Após denúncia, vereadores vistoriam Casa de Saúde

Vereadores Antônio Aguiar e José Fiorilo ouviram a direção da Casa de Saúde após vistoriarem dependências da unidade
Falta de medicamentos e estrutura física insalubre foram os principais problemas identificados pela Comissão de Saúde da Câmara Municipal em vistoria realizada ontem na Casa de Saúde Esperança. A visita, que contou com a presença dos vereadores José Fiorilo (PDT) e Antônio Aguiar (PMDB), foi motivada por denúncias de abandono realizadas por uma médica que examinou um paciente da unidade. “Durante a consulta, ele se referiu a um descaso da instituição. Estava com um problema há anos, e ninguém dava atenção. As roupas estavam com nítida precariedade de higiene”, disse a profissional, que conversou com a Tribuna e também colocou mensagem no Facebook.
De acordo com Antônio Aguiar, há falta de medicamentos básicos, para controle de diabetes e outras doenças, além de medicação específica para tratamento de doença mental, importantes para a manutenção do humor dos pacientes. “Estão faltando itens que o Governo fornece de graça. O paciente psiquiátrico é muito dependente da medicação. De que adianta o profissional medicar e não ter um resultado, uma continuidade do tratamento? Para doente mental, não pode faltar remédio.”
A Secretaria de Saúde informou, por meio de nota, que é necessário saber o nome específico dos itens para verificar se há alguma falta pontual na Casa de Saúde Esperança e providenciar a entrega imediata, já que o estoque dos produtos está regular.
Quanto à estrutura física, o vereador contou que há mofo, infiltração e assoalhos em péssimo estado. “Por exemplo, existe uma fenda próxima a um banheiro onde caem dejetos humanos e não tem como limpar. Então, é lavado. A fenda faz contato com a parte de baixo do prédio. Quando é lavado, acaba gotejando em outras áreas do imóvel.” Sobre a limpeza, o vereador afirmou que, apesar de precários, os ambientes estavam limpos. Segundo Aguiar, todos os pacientes estavam vestidos adequadamente e não havia odor de fezes ou urina. “Estamos na expectativa de que a desospitalização aconteça até junho, de uma maneira rápida e eficiente, e que o hospital psiquiátrico fique somente como lembrança de tempos de crueldade da medicina com o ser humano, onde pessoas eram rotuladas. Ali é um lugar que não tem recreação, não tem nada. O doente mental vive mais dentro de um presídio do que de uma instituição hospitalar.”
A comissão irá enviar um relatório à Secretaria de Saúde para tentar solucionar esses problemas. Atualmente, cem pessoas estão internadas na instituição.
Fechamento
Conforme o promotor de Defesa da Saúde, Rodrigo Barros, a Secretaria de Saúde, em novembro do ano passado, apresentou proposta de investimento de R$ 130 mil na Casa de Saúde Esperança. No entanto, como o investimento não seria imediato, devido a procedimentos burocráticos, o promotor sugeriu que fosse agilizado o processo de transferência dos pacientes. “O Município assumiu o compromisso de buscar alternativas como a agilização do processo de transferência para as residências ou a avaliação da capacidade de hospitais gerais estarem recebendo momentaneamente esses pacientes.” Segundo o promotor, no próximo dia 21 de março, a Secretaria de Saúde ira informar qual medida será adotada. “As condições da Casa de Saúde Esperança não permitem seu funcionamento nem até o meio do ano. Não vamos prorrogar o prazo de funcionamento deste hospital.”
Em nota, a Secretaria de Saúde afirmou que já está providenciando a melhoria dos espaços. “No entanto, todos os pacientes serão transferidos, ainda neste primeiro semestre, para residências terapêuticas. A secretaria está dando início ao processo para licitação de mais 16 residências. Cabe ressaltar ainda que, desde o início desta gestão, a Prefeitura iniciou ações para oferecer um melhor tratamento na rede de Saúde Mental, que abrangem usuários de álcool e drogas e pacientes psiquiátricos. A desospitalização de pacientes dos hospitais psiquiátricos é uma das principais realizações que possibilitam um tratamento de melhor eficiência e humanizado aos usuários.”
Regional Leste também passou por avaliação
A Comissão de Saúde da Câmara Municipal visitou, também na manhã de ontem, a Regional Leste. A vistoria foi motivada após um rapaz quebrar os vidros da recepção da unidade, insatisfeito com o atendimento, como mostrado pela Tribuna, na última terça-feira. “Vimos o filme do rapaz que entrou e quebrou o vidro. Em dois minutos, vimos nitidamente no cronômetro. Quer dizer, isso não dá tempo de ninguém reclamar de demora e espera. Ele entrou agitado e quebrou a unidade. É uma situação grave. Vimos o quanto os profissionais estão expostos”, explicou o vereador Antônio Aguiar, membro da comissão.
Segundo Aguiar, a qualidade técnica da unidade é excelente, e os servidores são de “altíssima competência”. “O grande problema lá, assim como no HPS, é a falta de profissionais, principalmente de médicos. Se só tem um médico na escala, o paciente entra lá e vai ficar esperando. O quantitativo de usuários é uma coisa absurda, porque 70% da população não têm plano de saúde. Se as escalas fossem completas, esse problema seria reduzido.”
Sobre o motivo da falta desses profissionais, o vereador alegou que o salário é uma das razões, mas que a principal causa das escalas incompletas é o modelo implementado na contratação. “O plantão 24h só pode ser fracionado em 12h. Há profissionais que podem fazer quatro plantões de 6h, que cobririam os horários críticos, mas que não podem ser contratados pois a regulamentação não permite. Os médicos da urgência e emergência não podem fazer mais que dois plantões por mês.”
Um relatório será elaborado pela comissão, apontando o que foi observado na Regional Leste e realizando proposições para melhorias no atendimento.









