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21 de Maio de 2014 - 20:43

Projeto de lei propõe proibição deste tipo de evento para evitar maus-tratos

Por Bárbara Riolino

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Público ficou dividido entre adeptos da prática e protetores dos animais
Público ficou dividido entre adeptos da prática e protetores dos animais

Com o plenário lotado e ânimos aflorados, a Câmara Municipal discutiu nesta quarta-feira (21) o Projeto de Lei 124/2013, de autoria do vereador Zé Márcio (PV), que prevê a proibição de rodeios, touradas e eventos similares que possam causar maus-tratos aos animais em Juiz de Fora. O público ficou dividido entre adeptos da prática e protetores dos animais na audiência pública, que teve como objetivo sanar as dúvidas no assunto, antes da votação do projeto, ainda sem data marcada.

"Procuramos trazer todas as partes para que os vereadores possam votar com segurança e responsabilidade", explicou o vereador João do Joaninho (DEM), um dos proponentes da audiência. Chico Evangelista (PROS) endossou o argumento. "Não podemos sair votando de forma aleatória. Temos que analisar todas as partes, uma vez que o rodeio é uma festa, e Juiz de Fora é carente de atrações". O vereador Vagner de Oliveira (PR) também defendeu que o voto precisa ser muito bem embasado. "Precisamos analisar se os rodeios acontecem de forma saudável". O autor do projeto, Zé Márcio, avalia que Juiz de Fora não quer mais a prática de rodeios, engrossando a decisão já tomada em 43 municípios no Brasil.

Antes de dar início ao debate, populares que se apresentaram como protetores independentes de animais, munidos de faixas, cartazes e camisas estampadas com a frase "Rodeio não é cultura, nem arte, nem esporte", apontaram diversos exemplos de crueldade com animais usados em rodeios, afirmando que o interesse do público nestes eventos está ligado às atrações musicais e não à montaria de touros e cavalos.

O veterinário Luís Cláudio, explicou que em pouco mais de 15 anos de realização de rodeios na cidade, nunca houve casos relacionados a maus-tratos de animais. "O rodeio é uma prática esportiva legalizada. Em minha experiência neste ramo, nunca identificamos que o pulo do animal esteja relacionado à dor".

Também veterinária, Neisa Teixeira Lourenço, destacou que os maus-tratos estão mais que comprovados em inúmeros laudos emitidos por pessoas e entidades que não têm interesse neste setor. "A situação não acontece apenas durante o rodeio, mas no período de treino e transporte, quando os animais são submetidos a estresse e som alto."

A locutora de rodeios Mara Magalhães, subiu ao plenário sob aplausos e vaias do público. Ela destacou que só participa de rodeios onde os animais estão isentos de qualquer dano. "Se há maus-tratos, sou a primeira a denunciar."

Durante toda a audiência, o público se manifestou, interrompendo a fala dos convidados com vaias, aplausos, e chegaram a dar as costas à mesa do plenário. Por diversas vezes, o presidente da Câmara, Julio Gasparette (PMDB), precisou intervir e pedir respeito para ambas as partes e ameaçou suspender a audiência.

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