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Assistência afetada nos postos de saúde


Por KELLY DINIZ E EDUARDO MAIA*

21/06/2016 às 07h00- Atualizada 21/06/2016 às 09h22

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Os efeitos da greve dos servidores públicos da Prefeitura de Juiz de Fora estão sendo sentidos diretamente pela população, que está desassistida na saúde com a adesão dos médicos. A desassistência atinge principalmente as unidades de atenção primária à saúde (Uaps) e as unidades de urgência e emergência. Nestes locais, apenas os casos graves estão sendo atendidos, ou seja, aqueles que são classificados com as cores laranja e vermelha na triagem. Conforme o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, apenas 17 unidades não aderiram à greve. As demais estão funcionando parcialmente ou não estão funcionando. Ao todo, são 57 Uaps, três unidades de pronto atendimento (UPAs) e a Unidade Regional Leste. Os médicos paralisados vão se reunir hoje para definir se mantêm o movimento. Em conversa realizada na tarde de ontem, a Prefeitura decidiu reabrir as negociações com todos os servidores, e uma reunião está agendada para amanhã, às 14h.

A Uaps do Bairro Santa Efigênia, na Zona Sul, está fechada desde a última quarta-feira, quando os médicos entraram em greve. Assim, há uma semana, Elisângela César, 41 anos, tenta agendar uma consulta com especialista sem sucesso. “Eu desmaiei e fui levada para a UPA de Santa Luzia. Lá, fui atendida e me orientaram a vir ao posto para que um médico me encaminhasse ao cardiologista. Estou vindo todos os dias aqui, e o posto está sempre fechado. Não tem nenhuma pessoa aqui para me orientar onde posso ir para conseguir agendar isso”, preocupa-se Elisângela, que mais uma vez foi ao local, na tarde de ontem. “Essa situação, nesta época do ano, quando muita gente pega resfriado, é falta de respeito. A saúde não espera”, afirma outra moradora do bairro que preferiu ter o nome preservado.

A gerente da Uaps de Santa Efigênia, Deisilene Castro, explica que a unidade foi fechada para evitar conflitos com a população. “Fechamos o posto porque, se ficasse aberto, as pessoas iriam buscar os serviços e não teriam atendimento. Isso poderia gerar conflito, e achamos melhor evitar essa situação. A gente não gosta de fazer isso, não queremos prejudicar a população, mas é a forma que temos de reivindicar nossos direitos.”

Quem procurou o Hospital de Pronto Socorro (HPS) ontem teve dificuldades para conseguir o atendimento necessário. Esse foi o caso de Patrícia Elias, 45, que estava com pressão alta e procurou a instituição por volta das 16h. “Na recepção, me informaram que não está havendo atendimento. A própria recepcionista me disse que tem gente esperando desde 8h e, até agora, não foi chamada. Desisti e estou indo à UPA de Santa Luzia para ver se consigo atendimento.”

Servidores e PJF terão reunião amanhã

O Fórum Unificado dos Servidores Públicos se reuniu, na tarde de ontem, com a Prefeitura, por intermediação do vereador Wanderson Castelar (PT). Após uma longa conversa, ficou definida a reabertura do canal de negociações, com nova reunião agendada para amanhã, às 14h. O funcionalismo permanece em greve, iniciada no dia 15 de junho, até o desfecho das negociações. Também ontem, o vereador Julio Gasparette (PMDB) retirou o pedido de realização da audiência pública para discutir o reajuste dos servidores. A proposta havia sido protocolada a pedido do Executivo, e sua realização estava prevista para hoje.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu), Amarildo Romanazzi, a mensagem com a proposta do reajuste para os trabalhadores, enviada pelo Executivo na semana passada, tramitará pelas comissões da Câmara, mas não deverá ser votada até que se encerrem as negociações. Ontem pela manhã, uma nova assembleia foi realizada na Praça da Estação, no Centro. O funcionalismo público informou também que planejava ajuizar uma ação contra o Município por conta da discussão que vem sendo travada em torno da negociação salarial. No entanto, o fórum se reuniu na noite de ontem para fechar uma definição a respeito.

Os funcionários estão de braços cruzados por se recusarem a aceitar a aplicação do reajuste com base nas perdas inflacionárias de janeiro a junho deste ano, proposta enviada pela Prefeitura ao Legislativo na última quinta.Na sexta passada, os servidores foram informados, em audiência pública, de que a Prefeitura havia ajuizado uma ação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) questionando a legalidade da greve. O Executivo se baseia em uma interpretação do artigo 73 da Lei Eleitoral, de 1997, afirmando ser proibida a aplicação de reajuste acima da inflação do ano eleitoral, considerando, portanto, a ilegalidade da paralisação diante da interpretação da lei. Conforme Amarildo, o departamento jurídico do Fórum Unificado dos Servidores Públicos Municipais deverá ir ao TJMG, em Belo Horizonte, para tomar conhecimento do teor da ação do Município.

* Colaborou Nathália Carvalho