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01 de Março de 2014 - 18:04

PM registrou cerca de oito mil foliões no desfile, que costuma reunir entre 20 e 30 mil pessoas

Por Júlia Pessôa e Marisa Loures

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General da banda entrega título de folião benemérito ao vereador Isauro Calais no início do desfile
General da banda entrega título de folião benemérito ao vereador Isauro Calais no início do desfile
Como já é tradição, corte do carnaval participa do desfile
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Vestidos de domésticas, o pedreiro Jairo Cândido e o estudante Lucas Felizardo de Souza
Vestidos de domésticas, o pedreiro Jairo Cândido e o estudante Lucas Felizardo de Souza
Multidão ocupa as três pistas da Avenida Rio Branco
Multidão ocupa as três pistas da Avenida Rio Branco
PM garante segurança em desfile sem ocorrências de destaque
PM garante segurança em desfile sem ocorrências de destaque

"Chegou a hora do carnaval que é patrimônio de Juiz de Fora". Com este anúncio, o general da Banda Daki, Zé Kodak, devidamente fardado, começou o desfile do tradicional bloco, que neste ano não abriu a programação do carnaval, já que o Corredor da Folia antecipou grande parte dos festejos. Também por isso não houve a típica entrega da chave da cidade ao Rei Momo, Ronaldo Golfinho, mas houve, pela primeira vez, a solenidade de entrega da Comenda Banda Daki, que, a partir deste ano, passará a homenagear, com o título de "folião benemérito", personalidades que se destacam por serviços prestados ao carnaval. O primeiro a receber a honraria foi o vereador Isauro Calais, responsável pelo projeto de Lei que tornou a banda patrimônio imaterial da cidade. "É uma honra receber este título de uma entidade tão importante para a vida cultural da cidade como a Banda Daki", disse o vereador.

Com 42 anos de folia, a banda saiu da concentração, na Avenida dos Andradas, às 12h30, meia hora antes do previsto. A estimativa da Polícia Militar, que operou em esquema especial durante todo o desfile, é de que cerca de oito mil pessoas tenham acompanhado o desfile, número bem inferior aos cortejos dos outros anos, que giram em torno de 20 a 30 mil pessoas. Para muitos foliões, a antecipação dos desfiles das escolas de samba pode ter esvaziado o tradicional bloco. "Este ano tem bem menos gente do que de costume, mas acho até melhor, porque quando enche demais o risco de ter alguma confusão é maior", opina o pedreiro Jairo Cândido, vestido de "doméstica de luxo" junto com o amigo, o estudante Lucas Felizardo de Souza. "Venho desde criança, é muito divertido", diz Lucas.

Dois trios elétricos puxaram a folia, um deles com a banda Realce, e a corte do carnaval seguiu com Zé Kodak em um carro aberto semelhante ao que levava destaques como a musa da banda e a drag queen Isabelita dos Patins, presença tradicional do desfile há dez anos. Até nas janelas dos prédios, havia folião. "É aqui que encontramos o verdadeiro carnaval. Tem família e tem criança fantasiada. Fico muito feliz por participar desta grande festa, que é maravilhosa. Como diz a música 'daqui não saiu, daqui ninguém me tira'", diz Isabelita, sustentando uma imponente coroa na cabeça. "Não tem prataria que pese diante do calor do povo."

Para o Rei Momo, Ronaldo Golfinho, estar no reinado em um evento tão importante para a cidade é motivo de orgulho. "E o clima de festa só reforça que o carnaval antecipado foi uma proposta interessante, que valeu a pena", avalia. "Além disso, é algo que faz parte da identidade de Juiz de Fora", completa a rainha do carnaval, Claudiana Cristina Rosa.

A segurança do desfile foi comentada pelos foliões, que destacaram o reforço no policiamento ao longo de todo o trajeto da banda e compareceram com suas famílias, com idosos e crianças pequenas. "Já vinha com meu marido antes de termos o Miguel, esse é o primeiro carnaval dele, que está adorando. Não tive receio algum porque está muito seguro", diz a autônoma Valéria dos Santos Ferreira, que levou o pequeno Miguel de 1 ano e 3 meses vestido de pirata, com direito a chapéu e tapa-olho. "Quem vem pro desfile também tem que fazer sua parte, mas está muito seguro, muito policiado, como tem que ser uma festa assim, o carnaval do povo", acrescenta o professor Ary Santos. A Tribuna registrou, entretanto, imagens de crianças e adolescentes consumindo bebida alcoólica.

Para o prefeito Bruno Siqueira, que esteve na abertura do cortejo, a segurança foi um dos pontos fortes da folia antecipada de Juiz de Fora. "Durante os quatro dias de carnaval, a PM tem que distribuir o efetivo por toda a região, e com a antecipação, pôde haver mais gente atuando em Juiz de Fora, contribuindo para eventos mais seguros." Como já havia sido anunciado, cerca de 350 policiais militares fizeram a segurança do desfile, atuando diretamente no evento, nas ruas adjacentes e nos principais corredores de acesso. Também houve apoio da cavalaria e de policiais em motos, além da presença da Guarda Municipal. De acordo com informações da 30ª Companhia da Polícia Militar (PM), algumas brigas de gangues foram registradas na altura entre a Avenida Getúlio Vargas e a Rua Santa Rita, mas os tumultos foram prontamente apartados. Na dispersão, principal ponto de preocupação da PM nos últimos anos, já que o público resiste em ir embora, também foram registradas ocorrências de menor gravidade, segundo a Polícia Militar. "Como a expectativa de público era maior, reforçamos o efetivo. Não tivemos incidentes graves", afirma o capitão da 4ª Companhia de Missões Especiais (4ªCME), Rubens Valério de Souza.

Fiscais de posturas da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) atuaram desde as 8h, atentando para o cumprimento das regras para o comércio ambulante, como a proibição de venda de bebidas em garrafas de vidro e de "chup-chup", "sacolé", mistura de suco com bebida alcoólica, produtos de origem duvidosa. "Não houve ocorrência relevante, a cada ano as apreensões diminuem mais, fruto do trabalho preventivo e de orientação que temos feito", avalia o coordenador da fiscalização, Sérgio Coelho. Agentes de trânsito e policiais militares controlaram o tráfego, que foi alterado para a passagem da banda, com a disposição de gradis nas ruas transversais à Avenida Rio Branco e a interdição parcial ou total de algumas vias. Até o fechamento desta edição, a Settra não havia registrado transtornos no trânsito. As ruas foram sendo liberadas parcialmente à medida que o desfile evoluía.

Entre os foliões, personagens conhecidos e fantasias criativas misturavam-se ao som de marchinhas e outras músicas típicas do período carnavalesco. O ótico João Viana aproveitou a folia para protestar contra a absolvição dos réus do Mensalão na última quarta-feira. Fantasiado, ele trazia, pendurado no corpo, um cartaz com os dizeres:"Mensalão. Não é quadrilha! É uma banda de oito músicos!" "É uma maneira de passar uma mensagem de conscientização na brincadeira, as pessoas leem, comentam, debatem essa situação vergonhosa", comenta. Já a família do empresário Reginaldo Coutinho, que estava fantasiada com roupas infantis e levava um mini-trio elétrico tocando Balão Mágico e outros hits de crianças, procurou passar uma mensagem de alegria e paz. "Venho há 27 anos, e muito de fazer um carnaval bom depende de nós mesmos, de curtir a festa sem violência, sem confusão. Estamos aqui em família mostrando que isso é possível", conta ele, que desfilou acompanhado da esposa, Ana Lúcia Damasceno, da filha Ana Carolina e do irmão William Coutinho.

Depois da parada na Praça do Riachuelo, os trios elétricos se deslocaram com mais rapidez, o que pode ter desapontado quem se programou para curtir a festa, conforme apontou o coordenador de eventos da Banda Daki, Jesus Alves. "Nunca foi tão rápido assim. Não sei o que está acontecendo. O problema maior é o pessoal que chegou contando com o cumprimento do horário", afirma Alves.

Às 15h, a banda já estava animando os foliões em frente ao Parque Halfeld. No local, o público se esbaldou com sucessos de Mamonas Assassinas, Ivete Sangalo e Xuxa. O trajeto terminou diante das escadarias da Catedral Metropolitana, por volta das 15h40. "Tivemos um descontrole dos trios, mas chegamos na hora certa. Foi um desfile alegre, animado e sem briga. Não houve queda do público da Banda Daki. Queremos qualidade e não quantidade", enfatiza Zé Kodak.

Durante o desfile, equipes entregaram 30 mil preservativos aos foliões, iniciativa que foi aprovada pelo público. "É fundamental ter esse tipo de atitude preventiva", opina Célio Alves, fantasiado de "namoradinha", munido de saia, top e peruca de longos cabelos negros. Nem mesmo a chuva que começou a cair quando a banda desfilava na altura do cruzamento com a Rua Floriano Peixoto desanimou quem acompanhava o cortejo.

 

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