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30 de Março de 2014 - 06:00

Brinquedos quebrados, mato alto, vandalismo e iluminação insuficiente afastam usuários

Por CÍNTIA CHARLENE

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No Esplanada, balanços foram removidos e falta cercamento no parque infantil
No Esplanada, balanços foram removidos e falta cercamento no parque infantil

Brinquedos quebrados, sujeira, mato alto, iluminação insuficiente, pichações, grades danificadas e enferrujadas. Este é o cenário encontrado em áreas públicas de lazer em diversos bairros de Juiz de Fora. Diante destas condições, as praças e os parques têm deixado de ser frequentados pela população, fator que favorece ações de vandalismo, consumo e tráfico de drogas, além de atos libidinosos.

Em muitas comunidades que enfrentam o problema, as praças constituem a principal, se não a única, opção de lazer gratuito. Além disso, conforme a coordenadora do Núcleo de Pesquisa, Geografia, Espaço e Ação da UFJF, Clarice Cassab, essas áreas são fundamentais no meio urbano, pois propiciam a primeira experiência das crianças com a cidade, além de oferecer a possibilidade do lúdico. "É função do Poder Público prover o espaço, dando as condições de segurança, o cuidado e a limpeza necessários para que as áreas possam ser usadas."

Já o diretor-presidente da Empav, José Eduardo Araújo, ressalta que a população tem uma parcela de responsabilidade e observa que uma das áreas depredadas - a praça do Bairro Aracy - passou recentemente por revitalização. "A comunidade tem que entender que também precisa ajudar na conservação, porque, do contrário, não adianta."

No Jardim do Sol, a Praça Francisco Belei exemplifica bem a situação de precariedade nas áreas de lazer. A grade do parque infantil está enferrujada. Um dos balanços foi arrancado, e a quadra de futebol apresenta grades esburacadas. Há pichações por todas as partes. Situação parecida é observada na Praça José Siqueira Sobrinho, no Bairro Aracy, onde muros exibem frases de apologia ao crime e demarcação de território.

Outro fator que preocupa a população no Aracy é a iluminação. Por não ser automático, o sistema precisa ser ligado e desligado manualmente. "Eles usam a praça para consumir drogas e fazer sexo. Se a gente acende as luzes, vão lá e apagam. Estamos acuados", conta uma aposentada, 60 anos.

Na Praça Nilo Sotto Maior, no Santo Antônio, a quadra de futebol está com a rede danificada, além disso, faltam capina e limpeza. Uma aposentada, 67, conta que, à noite, o ambiente escuro aumenta a insegurança." O pessoal jovem vem usar drogas. Não podemos sair de casa. Quando saímos, pedimos a Deus para voltar."

Na Praça Déa Caputo Monachesi, no Caiçaras, os atos de vandalismo chamam a atenção. Pelo menos quatro luminárias foram depredadas, sobrando apenas os postes. Um pedreiro, 43, critica a ação dos vândalos. "Tem pessoas que destroem o espaço, e a gente tem receio de chamar a atenção porque pode dar problema. Nos sentimos inseguros e presos dentro de casa."

Outro caso de vandalismo pode ser observada na Praça José Gomes Filho, no Esplanada. Os dois balanços foram removidos. A área destinada às crianças é aberta, e a estrutura de cimento que segura o escorregador está exposta, oferecendo riscos. Uma comerciante, 36, conta que não frequenta mais o espaço. "Quando meu filho era pequeno, o trazia para brincar, mas peguei uma doença de pele, por causa da areia contaminada, e nunca mais tive coragem de voltar." Uma ascensorista, 42, conta que procura outros espaços de lazer para os filhos. "Minha opção é ir até o parque do Museu Mariano Procópio ou à pracinha do Manoel Honório."

Providências

O diretor-presidente da Empav garantiu que todos os logradouros citados passarão por verificação, e que serão tomadas providências em relação às demandas apresentadas. A pasta deu início a um processo de revitalização em algumas áreas de lazer da cidade. Sobre a iluminação da praça do Aracy, a informação é de que o sistema de ignição automática foi roubado, e que um engenheiro da Divisão de Energia e Eletrificação vai ao local verificar se há possibilidades de mudança no mecanismo.

Com relação ao Caiçaras, José Eduardo Araújo informa que a praça sequer estava cadastrada no sistema da Empav. Segundo ele, o logradouro consta como sendo uma rotatória, mas funcionários vão ao local para fazer uma avaliação. Sobre as pichações encontradas na maioria dos lugares visitados, José Eduardo afirma que é um problema grave no município. "A gente pinta, e eles vão e picham. Isso é um caso de polícia que afeta toda a cidade. Não estamos conseguindo controlar."

Já a possibilidade de fazer o cercamento do parque no Esplanada foi descartada pelo diretor-presidente da Empav, com a informação de que a pasta não possui verba disponível no momento.

Segurança

Outra questão levantada pelos moradores é a falta de segurança nos espaços de lazer. O assessor organizacional da 4ª Região de Polícia Militar (4ª RPM), major Edmar Pires, esclarece que não existem dados estatísticos que comprovem a necessidade de reforço. "Nosso patrulhamento é direcionado de acordo com a demanda. Nestes ambientes, não temos registro de ocorrências. Vamos manter o policiamento da forma que está." O major orienta, no entanto, que os usuários acionem a polícia, quando necessário. "É preciso que a comunidade encaminhe para nós a demanda, principalmente no momento em que ocorre o fato."

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