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03 de Maio de 2014 - 06:00

Média é de um assalto por dia no trecho da Baixada; juiz-foranos temem viajar principalmente na madrugada

Por Nathália Carvalho

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A BR-040 é aquela com maior número de registros de assaltos em toda a malha rodoviária do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a média é de uma ocorrência por dia. Na madrugada do último dia 23, uma família, que seguia sentido Juiz de Fora/Rio, foi rendida e roubada na rodovia, na altura de Jardim Primavera, distrito de Duque de Caxias (RJ). Os bandidos agiram com violência e fugiram levando o carro e todos os pertences do casal e das duas crianças que estavam no veículo. Já na madrugada da última segunda-feira, houve perseguição policial seguida por troca de tiros no mesmo ponto. Um carro foi identificado como furtado pela PRF e, após perceberem a presença dos policiais, os bandidos reagiram atirando. A situação causa apreensão em muitos juiz-foranos, que utilizam a via com frequência para realizar o trajeto até a capital fluminense. 

O procurador Daniel Giotti viaja semanalmente ao Rio, translado que ocorre, muitas vezes, no período noturno. Apesar de nunca ter vivido situação de risco, ele comenta que amigos já foram assaltados próximo a Duque de Caxias e sente-se preocupado em realizar a viagem de madrugada. "Costumo tomar precauções, mas não me sinto seguro. Só vou porque não tenho opção. A estrada é muito deserta, e os comércios ficam fechados, principalmente entre a Serra de Petrópolis e Caxias." Além disso, o procurador ressalta a falta de policiamento na região de Petrópolis. "Vemos muito pouco patrulhamento se comparado a outros pontos."

Empresário e morador de Juiz de Fora, Rogério de Abreu acredita que outro problema do trecho de Petrópolis se dá em virtude das obras de construção da Nova Serra. "Sabemos que, no local, estão ocorrendo muitos roubos, principalmente porque os carros são obrigados a ficar parados na rodovia. No geral, procuro sempre fazer as viagens durante o dia, que é mais seguro." A médica Priscilla Paes Barreto também evita trafegar pela BR-040 durante a noite. "Quando estou de carro sozinha, só viajo de dia. Mas acho que os trechos vão ficando mais perigosos conforme se aproximam do Rio, pela violência da cidade mesmo."

Região violenta

Chefe operacional da 1ª Delegacia Metropolitana da PRF do Rio de Janeiro, o inspetor Alexandre Dantas explica que toda a região da Baixada Fluminense está sofrendo uma onda de violência, e que os criminosos utilizam a BR-040 com frequência durante fugas. A situação acaba refletindo em um aumento no número de ocorrências na estrada, mas não necessariamente vitimando motoristas que estão em viagem. "Em média, contabilizamos um assalto por dia na rodovia. É uma área que possui uma incidência acima do normal, principalmente de noite e de madrugada, mas acredito que quem está de passagem sofra menos com isso. O problema maior é dentro das próprias comunidades", diz.

Ainda de acordo com o inspetor, apesar de a via ser a campeã em assaltos, os índices de ocorrência do último trimestre vêm se mantendo. "A maioria dos casos acontece com motoristas que resolvem parar às margens da pista para falar no celular, por exemplo. Os criminosos aproveitam a oportunidade para realizar o assalto. Orientamos aos usuários que evitem esse tipo de atitude." Por meio de assessoria, a Concer, empresa que administra o trecho da BR-040 entre Juiz de Fora e Rio, explicou que não possui informações a respeito, uma vez que não trabalha com dados de ocorrências violentas.

Em Minas

De acordo com o chefe da seção Juiz de Fora da PRF, inspetor Armstrong Carvalho, o maior problema da BR-040 no trecho de Minas Gerais está nas proximidades de Congonhas. "Lá há muita ocorrência de furto, principalmente em veículos de carga. Os motoristas param para dormir em postos de gasolina, por exemplo e, ao acordar, percebem que o material foi levado. Nosso serviço de inteligência está desenvolvendo um trabalho, inclusive, para coibir essa prática, mas orientamos os condutores que evitem parar em comércios com pouco movimento", explica.

 
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