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06 de Julho de 2014 - 06:00

Só entre Bom Clima e Bandeirantes, 41 acidentes ocorreram este ano, resultando em 32 feridos; situação também é preocupante na região do Retiro

Por EDUARDO VALENTE

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Apesar de ser uma cidade polo, com grande circulação de veículos diariamente nas entradas e saídas do município, Juiz de Fora tem acessos precários e incapazes de suportar o tráfego atual, o que aumenta a insegurança também para pedestres. A situação se tornou mais evidente nos últimos meses, quando dois acidentes graves envolvendo ônibus, fecharam a saída Nordeste, que coincide com a Rua Paracatu. Somente nesta entrada da cidade, entre os bairros Bom Clima e Parque Guarani, que serve de acesso para a MG-353, foram registrados 41 acidentes este ano, sendo 17 deles com 32 pessoas feridas. No local, os abusos são flagrados a todo o momento, e a comunidade clama por mais segurança. Mas a realidade não é diferente na Zona Sudeste, em bairros como Retiro, Santo Antônio e Lourdes, passagem para quem vem da BR-267, e também na Cidade Alta e na Zona Norte, onde chama atenção as vias de acesso consideradas alternativas à BR-040, que estão sem asfalto e tomadas por bota-foras irregulares.

Durante dois dias da semana passada, a Tribuna percorreu estes trajetos e encontrou áreas sem calçadas, embora estejam no perímetro urbano, e falhas nas sinalizações vertical e horizontal. Soma-se a estes fatores a imprudência dos motoristas que, em alguns locais, trafegam em velocidade incompatível com a via e realizam ultrapassagens irregulares. Estes problemas ficam mais evidentes na região Nordeste de Juiz de Fora. No segmento sinuoso da Rua Paracatu, conhecido como Serra do Bandeirantes, a falta de faixas de pedestres contrasta-se com a alta velocidade alcançada por carros e caminhões, tanto na subida como na descida. Na pressa, as ultrapassagens são inevitáveis, embora todo o trecho tenha sinalização de faixa contínua. No tempo em que a Tribuna permaneceu no local, aproximadamente 40 minutos, dezenas de imprudências foram flagradas. Quem mora na área afirma que o tráfego é cada vez mais intenso, enquanto nenhuma melhoria é adotada. Para a dona de casa Onila Maria de Jesus Soares, 42 anos, a criação de traffic calmings seria o ideal para garantir mais segurança e conforto aos moradores do entorno. "Não temos nenhum ponto seguro de travessia. Oriento muita atenção às minhas filhas e peço que elas desçam dos ônibus na rotatória (na entrada dos bairros Parque Guarani e Vivendas da Serra), onde a velocidade dos carros é um pouco menor."

De acordo com a assessoria de comunicação da Settra, a inclinação e as curvas da via não permitem a instalação de lombadas. Foi informado que a sinalização vertical e horizontal já foi finalizada e existe a possibilidade de instalação de novos pontos de radares. Outra medida que será adotada, segundo a pasta, será a colocação de tachões para impedir as ultrapassagens irregulares onda há faixas contínuas.

Mais à frente, em direção à MG-353, os problemas são outros. Na Avenida Juiz de Fora, altura do Grama, as faixas de pedestres existem, mas estão apagadas. Além disso, em alguns trechos, não existem calçadas, e, em outros, elas estão ocupadas por veículos estacionados com placas de "vende-se". Em todo o trecho, de pista simples, o tráfego é intenso e lento por causa das carretas que entram e saem da cidade e fazem filas de automóveis atrás. A Settra esclarece que, nesta avenida, há quebra-molas e que a revitalização das sinalizações horizontal e vertical foi concluída recentemente. Já a Secretaria de Obras informou que está em análise, na Secretaria de Estado de Governo, um projeto de recapeamento asfáltico na Avenida Juiz de Fora e na Rua Paracatu. Orçado em R$ 999.932,67, sendo o Município responsável por 10% do valor como contrapartida, o projeto não prevê a construção de passeio, que seria de "responsabilidade dos proprietários dos imóveis ao longo da via".

 

Nova estrada

Habituado a viajar entre Ubá e Juiz de Fora todos os meses, o comerciante Leonardo Assumpção, 54 anos, afirma gastar no perímetro urbano (até o Centro) o mesmo tempo que utiliza na estrada. "Venço os cem quilômetros entre as duas cidades em no máximo uma hora e 15 minutos. Já do Grama até a Avenida Rio Branco, dependendo do trânsito, preciso do mesmo tempo." Para o comerciante, a solução em curto prazo está na finalização das obras da nova estrada que visa a ligar a MG-353 (em João Ferreira/Coronel Pacheco) diretamente à BR-040 (na altura da Barreira do Triunfo). Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG), as obras deverão ser concluídas até 23 de março do próximo ano, quando se encerra o contrato com a empreiteira vencedora de licitação publicada. Atualmente, cerca de 90% da terraplanagem e 40% da drenagem já foram concluídas. Ainda conforme o DER, os operários atuam, neste momento, em trabalhos de limpeza, escavações e drenagens, profundas e superficiais. Além disso, uma equipe faz os atendimentos para as desapropriações de terrenos e adaptações às exigências ambientais.

 

 

 

BR-267 traz riscos na área urbana

A relação dos moradores da região Sudeste com a BR-267 é conflituosa. Em bairros como Floresta e Retiro, que crescem às margens da estrada, acidentes não são incomuns e, embora no perímetro urbano, não há segurança para pedestres. Em alguns trechos, sequer há calçadas, enquanto, em outros, a alta velocidade dos automóveis contrasta com um traçado sinuoso e repleto de obstáculos.

Na altura do Retiro, duas situações chamam atenção: próximo ao número 1.000 da Avenida Francisco Álvaro de Assis, no acesso à Estrada União e Indústria (obrigatória para veículos com capacidade de carga superior a 3,5 toneladas), o estreitamento de uma ponte provoca freadas a toda hora. No local, é possível transitar apenas um veículo por vez, e a sinalização é defeituosa. No chão, a pintura de "Pare" está apagada, enquanto a placa indicativa está enferrujada. A outra situação ocorre na altura do número 1.700, em direção ao Floresta, onde o estreitamento de um túnel sob a linha férrea também causa indignação. Embora haja quebra-molas na pista antes da estrutura, eles não estão sinalizados e pintados, potencializando o risco de acidentes.

Por meio de nota, a assessoria de comunicação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelo trecho, informou que "o segmento está em boas condições de trafegabilidade, roçado, com boa sinalização horizontal e vertical, além de vários segmentos com passeios implantados recentemente". Também divulgou que o órgão contratou uma empresa para elaborar projeto de reforço e alargamento da ponte sobre o Rio Paraibuna, e o contrato já está assinado e em fase inicial dos serviços. O Dnit informou ainda que aguarda a implantação de dispositivos controladores de velocidade nas proximidades da ponte e ao longo da área de perímetro urbano.

 

Nos bairros

Saindo da BR-267 em direção à Avenida Brasil, os condutores têm como opção a Ladeira Ilva Mello Reis, que dá acesso aos bairros Santo Antônio e Lourdes. Apesar de o tráfego no local ser destinado apenas a veículos de pequeno porte, caminhões e carretas utilizam o atalho com frequência, desrespeitando as regras previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O resultado deste tráfego é perceptível nos bairros, onde as ruas são estreitas e não suportam veículos grandes, colocando pedestres em riscos. Somam-se a isso o fato de automóveis estarem estacionados sobre as calçadas e a escassez de faixas de pedestres para os moradores. Sem opções, muitos se arriscam a atravessar em locais mal sinalizados, colocando as próprias vidas em risco.

Segundo a Settra, por causa da inclinação da ladeira, não é possível a colocação de lombadas e travessia de pedestres na via. No entanto, garantiu que a possibilidade de instalar radares está sendo avaliada. Para otimizar o trabalho dos agentes, a secretaria disponibiliza o telefone 3690-7400 para denúncias.

 

 

Problema para acessar 040 em traçados alternativos

De acordo com o mapa da cidade fornecido pela Settra, há 12 caminhos de acesso a Juiz de Fora pela BR-040 entre os bairros Salvaterra, na Zona Sul, e Barreira do Triunfo, na Norte. A Tribuna percorreu três considerados alternativos na última semana e constatou que os trechos não são pavimentados e nem iluminados. Além disso, os caminhos estão cobertos por grandes bota-foras irregulares. Quem se arrisca nestes traçados, usando indicação de aparelhos GPS, encontra dificuldades.

Uma destas vias é a Rua Professor Virgílio Pereira da Silva, na interseção com o km 793 da rodovia e de acesso ao Viña Del Mar, na Cidade Alta. A pista estreita e irregular recebe tráfego de alguns carros e até uma ambulância foi encontrada no trecho. Situação semelhante foi identificada no km 792, no acesso ao Bosque do Imperador, também na Cidade Alta, pela Alameda Cruzeiro de Santo Antônio. Neste segmento, porém, só não há asfalto entre a rodovia e o trevo de acesso ao Condomínio Alphaville, embora haja tráfego de ônibus urbano. Mais à frente, no km 787, há um caminho em direção à Zona Norte, no Bairro Fontesville, por meio da Avenida Vereador Raimundo Hargreaves, que apresenta problemas semelhantes aos outros dois.

Segundo a Settra, duas das vias citadas na reportagem não são oficiais, sendo tratadas como estradas vicinais "que não contam com a infraestrutura para suportar o alto tráfego de veículos". A única que é vista como rua é o acesso ao Viña Del Mar. A assessoria de comunicação da secretaria informou que os trajetos de entrada e saída indicados são a Deusdedit Salgado (Salvaterra) e Rua Brasília (Aeroporto), além das entradas a partir do trevo de Caxambu, a MG-353, e os bairros Distrito Industrial e Santa Cruz, ambos na Zona Norte.

Conforme a Secretaria de Obras, não há condições de urbanizar todas estas vias, que são consideradas como alternativas e de pouca movimentação. Mesmo assim, a Alameda Cruzeiro de Santo Antônio está incluída em um convênio de asfaltamento, previsto para ser executado no próximo ano. Com relação aos outros dois acessos, foi informado que os casos serão analisados pela diretoria técnica da Empav. Quanto à falta de iluminação pública, a Secretaria de Obras informou que uma equipe da Divisão de Energia e Eletrificação da Empav irá aos locais para realizar avaliações.

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