Ao lançar o J5 em março desse ano, a ideia da Jac Motors era alçar voos maiores. O sedã seria uma forma de trazer para o segmento de sedãs médios a boa relação custo/benefício, que tornaram o compacto J3 um produto bastante rentável. Em nome da racionalidade, seria capaz até de tirar algumas vendas de rivais consagrados, como Toyota Corolla e Honda Civic. No entanto, mesmo com preço substancialmente mais baixo que a maior parte da concorrência, a estratégia não deu certo. A marca esperava vender entre 700 e mil J5 por mês, mas a média mal ultrapassou os 150 carros por mês desde o lançamento.
Apesar do porte de carro médio, o J5 traz um pequeno motor 1.5 16V de 125 cv sob o capô. O propulsor foi desenvolvido pela austríaca AVL, a mesma que fez o 1.4 16V do J3. O torque chega a bons 15,5 kgfm a 4 mil rotações. O problema é que as cifras são subdimensionadas para um sedã com 1.315 kg. Segundo a Jac, a escolha se recaiu sobre o 1.5 em vez do 2.0 de 136 cv que equipa a minivan J6 por sua maior eficiência energética. Ao menos, ele tem comando variável nas válvulas de admissão e é todo em alumínio. Acoplado ao motor, um câmbio manual de cinco marcas - a transmissão automática ainda não tem previsão. O conjunto é suficiente para levar o sedã de zero a 100 km/h em 11,8 segundos e à máxima de 188 km/h. Números mais próximos aos alcançados por um bom compacto.
Pelo menos visualmente, o J5 agrada. Os traços não são revolucionários, mas dão ao carro um aspecto moderno e elegante. Não há muitos elementos marcantes, o que faz do J5 um carro bem discreto. A frente curta é ladeada por faróis estreitos, que dão a impressão de se tratar de um carro japonês. A traseira tem linhas harmoniosas, com lanternas em formato de trapézio e bom gosto no uso de cromados. O desenho como um todo dá a impressão de que se trata de um carro menor que os 4,59 m de comprimento quase 1,80 m de largura sugerem. Os 2,71 m de entre-eixos não deixam dúvidas sobre o bom espaço interno.
O interior tem linhas muito parecidas aos outros carros da marca, particularmente com a minivan J6. Os sistemas de som e ar-condicionado automático têm comandos iguais. A semelhança continua no painel de instrumentos com iluminação azul e ponteiros vermelhos - combinações comuns no fim dos anos 1990. A Jac também revestiu algumas partes de painel e portas com plástico preto brilhante, que junto com alguns itens cromados, tentam dar ao J5 um ar mais luxuoso. A lista de equipamentos de série, com airbags frontais, freios ABS, ar-condicionado digital, direção hidráulica, sensores de estacionamento e rádio CD/MP3/USB não traz mais que o mínimo para um carro dessa categoria. Como opcionais, apenas rodas de liga-leve em 17 polegadas e bancos em couro.
O J5 até apresenta um conjunto competente para o uso diário, no entanto, o que deveria ser seu maior atrativo acabou virando o maior problema. Os R$ 46.990 que a Jac pede pelo sedã não estão mais tão abaixo que muitos concorrentes. A redução do IPI fez a versão mais simples de um Nissan Sentra custar R$ 47.890. Até mesmo um Kia Cerato, com configuração mecânica semelhante - motor 1.6 16V de 130 cv com etanol - sai por R$ 52.800 em sua variante mais barata. Mas nem mesmo os mais de R$ 10 mil a menos que o J5 custa em relação a rivais como o Toyota Corolla e Citroën C4 Pallas - de R$ 59.080 e R$ 56.990 respectivamente - têm sido suficientes para convencer o comprador a levar um chinês para casa. Nesse segmento, é importante ressaltar os benefícios, pois nem sempre o custo é a principal razão para uma compra.
Desempenho - O propulsor austríaco de 1.5 litro rende bons 125 cv e 15,5 kgfm, que até conseguem levar os 1.315 kg do J5 sem grandes problemas - desde que pouco carregado. Mas na cidade, a condução requer algum trabalho para manter a rotação sempre mais elevada, já que o torque máximo só aparece a 4 mil rpm. Em estrada, há pouca reserva de potência e o sedã se ressente da falta de um motor com mais capacidade cúbica. O J5 não é um carro propriamente lento, mas necessita da colaboração do motorista para mostrar um desempenho convincente. Nota 6.
Estabilidade - No uso cotidiano, o J5 até agrada e se mostra um carro bastante neutro. O problema está em velocidades mais altas - em ritmo rodoviário -, onde o modelo perde a compostura e balança demais. A frente fica leve e desmonta a imagem de segurança conquistada na cidade. O carro sofre com ventos laterais, e a direção também carece de maior precisão. Nota 6.
Interatividade - O J5 tem comandos bem localizados mas, à noite, a iluminação forte em tom azul dificulta a visualização de alguns deles. Os botões do ar-condicionado têm uma disposição pouco lógica, e o rádio tem um comando de volume pouco prático, com dois botões de pressionar. Os mostradores também são de leitura algo complicada, meio poluídos visualmente e com escalas confusas. O sedã só tem os recursos básicos para o segmento, mas o que mais afeta o motorista é que a direção transmite, sem filtros, todas as irregularidades do piso de forma bastante desagradável. Nota 5.
Consumo - O Jac J5 registrou médias de 9,2 km/l com gasolina em ciclo misto. A Jac não tem números oficiais e o InMetro não fez medições para o modelo. Nota 6.
Tecnologia - A plataforma é moderna - desenvolvida pela própria Jac em 2009 - e há boa oferta de equipamentos para o modelo. No entanto, ele ainda fica aquém de alguns concorrentes por não oferecer mais airbags - só há frontais -, sistemas interativos com os ocupantes ou câmbio automático. O sistema de som aceita CD e MP3, mas não reconhece iPods e necessita de um cabo adaptador para dispositivos USB. Nota 7.
Conforto - O bom entre-eixos de 2,71 m abre bastante espaço para os passageiros. Ombros e pernas de todos os ocupantes viajam livres e a altura da carroceria favorece um ambiente amplo. Os bancos são bons, com espuma de densidade correta e revestimento que imita veludo. O J5 é um carro confortável e silencioso em uso normal. Nota 7.
Habitabilidade - O modelo traz poucos porta-objetos - apenas um porta-trecos à frente da manopla do câmbio, estreitos nichos nas portas e outro no alto do painel. No entanto, o interior do J5 é um ambiente agradável e o entra-e-sai é facilitado pelo bom ângulo de abertura das portas. O porta-malas leva 470 litros, mas os braços da tampa invadem o compartimento. Nota 7.
Acabamento - É o maior "calcanhar-de-aquiles" do carro. Há muito plástico rígido nos revestimentos, e de qualidade duvidosa. As superífices são ásperas ao tato e não inspiram muita durabilidade. Mesmo as partes em preto brilhante no painel e nas portas não conseguem atenuar a sensação de simplicidade excessiva para um carro dessa categoria. Não há revestimento em couro para o volante, nem muito cuidado nos arremates, que deixam aparentes rebarbas e parafusos. Nota 5.
Design - Ponto de destaque do J5, as linhas externas são modernas e atuais, ainda que muito parecidas com os outros carros da marca. A linha de cintura alta cria um perfil esportivo e os faróis afilados deixam o sedã com uma silhueta bastante elegante. A traseira tem lanternas trapezoidais, num arranjo semelhante a sedãs italianos. No entanto, o visual ainda não consegue imprimir uma marca mais forte e apenas parece tentar juntar elementos de desenhos já consagrados. Nota 7.
Custo/beneficio - A aposta da Jac era que o preço menor do J5 fosse seu maior argumento de vendas. O problema é que a queda do IPI fez despencar o preço de rivais de marcas conhecidas e com conjuntos mais elaborados. O sedã chinês foi lançado em março por R$ 53.900, mas já pode ser encontrado nas lojas da marca por R$ 46.990. Um Nissan Sentra básico, com dotação de equipamentos semelhante ao J5, mas melhor acabamento e motor 2.0 flex, sai por R$ 47.890. Ainda que outros modelos custem até R$ 10 mil a mais, como o Peugeot 408 e Renault Fluence - vendidos a R$ 56.020 e R$ 57.030 respectivamente -, a diferença de preço ainda não justifica a compra. Nota 6.



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