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31 de Maio de 2014 - 07:00

Ruas próximas tiveram retenções ao longo do dia; Settra diz que obras também prejudicaram fluidez e vai manter monitoramento

Por Eduardo Valente (colaboraram Camila Caetano e Michele Meireles)

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A operação do binário na Avenida Brasil, iniciada na manhã desta sexta-feira (30), mostrou-se confusa ao longo de todo o dia. Embora o fluxo de automóveis tenha melhorado em grande parte da via, principalmente onde não há obras da Cesama em andamento, foram registrados congestionamentos em ruas do entorno. O problema ficou mais evidente nas regiões dos bairros Ladeira, Costa Carvalho e Vitorino Braga. Neste último, o aumento do volume de veículos em vias estreitas e sem estrutura para esta finalidade, como a Avenida Surerus e a Rua Trinta e Um de Maio, deixou comerciantes e moradores da área irritados e apreensivos com a mudança. Complicações também foram observadas na Avenida Sete de Setembro, onde muitos motoristas e principalmente a comunidade foram surpreendidos com alterações nos sentidos de direção. A Tribuna acompanhou o trânsito entre os bairros Santa Terezinha, na Zona Nordeste, e Santa Teresa, na Sudeste, entre 10h e 19h. Neste período, observou a atuação constante de agentes de trânsito.

O maior transtorno observado ao longo do dia está na opção limitada dos condutores que trafegam do Bairro Ladeira em direção à Vila Ideal. Antes das modificações, os automóveis saíam da Rua Maria Perpétua (em frente à Settra) diretamente para a Avenida Brasil, que era considerado um caminho alternativo dos veículos que seguiam a partir das regiões Leste e Nordeste de Juiz de Fora. Agora para alcançar a margem direita do Rio Paraibuna, eles devem passar por ruas do Vitorino Braga (até chegar à Ponte da Rua Benjamin Constant) ou voltar para o Mariano Procópio (em direção à Rua Antônio Lagrotta). A Tribuna testou as duas possibilidades ontem, sendo que a primeira foi vencida em até 45 minutos, e a segunda em até 40 minutos, tempos muito superiores aos antigos. "A Surerus e a Trinta e Um de Maio não comportam todo este tráfego. Como há muitas oficinas mecânicas, há carros estacionados, e os motociclistas estão circulando pela calçada para fugir do engarrafamento. Pior é que a rua está toda trincada. Não fomos avisados que o trânsito ficaria desta forma aqui", lamentou o comerciante Rodrigo Praxedes Vieira, 35 anos, também morador do bairro. Segundo ele, os vizinhos planejam realizar manifestações, queimando pneus para interromper o trânsito. No mesmo lugar, estava a instrutora de autoescola Sabrina Receputi, 31. Ela disse que não há mais opções atrativas. "Vim pelo Vitorino justamente para cortar caminho, porque a Rio Branco também está lenta. Mas o trânsito está horrível."

 

Avenida Sete

Na Avenida Sete de Setembro, alterações no sentido de direção de ruas próximas confundiram os condutores. Em algumas áreas, cruzamentos se mostraram até perigosos, como próximo às ruas Cesário Alvim e São Bernardo. Quem circulava pelo entorno lamentava também a falta de opções da Brasil para a Sete de Setembro. "A última rua possível de entrar é a Professor Joaquim Vianna (prolongamento da Cesário Alvim) e está bem complicado porque, a partir dali, a Avenida Sete segue com mão única para a direita ou esquerda. E ainda há os carros descendo e subindo a Cesário Alvim. Ao invés de melhorar, piorou", disse o administrador de empresas Rodrigo Mello, 29.

Já na região do Costa Carvalho, a confusão se dava entre as pontes Nelson Silva e Antônio Carlos (na Rua Carlos Otto). Antes para transitar entre as duas estruturas, os motoristas precisavam entrar na Avenida Sete de Setembro, mas agora podem cruzar diretamente pela Brasil. Poucos perceberam isso ontem, e o resultado foram as retenções na Avenida Sete. Uma motorista disse que precisou de 25 minutos para vencer o trecho.

 

Escoamento

Em outras áreas, o trânsito da Avenida Brasil fluiu melhor do que era observado anteriormente. Esta constatação pode ser observada principalmente no segmento entre as pontes da Rua Benjamin Constant e do Ladeira, onde antes era mão dupla de direção. Em outros trechos, os motoristas creditaram os engarrafamentos às obras da Cesama. Devido a estas intervenções, há afunilamento da pista da margem direita, entre as pontes do Manoel Honório e Ladeira, e na margem esquerda, entre as pontes Nelson Silva e Antônio Carlos.

 

Adequações ao projeto não são descartadas

Em entrevista à Tribuna no fim da tarde de ontem, o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, falou do primeiro dia de funcionamento do binário. Segundo ele, as avaliações são positivas, mas não estão descartadas adequações ao projeto. Sobre os congestionamentos observados na Avenida Brasil, Tortoriello disse que são reflexos das obras realizadas pela Cesama, que afunila a via em alguns trechos. Na opinião do secretário, que conversou com a reportagem no cruzamento da Avenida Brasil com a Ponte Nelson Silva, esta região apresentou algumas retenções devido às intervenções, o que já era esperado. Já sobre as confusões na Avenida Sete de Setembro, ele avalia como uma questão de hábito, que poderá melhorar nos próximos dias. Entre as ruas Djalma de Carvalho e Carlos Otto, onde havia fluxo desnecessário de carros, o secretário informou que estas situações são naturais nos primeiros dias. "As pessoas vão tomar conhecimento da mudança, e também há nossos ajustes. Hoje (sexta-feira) as equipes estão nas ruas desde 5h acompanhando tudo, mas não adianta sair agora alterando tempos de semáforos. Precisamos avaliar cada caso", disse, acrescentando que haverá uma primeira reunião de avaliações na tarde de segunda-feira.

O secretário também falou dos engarrafamentos na região do Vitorino Braga, alvo de reclamações dos condutores. Ele explicou que a intenção é direcionar os carros no sentido ao Manoel Honório. "Vamos continuar avaliando nos próximos dias, e se tiver que fazer alguma mudança porque estimamos errado o comportamento do usuário, vamos alterar." No entanto, não deverá haver trocas radicais nos próximos dias, como alterar o fluxo da ponte do Ladeira para absorver esta demanda. "Estamos em um processo de adaptação, e a mudança é muito grande. A implantação deste binário foi esperada por quase 30 anos, e precisamos de um tempo de maturação."

 

Sexta-feira

Questionado sobre o início da operação do sistema em uma sexta-feira, Tortoriello disse que foi intencional. "É o dia que mais tem movimento. Além disso, temos o fim de semana para as pessoas conhecerem o caminho e entender as modificações." A escolha do dia também foi aprovada pelo mestre em engenharia de transportes José Luiz Britto Bastos, que também é especialista em mobilidade urbana. "É ótimo porque verificamos como o trânsito se comportará no pico. Na terça e na quarta-feira, o fluxo deverá ser menor." Ainda conforme Britto, só é possível avaliar as alterações daqui a cerca de dez dias. "No começo, as mudanças causam confusão grande na cabeça das pessoas. O próprio binário é algo muito novo. Precisamos de tempo para nos adaptar", afirmou, avaliando a medida como a maior alteração no trânsito da cidade desde a implantação do novo modelo operacional na Avenida Rio Branco, ainda na gestão do ex-prefeito Mello Reis (1977-1982).

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