Militar. Ninguém sabia direito o que estava acontecendo", lembra Jorge Couri. O fotógrafo tinha 33 anos no dia em que Mourão decidiu mobilizar suas tropas contra o Governo federal.

Testemunha dos primeiros movimentos da tropa de Mourão Filho, Wilson Cid, que, aos 24 anos, também atuava no grupo Diários Associados, lembra que, de certa maneira, já era possível perceber a movimentação dos militares mesmo antes do anúncio feito pela 4ª Região Militar. "O dia começou muito agitado. Já tínhamos notícias de algumas prisões e de que alguns políticos estavam sendo procurados. Às 17h, foi feita essa proclamação, dizendo que o presidente da República havia descumprido os dispositivos constitucionais. Desta maneira, se esperava que ele deixasse o poder imediatamente. A partir disso aí, ocorreu uma movimentação muito grande."

Apesar do clima agitado, a notícia da marcha das tropas surpreendeu Paulo Emerich, à época aos 33 anos, e repórter da Rádio Sociedade (PRB-3). "A gente não tinha uma ideia do que poderia acontecer." Couri reforça a sensação de incerteza. "A única coisa que sabíamos é isso, que iria acontecer um golpe. Já haviam pedido para que não acompanhássemos pois poderia haver batalha caso o Jango mandasse as tropas fiéis a ele de volta", rememora o responsável pelo clique que eternizou a imagem de Mourão Filho, ladeado por Paulo Emerich e Wilson Cid, no exato momento em que a História do Brasil estava sendo reescrita.

Na reportagem deste domingo da série "1964-2014, 50 anos de Golpe", a Tribuna vai ouvir os relatos dos profissionais de imprensa sobre a cobertura jornalística nos dias que sucederam ao anúncio de Mourão Filho e os problemas com a censura que controlava as redações da cidade no período.

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