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16 de fevereiro de 2017 - 07:00

Batem forte os tambores

Ingoma e o Tambor Mineiro de Maurício Tizumba descem o Calçadão da Halfeld nesta quinta-feira; encerramento será com o show 'Tizumba Batuca Minas'
Por Tribuna
Tambores do Ingoma participam pelo segundo ano do Corredor da Folia, ajudando a manter viva a tradição do congado mineiro (Foto: Olavo Prazeres)

Tambores do Ingoma participam pelo segundo ano do Corredor da Folia, ajudando a manter viva a tradição do congado mineiro (Foto: Olavo Prazeres)

 

O Parque Halfeld e o calçadão de uma das ruas mais famosas de Juiz de Fora voltam a receber uma batida diferente nesta quinta-feira. Assim como em 2016, os tambores mineiros do Ingoma participam do Corredor da Folia, desta vez com o músico e compositor Maurício Tizumba e Tambor Mineiro, que vão levar para o público todo o ritmo e a tradição secular do congado. A concentração está marcada para as 16h, sempre com muita música, e o cortejo descerá o calçadão da Halfeld a partir das 18h, chegando até a Avenida Getúlio Vargas, prosseguindo depois até a Praça Antônio Carlos. É lá que Maurício subirá ao palco com sua trupe para o show “Tizumba Batuca Minas”, a partir das 20h.

Idealizador do Ingoma, o músico e compositor Lucas Soares deu o roteiro de toda a festa. Segundo ele, serão quase cem instrumentos de percussão no cortejo, entre caixas de folia (também conhecidas como tambor de congado ou reinado, ou simplesmente tambor mineiro) e tambores patangomes (espécie de chocalhos feitos de latas de biscoito ou materiais similares), além das gungas (chocalhos presos aos pés e que são tradicionais do congado mineiro). “Vamos executar durante a concentração e o cortejo toadas do congado, músicas compostas pelo Maurício e também algumas do cancioneiro tradicional brasileiro”, adianta Lucas.

No primeiro ano do Ingoma no Corredor da Folia, os convidados foram nomes locais, que iam da tradição de décadas do Batuque Afro-Brasileiro Nelson Silva ao caráter contemporâneo do Encontro de MCs. Para 2017, a escolha recaiu sobre Maurício Tizumba, considerado por Lucas como o maior expoente do congado mineiro. “Já faz muitos anos desde a última vez em que ele se apresentou em Juiz de Fora, mas sempre mantivemos contato e aproveitamos o carnaval para convidá-lo. Ele está há 40 anos ajudando na preservação do congado mineiro, que não tem muito espaço nos meios de comunicação tradicional, então tivemos a ideia de fazer um superevento e mostrar ao público esse trabalho, aproveitando a força e a divulgação do carnaval”, explica o idealizador do Ingoma, dando como exemplo a participação do congado mineiro no carnaval de 2016.

“Foi um evento sensacional, o primeiro cortejo de tambor mineiro em Juiz de Fora pelo menos desde que comecei a trabalhar com o tambor mineiro, há dez anos. Sempre procuramos a aproximação com outras entidades, movimentos de resistência social e cultural. O Batuque Nelson Silva tem mais de 50 anos de existência, e foi uma honra participar com eles do Corredor da Folia. E o Encontro de MCs é, provavelmente, a manifestação mais contemporânea de expressão da cultura negra. Acredito que uma semente foi plantada ali”, diz.

No ritmo do sincretismo

O músico e compositor Maurício Tizumba e Tambor Mineiro mostram ao público a tradição secular do congado (Foto: Leonardo Lara/ Divulgação)

O músico e compositor Maurício Tizumba e Tambor Mineiro mostram ao público a tradição secular do congado (Foto: Leonardo Lara/ Divulgação)

Com tradição que remonta ao século XVII, reunindo elementos temáticos africanos e ibéricos, o congado é um folguedo folclórico religioso calcado no sincretismo justamente por mesclar elementos dos cultos africanos e europeus. O passar dos séculos, porém, fez com que a manifestação cultural, assim como tantas outras, tivesse seu espaço reduzido frente a outras manifestações populares surgidas com o tempo. Por isso, Lucas aponta o trabalho de resistência feito por iniciativas como o Ingoma e por Maurício Tizumba, entre outros.
“Nós do Ingoma temos duas formas principais de atuação. A primeira é o grupo de estudos e apresentações, que também é aberto a outras manifestações de música popular brasileira. A outra é nossa oficina, que tem turmas novas a cada semestre. Atualmente estamos com cerca de 80 alunos e já devolvemos para a sociedade mais de 700 pessoas entre músicos, entusiastas, professores”, comemora.

“E trabalhamos sempre em parceria com movimentos negros, manifestações populares, somos convidados pelas escolas, participamos de eventos públicos na rua”, acrescenta. “Procuramos nos inserir cada vez mais nos espaços e apresentar nosso show para o público. Na última sexta-feira, fizemos um show no Bar da Fábrica, com uma resposta muito boa. Queremos tornar nosso trabalho cada vez mais acessível, pois a cultura funciona assim: você tem que dar acesso, mostrar várias vezes, para a pessoa poder conhecer e ver se é do seu agrado. No nosso caso, as apresentações têm recebido a melhor resposta possível.”

 

 

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