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23 de Março de 2014 - 06:00

Traçado recebe trânsito de passagem entre Zona Sul e Cidade Alta, enquanto caminho fora do campus é subutilizado e percorrido em menos tempo

Por EDUARDO VALENTE

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O anel viário da UFJF não suporta mais o intenso tráfego dos veículos que utilizam o trecho como passagem entre a Zona Sul e a Cidade Alta. O último exemplo desta saturação foi observado na manhã do dia 27 de fevereiro quando, apesar de a universidade estar em férias, um grande congestionamento parou o trânsito interno e de vias próximas no Bairro São Pedro. Na ocasião, a universidade precisou fechar a pista de saída do Pórtico Sul por mais de três horas para a retirada de dois quebra-molas, em uma ação não divulgada para a população. Para verificar a situação atual, a Tribuna percorreu e cronometrou, na última semana, a passagem pelo anel viário e ainda por um caminho alternativo e pouco divulgado que garante a ligação entre as duas regiões. A busca por novos percursos neste momento se torna essencial já que casos como o de fevereiro podem voltar a ocorrer em breve, visto que o anel viário entrará em reforma e, entre as ações previstas, estão a substituição de todo o asfalto e a remodelação das calçadas e da ciclovia. Ao mesmo tempo, a Settra adiantou que o estudo para a implantação de um novo contorno viário está sendo concluído e deverá chegar às mãos do prefeito nos próximos dias. Com a possibilidade de se abrir uma nova via entre a região do Estádio Municipal e a Avenida Presidente Costa e Silva, este traçado, caso seja concretizado, reduzirá ainda mais a diferença identificada.

Apesar de quase quatro vezes mais longo (são cinco quilômetros contra 1,4 quilômetro no anel), o caminho percorrido pela reportagem não tem retenções, o que garante um intervalo de tempo cerca de 10% menor se comparado ao da UFJF, entre os portões Sul e Norte. A alternativa consiste em, no Pórtico Sul, seguir em direção à Estrada Dom Orione, Avenida Eugênio do Nascimento até o Estádio Municipal, onde o veículo atingiu a Rua Álvaro José Rodrigues e chegou ao início da Avenida Presidente Costa e Silva (ver quadro).

Utilizando uma filmadora, a reportagem transitou por este trajeto e também pelo anel viário, na segunda-feira, dia 17, e na terça-feira, dia 18, às 17h. No caminho mais longo, ficou perceptível a subutilização do traçado, já que poucos carros foram vistos. Para se ter ideia, entre o portão Sul e o início da Costa e Silva foram necessários apenas 4 minutos e 16 segundos. Todo o trajeto externo entre o Pórtico Sul e o Norte da UFJF foi feito em 8 minutos e 14 segundos. Já dentro do anel viário, o carro gastou 9 minutos e 19 segundos.

O problema é que este percurso não é conhecido por todos e muito menos incentivado. Não há, por exemplo, placas de sinalização na Avenida Itamar Franco informando da possibilidade de chegar ao Bairro São Pedro passando pelo Estádio Municipal. "Não sou de Juiz de Fora, mas venho para a cidade toda semana a partir do Rio de Janeiro. Minha rota passa pelo Bairro São Pedro, e só sei chegar pela universidade. Com certeza aqui dentro é onde gasto mais tempo", disse o representante de uma indústria de bebidas Oswaldo Barros, 36 anos.

 

 

Obras vão ampliar problemas em via

A necessidade de se incentivar o uso de vias alternativas entre as regiões Sul e Cidade Alta se tornará mais evidente em breve, quando a UFJF iniciar as obras de reestruturação do anel viário. Entre outras ações, estão previstas a substituição do asfalto, a melhoria na segurança da ciclovia e da calçada do lado direito (no sentido do trânsito), além da remodelação dos pontos de ônibus e instalação de câmeras de segurança. Durante estas intervenções, que devem durar até dez meses, os engarrafamentos no local deverão se tornar mais intensos, principalmente porque, em algumas obras, a capacidade viária deverá ser reduzida à metade. Além disso, depois da conclusão dos trabalhos, existe a intenção da administração da universidade de instalar radares para disciplinar os condutores a trafegarem em, no máximo, 30 quilômetros por hora. Para isso, no entanto, ainda se faz necessário um convênio entre a Polícia Militar e a Settra.

De acordo com o pró-reitor de Infraestrutura, Pascoal Tonelli, as intervenções só não tiveram início ainda por um problema jurídico na execução do contrato. Segundo ele, a vencedora da licitação pública está com problemas na contratação dos terceirizados, pois isso estaria sendo feito de forma não prevista no edital. "A UFJF está tentando resolver este problema junto à empresa, inclusive com acompanhamento das áreas contábil, jurídica e Procuradoria Federal. Esta é uma obra prioritária, que deveria ter começado em janeiro do ano passado e já estar concluída. Estou ansioso para uma solução em breve, para que ela seja iniciada ainda neste semestre."

Durante a execução dos trabalhos, Tonelli prevê alguns transtornos no anel. "Vamos ter que disciplinar o tráfego em meia pista, e isso será um problema sério. Vamos administrando tudo à medida que a obra for evoluindo. Por enquanto, não temos como estimar o que será feito para minimizar os transtornos. Mas garanto que estaremos empenhados para mobilizar a todos e informar com antecedência. Quem usa o anel viário como passagem deverá ter paciência e entender que existe via alternativa." Ele aproveitou a oportunidade para falar da situação observada em fevereiro. Segundo ele, as retenções foram ainda mais intensas porque coincidiram com caminhões descarregando materiais de obras privadas na Avenida José Lourenço Kelmer.

Conforme o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, a pasta não descarta a instalação de placas indicativas mostrando o traçado alternativo pela região do Estádio Municipal. "Não temos previsão de instalar placas por agora, mas com as obras isso poderá ser feito, até mesmo para incentivar a utilização deste percurso."

 

 

Projeto de novo acesso é readequado

A criação de um novo contorno viário entre as regiões Sul e Cidade Alta poderá sair do papel nos próximos meses. Com alternativas já estudadas por uma empresa contratada pela Settra, no fim do ano passado, atualmente o projeto passa por readequações sugeridas pela secretaria, o que deve ser finalizado nos próximos dias. Depois dependerá da aprovação do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) para que os recursos sejam buscados e as obras tenham início. Estima-se que a nova ligação que será uma alternativa ao anel viário da UFJF custe aos cofres públicos aproximadamente R$ 15 milhões, montante que o Município afirma não ter disponível. Este recurso deverá ser conquistado por meio de articulações políticas a serem feitas pelo prefeito e pelo reitor da UFJF, Henrique Duque.

O titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, preferiu, no momento, não detalhar qual traçado seria este, mas confirmou que duas soluções já foram apresentadas, e uma delas seguiria do Pórtico Sul para a Estrada Dom Orione, passando pela Avenida Eugênio do Nascimento, até em frente a Embrapa, e seguindo em direção ao Bairro Aeroporto pela Avenida Engenheiro Valdir Pedro Monachesi que fica acima do Estádio Municipal. Neste ponto seria aberta uma nova via até o início da Avenida Presidente Costa e Silva, na direção da UPA de São Pedro.

Este novo caminho daria fluxo ao movimentado trânsito da Cidade Alta, fato que ocorre, principalmente, pela explosão imobiliária na região dos bairros São Pedro, Santos Dumont e Marilândia. A área tem hoje uma população superior a 37 mil pessoas, conforme o último censo demográfico do IBGE.

Enquanto isso não é feito, a universidade contabiliza os prejuízos causados por este tráfego, como a falta de segurança para pedestres e o comprometimento na qualidade do ensino. Isso ocorre porque, com os ruídos dos automóveis, e o acionamento desnecessário de buzinas, a poluição sonora tornou-se realidade dentro das salas de aula, principalmente das faculdades de direito, economia e comunicação, de acordo com o pró-reitor de Infraestrutura, Pascoal Tonelli.

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