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06 de Julho de 2014 - 06:00

Centro de aplicação acaba de atingir cem mil visitações e se prepara para ocupar novas instalações no Campus da UFJF

Por LILIANE TUROLLA

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"Tia, a gente vai decolar?" A pergunta parte de uma criança e resume a emoção de uma turma de estudantes na faixa etária de 6 a 7 anos em visita ao Centro de Ciências da UFJF. A resposta é sim. No espaço, a proposta é 'decolar' rumo ao mundo fascinante - e acessível! - do conhecimento. Como um grande parque de diversões, a unidade apresenta simuladores, moldes e experimentos de química, física e biologia, fazendo transbordar para o campo prático a teoria normalmente aprisionada em livros e quadros-negros. No local, tudo se revela ao alcance dos olhos e das mãos. E como são curiosos os olhos e as mãos dos pequenos exploradores que se encantam com o tour interativo, seduzidos por equipamentos nos quais a ludicidade começa pelos nomes - "Cama do faquir", "Sopro que aprisiona", "Olhando o infinito", "Dentro do caleidoscópio" e "A locomotiva de inércia", entre outros.

No local, os visitantes têm a possibilidade de entender como acontecem fenômenos corriqueiros do dia a dia e presenciar "mágicas" proporcionadas, por exemplo, pelas forças da física. São dezenas de brinquedos apresentando de forma prática conceitos que a escola, na maioria das vezes, ensina apenas na teoria. No Centro de Ciências é possível, ainda, visualizar experimentos em laboratórios e conhecer o planetário inflável.

Atualmente instalada no Colégio de Aplicação João XXIII, no Bairro Santa Helena, a unidade acaba de atingir a marca de cem mil visitações desde a fundação, em 2006, e se prepara para uma nova fase, com a transferência para o Centro de Convivência da UFJF, na Cidade Alta. A mudança deve viabilizar a ampliação do acesso ao projeto, que objetiva criar o gosto pela ciência, aproximando o público da produção científica. Em oito anos de funcionamento, com visitação gratuita e aberta ao público - a média é de dez mil visitantes por ano -, o espaço é a prova concreta de que o aprendizado não precisa atrelar-se a métodos maçantes e pode acontecer de forma divertida e agradável.

 

Circuitos

O Centro de Ciências conta hoje com três roteiros permanentes de visitação, todos interativos. O principal, "Aprenda brincando", é o que mais faz sucesso com as crianças. Rogéria Nunes, professora do primeiro ano do ensino fundamental, afirma que o local desperta o interesse dos alunos para assuntos que são abordados em sala de aula. "Trouxe as crianças para mostrar, no planetário inflável, como ocorre a transição do dia para a noite. Estamos estudando o calendário". Na entrada, ela explica que será feito um passeio pelo sistema solar, e os estudantes mal conseguem conter a ansiedade para iniciar o circuito.

Outro trajeto leva a uma viagem dentro do corpo humano. Trata-se da exposição "Célula ao alcance das mãos", na qual 65 réplicas tridimensionais mostram detalhadamente nossos tecidos, órgãos e sistemas. Os moldes foram elaborados em relevo para facilitar a percepção tátil das características morfológicas, possibilitando também a inclusão de pessoas com deficiência visual.

A terceira opção de roteiro é uma tabela periódica com mais de três metros de comprimento e dois de altura. Nela, os visitantes encontram 83 amostras de elementos químicos e 33 espécies minerais, nas quais podem ser identificadas diversas aplicações dos elementos no cotidiano. Segundo o diretor do centro, professor Eloi Teixeira, as pessoas chegam com uma cultura de visitação típica de museus, onde não se pode tocar em nada. "Aqui é o contrário, elas se assustam quando percebem que podem mexer. Não só podem, como devem. Interatividade é a intenção".

 

Entusiasmo

Para o diretor, o trabalho do centro é gratificante porque põe brilho nos olhos das pessoas. "Os visitantes saem entusiasmados com o que aprendem. É prazeroso proporcionar essa experiência, ver as crianças dizendo que querem ser cientistas. O Brasil precisa disso, de despertar o gosto pela ciência. Os professores que conseguem isso em sala de aula, com teoria, são heróis. Estamos aqui para contribuir". Eloi acrescenta que as atividades não seduzem apenas a infância. "Grupos da terceira idade saem daqui com a mesma empolgação dos pequenos".

Além das visitas guiadas, o Centro de Ciências oferece cursos gratuitos de formação continuada para professores. Estão em andamento os cursos de "Ciência experimental" e "Geografia de Juiz de Fora". A oferta busca se adequar à demanda dos docentes.

 

Novo prédio terá planetário digital e ampliará visitação

A UFJF está finalizando a construção do novo Centro de Ciências, no Centro de Convivência do campus, na Cidade Alta. Não foi divulgada uma previsão de quando acontece a transferência, mas, com o novo prédio, a equipe do projeto assume o desafio de ampliar a interface entre a comunidade e a ciência. Segundo o diretor do espaço, professor Eloi Teixeira, a demanda cresceu muito nos últimos anos, por isso, já se fazia necessário um local maior. "A lista de espera chega a 50 escolas. Quando abrimos agendamento, completamos o semestre em duas semanas".

Atualmente, na estrutura do Colégio de Aplicação João XXIII, é possível receber uma escola de cada vez, em duas visitas por dia. Também são aceitas visitas de grupos pequenos. No novo endereço, a capacidade de atendimento será de até quatro escolas simultaneamente. A sede terá, ainda, espaço para exposições temporárias, sem que seja necessário cancelar as permanentes. Para inauguração, ainda sem data agendada, está prevista uma exposição sobre energia nuclear.

As instalações do Centro de Ciências vai incorporar o novo planetário, conforme a UFJF, um dos mais modernos do mundo, fixo, confortável, digital e com poltronas. A cúpula terá 12 metros de diâmetro, visão em 360 graus, teto retrátil e 12 telescópios computadorizados, sendo um exclusivo para observação do sol. Hoje, o projeto possui um planetário inflável, com domo de lona de seis metros de diâmetro, onde é possível observar a reprodução das estrelas e galáxias, entre outros temas, como um "teatro do céu".

 

O Centro de Ciências da UFJF funciona em anexo ao Colégio de Aplicações João XXIII (Rua Visconde de Mauá 300, Bairro Santa Helena). Cursos e visitas guiadas podem ser agendados pelo telefone 3229-7606.

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