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24 de Junho de 2014 - 06:00

Por CÍNTIA CHARLENE

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Fluxo na saída do Viaduto Augusto Franco é intenso, aumentando perigo para pedestres
Fluxo na saída do Viaduto Augusto Franco é intenso, aumentando perigo para pedestres
Longo trecho sem faixas entre a ponte do Manoel Honório e a do Ladeira, obriga pedestres a atravessar com risco
Longo trecho sem faixas entre a ponte do Manoel Honório e a do Ladeira, obriga pedestres a atravessar com risco
Perto da Ponte Nelson Silva, não há faixa para travessia na margem direita
Perto da Ponte Nelson Silva, não há faixa para travessia na margem direita

A mudança de sentidos realizada na Avenida Brasil, onde foi implantado o binário no último mês trouxe à tona outros problemas da via. Apesar da melhoria no fluxo de trânsito, alguns trechos ficaram mais perigosos, com motoristas trafegando em alta velocidade, deixando expostos pedestres que não conseguem atravessar em locais em que não existem semáforos. A Tribuna percorreu alguns pontos e pode observar as dificuldades enfrentadas pela população. No último dia 6, um homem de 86 anos morreu ao ser atropelado por uma motocicleta na Avenida Brasil, próximo a sede da Polícia Federal.

Na margem direita do Rio Paraibuna, da Ponte Nelson Silva, no Poço Rico, até a ponte Luiz Ernesto Bernardino Alves Filho, em frente ao Tupynambás, não existe faixa de pedestres pintada sobre a via. Por ser uma área com vários comércios e uma fábrica, é possível observar pedestres se arriscando em meio aos carros. Uma prática adotada por muitos é parar sobre as zebras pintadas no chão, fator que compromete ainda mais a segurança, já que muitos motoristas não respeitam as sinalizações horizontais. A única faixa de pedestres existente na área está localizada próximo ao Viaduto Augusto Franco. O advogado Sebastião Teodoro de Oliveira, 53 anos, temendo a velocidade dos carros preferiu andar até o viaduto para atravessar com segurança. "Antes eu saía da ponte e atravessava direto em direção à Rua Espírito Santo. Com o aumento no fluxo de carros, está muito perigoso. Mesmo tendo que andar um pouco, não me causou prejuízo de tempo para atravessar com segurança na faixa." A advogada Fátima Queiroz Faria, 40, questiona a falta de equipamentos voltados para os pedestres. "Tem que ter atenção redobrada. Nós que somos jovens temos que ficar espertos, uma pessoa com limitação física não pode atravessar ali nunca. Não vi nada para o pedestre, só para os carros. Deveria ter faixa e tempo semafórico para nós."

Ainda na margem direita do rio, apesar de haver a sinalização horizontal das faixas na altura do Terreirão do Samba, a população tem dificuldade em fazer a travessia, uma vez que ficam à mercê da vontade dos motoristas em pararem próximo à faixa.

Na margem esquerda em direção ao Bairro Manoel Honório, a situação não é muito diferente. Próximo à Rua Maria Perpétua, é possível notar pessoas se arriscando para atravessar. No trecho, há faixa de pedestres apenas nas pontes que dão acesso aos bairros Ladeira e Manoel Honório. O vigilante Luiz Carlos de Jesus, 47, morador do Bairro Progresso, usa a avenida constantemente para ir ao Centro. "Atravessei fora da faixa para ganhar tempo, mas sei que poderia ter feito isso na faixa, onde é mais seguro. Fico esperando até a hora que dá para poder atravessar. Não tive dificuldades, mas os veículos estão correndo muito. Acho que deveria ter um radar."

A chefe do Departamento de Engenharia de Tráfego da Settra, Silvânia Rodrigues Oliveira, orienta que as pessoas utilizem somente os locais indicados para fazer a travessia. "Se as pessoas estão usando trechos onde não há sinalização, é um indício de que não é local ideal para se atravessar. Por isso, pedimos aos pedestres que sempre utilizem os pontos onde há semáforos e observem o tempo adequado para efetuar a travessia."

Sobre a falta de faixas, a chefe do departamento explica que um estudo constante está sendo feito, a fim de apontar as necessidades e modificações que precisam ser realizadas nas vias. "O projeto está em fase de adequação, e nós estamos monitorando toda esta região que foi alterada, inclusive a questão relacionada à faixa de pedestres, onde é o maior volume de pessoas, onde se justifica a implantação, onde existe condição de instalar faixas. Sobre a instalação de radares e redutores de velocidade, também estamos observando estas questões. Caso seja necessário e a Settra tenha condições, vamos instalar. Normalmente, a fase de estudos é realizada em torno de um mês", pondera.

 

Reclamações persistem em via sem estrutura

Na Rua Trinta e Um de Maio e Avenida Surerus, no Bairro Vitorino Braga, na região Sudeste, o problema apontado por moradores e comerciantes é outro. O local se tornou alternativa para os motoristas que seguem da região do Ladeira e querem acessar a margem direita do Rio Paraibuna. Com a implantação do binário, as alternativas existentes são as ruas do bairro até chegar à ponte da Benjamin Constant ou retornando para o Bairro Mariano Procópio, em direção à Rua Antônio Lagrota. No último dia 2, moradores realizaram um protesto contra o trânsito pesado no trecho, interditando a esquina da Rua Henrique Vaz com Avenida Surerus. O proprietário de uma oficina Alexandre Terror Lopes, 41 anos, reclama da alteração. "A mudança de mão prejudicou muito. O movimento caiu 80%. Quando era mão dupla era melhor, era fácil parar os carros. Agora não tem como ficar parando, o fluxo de veículos é intenso. Além disso, afogaram o trânsito no entorno, principalmente na Avenida Garibaldi Campinhos. Ninguém está de acordo com a alteração."

A chefe do Departamento de Engenharia de Tráfego da Settra, Silvânia Rodrigues Oliveira, concorda que a via não oferece condições para receber o fluxo. "A ideia não é transformar esta via em alternativa para acessar a margem direita da Avenida Brasil. O objetivo é que as pessoas utilizem a Avenida Rio Branco, Rua Agassis, depois a Rua Antônio Lagrota para acessar a margem direita do rio. A Trinta e Um de Maio realmente não oferece um atrativo para ser usada como circulação. Ultimamente, as pessoas não estão utilizando esta via, tanto como utilizaram no primeiro dia."

 

Redução

Diante dos vários ajustes realizados com a implantação do binário da Avenida Brasil e a fim de verificar a eficiência da nova programação viária utilizando dados do sistema de GPS instalados nos ônibus, a Settra realizou, no último dia 5, uma medição dos tempos de viagens dos ônibus no trecho modificado. O teste foi feito com as linhas que percorrem o maior segmento da avenida entre o Viaduto Augusto Franco e a Ponte do Manoel Honório. As linhas utilizadas foram 230, 231 e 232 da empresa Ansal e 708 e 785 da linha São Francisco.

A avaliação realizada nos dias 26 de maio e 2 e 3 de junho apontou que, a partir do dia 2, em média, a Ansal gastou 17% a menos do tempo para a viagem. Já a empresa São Francisco conseguiu reduzir o tempo em 25%. Os resultados foram satisfatórios e atenderam as expectativas da pasta. De acordo com a assessoria da Settra, a previsão é que outros testes sejam realizados nos próximos dias, com as linhas que percorrem trechos menores da avenida.

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