Omercado brasileiro tem uma boa dose de responsabilidade pela invenção da linha DS pela Citroën. Foi aqui nos trópicos, no início dos anos 90, que a marca francesa experimentou a imagem de sofisticação, que não sentia desde meados dos anos 70, quando foi absorvida pela Peugeot Société Anonyme, a PSA. Naquela época, exatamente, saíram das linhas da fábrica do Quai de Javel, já rebatizado de Quai André Citroën, em Paris, na França, as últimas das 500 mil unidades do DS produzidas em 20 anos - número assombroso para um modelo de alto luxo e tecnologia. A memória desses anos de glamour vem sendo reavivada pela divisão DS, criada em 2009, com o lançamento do compacto DS3. E o Brasil, apesar de ser germinal no projeto, só agora recebe os primeiros exemplares do modelo - enquanto na Europa já estão nas ruas os projetos subsequentes, o hatch médio DS4 e o crossover médio-grande DS5.
Mesmo que tenha buscado no passado suas referências de requinte, a Citroën apostou em linhas e conceitos futuristas para sua nova divisão. Um desses recursos moderninhos é a personalização do carro através da combinação de cores e de adesivos, que podem ser aplicados tanto no interior quanto na carroceria, como ocorre com o Mini Cooper e com o Fiat 500. E estas composições são ainda mais valorizadas pelo teto "flutuante", impressão provocada pelo fato de as colunas serem pintadas de preto ou ficarem ocultas atrás dos vidros. O toque mais charmoso é dado pela chamada "barbatana de tubarão" na lateral, formato aproximado da parte da coluna central que aflora em relação à área envidraçada.
As linhas frontais e traseiras também são cheias de detalhes e são uma espécie de releitura da atual identidade de marca da Citroën. Na frente, grandes faróis triangulares começam na metade do para-lama dianteiro e se afilam bruscamente em direção à parte frontal. A grade tem duas barras cromadas que formam o "double chevron". Ela fica no topo da grande entrada de ar contornada por um grosso friso cromado e é ladeada pelos faróis de neblina redondos e por leds em uma linha vertical, que compõem a iluminação diurna. A traseira é um pouco menos burilada, com a tampa do porta-malas bem lisa e duas lanternas quadrangulares com detalhes cromados.
A ponteira de escapamento dupla, na lateral direita, também faz um bom efeito estético. Além disso, é um prenúncio de que o DS3 tem uma proposta esportiva, além de um design bastante atrevido. E, de fato, o compacto da Citroën tem um conjunto mecânico de grande capacidade. A plataforma é a da nova geração do C3, lançado também em 2009 e utilizada no Brasil pelo C3 Aircross e Picasso. Sob o capô, o propulsor 1.6 16V THP, da família Prince, desenvolvido em conjunto com a BMW - a sigla THP vem de Turbo High Pressure, ou turbo de alta pressão. Nesta configuração, ele desenvolve 165cv a seis mil giros e 24,5kgfm entre 1.400 e 4.500rpm, com um overbooster que adiciona 2kgfm por 25 segundos quando o acelerador é pressionado acima de 90% do curso total.
O gerenciamento é feito por um câmbio mecânico de seis marchas e auxiliado por controles de tração e estabilidade.
O arsenal tecnológico do DS3 ainda inclui seis airbags, ABS com EBD, controle de cruzeiro com limitador de velocidade, sistema de som com Bluetooth, etc. Tudo envolto numa atmosfera de luxo, aprimorada pelo ótimo acabamento típico da Citroën.
Para o DS3, a marca francesa aposta novamente, na medida do possível, na boa relação custo/benefício. Apesar de ser sido um tanto atrapalhado pelo adicional de 30 pontos no IPI no início do ano - o que atrasou por meses seu desembarque no Brasil -, o DS3 chega por R$ 79.900. Este valor deixa o recém-chegado em vantagem no confronto com outros modelos estilosos em faixas de preço próximas. Casos do Mini Cooper, do Audi A1 e do Hyundai Veloster, que estão na mira da Citroën para poder alcançar as 250 unidades mensais que deseja.



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