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03 de Junho de 2014 - 16:39

Por Tribuna

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Atualizada às 19h55

Uma jovem de 23 anos registrou um boletim de ocorrência denunciando ter sofrido homofobia por parte de um segurança de da boate Mansão, na Cidade Alta. O caso aconteceu na noite do último domingo (1º), quando a universitária e atleta integrante da Associação Atlética Acadêmica do Instituto de Ciências Humanas da UFJF comemorava o encerramento das Olimpíadas Universitárias. De acordo com o boletim de ocorrência, o segurança teria abordado a jovem determinando que ela parasse de se comportar "daquela maneira". Sem dar mais explicações ele teria afirmado que, caso ela continuasse, seria colocada para fora. Ela tentou argumentar com o segurança e chegou a procurar a gerência da casa. O gerente, no entanto, a teria intimidado afirmando que teria filmagem e testemunhas de que ela teria mostrado os seios. Ela negou o fato e disse que apenas estava dançando e que o segurança da boate teria proferido contra ela palavras preconceituosas a respeito de sua sexualidade, fazendo ela se sentir constrangida perante aos demais frequentadores. 

Em nota de repúdio, a Associação Atlética Acadêmica do ICH qualificou o ocorrido como lamentável e pediu retratação. O texto informa que a "atleta em questão estava na festa acompanhada de outra mulher com a qual trocava beijos. O segurança separou as duas e solicitou que deixassem a casa noturna." O texto ainda solicita o melhor preparo dos seguranças para que novos casos de homofobia não se repitam, deixando claro seu total apoio às atletas e às medidas cabíveis que elas decidirem tomar. Membro da diretoria da Associação Atlética Acadêmica do ICH, Camila Martins, que testemunhou os fatos, disse que espera não apenas a punição do segurança, da empresa de segurança contratada e da boate. "O importante disso é refletir, para que haja mais investimento na educação das pessoas, a fim de que possa haver um maior entendimento sobre a diversidade, diminuindo assim esses casos de homofobia."  

Também em nota, o Comitê Organizador das Olimpíadas UFJF 2014 repudiou a situação. "O Comitê Organizador repudia qualquer ato discriminatório ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, racial, sexual, idade e condição de pessoa portadora de deficiência. A postura da organização foi de tolerância zero durante toda a competição, principalmente pelas Olimpíadas serem um espaço de confraternização e congraçamento do espírito de cidadania universitária. A organização das Olimpíadas UFJF deixa claro e público e reassume seu posicionamento totalmente contrário a qualquer ato de preconceito, especialmente homofóbico neste caso, inclusive colaborando no que for preciso nas investigações." 

De acordo com a delegada Ângela Fellet, titular da delegacia que cuida da Cidade Alta, foi instaurado um procedimento para apuração dos fatos. Ela informou que a vítima precisa comparecer à delegacia, para realizar uma representação a respeito do episódio e ser ouvida, o que, até esta terça-feira, ainda não havia acontecido. A delegada ainda ressaltou que o boletim de ocorrência, registrado sobre o fato, também traz uma outra versão do ocorrido passada pela direção do estabelecimento.

A direção da Mansão também se manifestou por meio de uma nota enviada à Tribuna. Nela, a gerência informou que "não possui qualquer tipo de preconceito ou ressalva com relação à opção sexual de quaisquer pessoas que frequentem seu estabelecimento. Ao contrário, a casa promove entretenimento para todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor e quaisquer outras formas de discriminação." Informou ainda que "a segurança dos eventos realizados na casa é feita por empresa terceirizada, contratada após rigorosa seleção, tratando-se, portanto, de empresa idônea e responsável, que possui seu respectivo registro de autorização de funcionamento junto à Policia Federal." 

A direção da casa noturna afirma lamentar profundamente a repercussão e a proporção que tais fatos tomaram nos últimos dias, reiterando que a empresa não admite, de forma alguma, qualquer conduta que apoie ou incentive a prática de homofobia.

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