Ciclista morre atropelado por ônibus na Avenida Brasil

Acidente ocorreu próximo ao Viaduto Ramirez Gonzales
Atualizada às 21h16
Um ciclista de 18 anos morreu após ser atingido por um ônibus, na noite de quarta-feira (20), na Avenida Brasil, próximo ao Viaduto Ramirez Gonzalez, no Bairro Cerâmica, Zona Norte. De acordo com informações da Polícia Militar, por volta das 22h20, Bruno Caldeira Bernardo conduzia uma bicicleta azul, quando houve o choque com um coletivo da empresa Unida. Samu e Resgate foram mobilizados no socorro à vítima, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Esta é a terceira ocorrência de acidente grave na cidade em menos de uma semana. Ainda na quarta, horas antes, uma mulher de 65 anos perdeu a vida depois de ser atingida também por um ônibus na pista central da Avenida Rio Branco, próximo ao cruzamento com a Rua Afonso Pinto da Mota, no Centro. Conforme a PM, Maria das Graças Lisboa Pereira da Silva morreu na hora. A vítima morava em Belo Horizonte e estava com o marido na cidade. No sábado, um ciclista de 29 anos ficou gravemente ferido após se envolver em um acidente na BR-040. Ele trafegava pelo acostamento no sentido Belo Horizonte-Rio de Janeiro, quando um caminhão Ford chocou-se contra ele.
No acidente de quarta à noite, o motorista do ônibus, 26, relatou à PM que trafegava pela Brasil em direção à Benfica quando, próximo ao viaduto, se deparou com o ciclista seguindo no mesmo sentido pelo lado direito da via. O condutor disse aos policiais que ainda fez uma manobra à esquerda para tentar desviar da bicicleta, mas a parte traseira do coletivo acabou atingindo a vítima, que foi lançada ao solo. Peritos da Polícia Civil realizaram os levantamentos de praxe, e o corpo foi encaminhado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML).
No entendimento do diretor da ONG Mobilicidade JF, Guilherme Mendes, este tipo de ocorrência é chamada de "ciclo assassinato". "Vemos acidentes envolvendo pedestres e ciclistas acontecendo com frequência na cidade, principalmente porque a preferência da vida não é respeitada. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, motoristas devem resguardar a distância de 1,5 metro do ciclista, mas não é o que acontece. Se tivéssemos mais respeito por quem está transitando na via, evitaríamos as fatalidades", reflete. Para ele, mesmo com as leis, quem utiliza a bicicleta como meio de locomoção está totalmente desamparado na cidade. "Falta fiscalização da Prefeitura e da PM com relação ao desrespeito com os ciclistas."
Por meio de nota, a Settra informou que está constantemente promovendo campanhas educativas voltadas para condutores e pedestres na cidade. A pasta garantiu, ainda, que novas ações envolvendo o trânsito estão programadas para a semana que vem e serão divulgadas nos próximos dias.
Ato em local de acidente
De acordo com Guilherme Mendes, haverá nesta sexta um ato em homenagem ao ciclista morto na segunda-feira. Uma bicicleta toda pintada de branco, chamada de "Ghost Bike", será colocada no local onde ocorreu o acidente. "Infelizmente, é a primeira vez que faremos esta ação na cidade, mas ela servirá para lembrar motoristas sobre a violência que ocorreu ali", diz. Às 19h, haverá um encontro de ciclistas na Praça Jarbas de Lery Santos, no São Mateus, Zona Sul. De lá, o grupo segue para a Avenida Brasil.
Já na semana que vem, outros eventos sobre o assunto estão programados na cidade. Na próxima sexta, acontece mais uma edição da Bicicletada JF, a partir das 19h, também na praça do São Mateus. No fim de semana, a ONG promove o 1º Seminário de Mobilidade por Bicicleta (Semoob), com participação de representantes da Prefeitura e palestrantes do Rio de Janeiro e São Paulo. "Vamos debater o papel da bicicleta na cidade e ouvir experiências que deram certo em outros municípios, para poder elaborar um sistema cicloviário consistente para a cidade", explica.









