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22 de Fevereiro de 2014 - 17:53

Por Tribuna

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Moradores pintaram cartazes com mensagens de paz
Moradores pintaram cartazes com mensagens de paz

A Praça Jeremias Garcia, no Bairro Benfica, palco de enfrentamento de gangues rivais, foi endereço de mais uma movimentação, mas, desta vez, pacífica. Moradores da Zona Norte uniram-se contra a violência que só este ano fez dez vítimas na região, levando ao cancelamento do "CarnaBenfica", que aconteceria no início de março. A manifestação, que se tornou conhecida através do lema 'Zona Norte pede paz', é encabeçada por representantes da sociedade civil e vem ganhando adesão de um número cada vez maior de pessoas. No ato deste sábado (22), residentes de Benfica e do Bairro São Judas Tadeu resolveram substituir o medo por ação. Ao lado dos filhos, eles pintaram cartazes com mensagens de paz. O material foi colado às grades da quadra de esporte, ajudando a mudar a paisagem do lugar.

Uma das participantes, a estudante de pedagogia Cristiane Bosich Antunes, 41, afirmou que a sua motivação é evitar novas vítimas. "Temos que reagir pacificamente, pois o único jeito de conter essa violência é buscando a socialização. A gente espera que isso promova conscientização e adesão de outros bairros. Este não é um movimento de entidades, nem de políticos, mas de cidadãos."

Os pais de Anderson Soares, 40 anos, assassinado no início do mês, no São Judas Tadeu, quando o estabelecimento comercial em que ele estava foi alvo de um tiroteio entre gangues, também participaram. Ainda muito abalado, Geraldo Soares, 66,disse que a morte do filho aumenta a realidade de insegurança. "Antes, andávamos no bairro com tranquilidade e agora não podemos nem sair na rua. Anderson não estava brigando com ninguém. Ficou no meio do tiroteio e acabou sendo atingido. Não estamos conseguindo lidar com a ausência dele", revelou, emocionado.

Para Aline Junqueira, 37, mestre em comunicação e cultura e uma das organizadoras do que chamou de "bailinho da paz" disse que o movimento não vai parar. "A nossa intenção é somar esforços e chegar nas áreas de maior vulnerabilidade. Não é só por Benfica, mas por todos os bairros do entorno", afirmou.

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