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20 de Agosto de 2013 - 07:00

Por Tribuna

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Na Rua Agulhas Negras, que liga o Monte Castelo ao Caiçaras, há caixas de papelão e restos de móveis
Na Rua Agulhas Negras, que liga o Monte Castelo ao Caiçaras, há caixas de papelão e restos de móveis
Na altura do Granbery, na Conexão Sul, o acúmulo é de resíduos eletrônicos
Na altura do Granbery, na Conexão Sul, o acúmulo é de resíduos eletrônicos
Área virou depósito de lixo próximo ao Tupynambás, no Santa Tereza
Área virou depósito de lixo próximo ao Tupynambás, no Santa Tereza

Bota-foras clandestinos são encontrados em vários pontos de Juiz de Fora. Em apenas algumas horas, a reportagem identificou sete pontos irregulares de descartes nas regiões Sul, Sudeste, Leste e central. A situação provoca indignação na vizinhança e preocupação por conta do risco para a saúde pública. Um ponto crítico é a encosta na Rua Major Olímpio Duarte, no Cesário Alvim, Zona Sudeste. Em meio ao mato, encontram-se restos de tijolos, areia, pedaços de telhas, sacos plásticos, lâminas de madeira e uma estrutura parecida com uma caixa d'água. A balconista Janaína Aparecida Alves, vizinha desta área, afirma: "Vem gente de todas as ruas jogar lixo aqui." Do local, é possível observar ainda outras encostas na mesma situação.

Ainda na Zona Sudeste, mais lixo jogado em espaço inadequado foi constatado na Rua Antenor Celso Rizato, Bairro de Lourdes, e na Rua Coronel Delfino Nonato de Faria, no Santa Tereza. O descarte nesta última via já havia sido denunciado pela Tribuna em abril, e, desde então, o cenário quase não mudou. Segundo o mecânico Sandro Luiz Moreira, que trabalha nas proximidades, todo tipo de lixo é deixado no lugar, geralmente à noite, para que ninguém possa denunciar a ação. "O pessoal do Demlurb vem e limpa, mas o povo continua jogando sujeira aí."

Já na Zona Leste, chama a atenção os descartes irregulares na Rua Diva Garcia, no Linhares. A reportagem identificou três pontos de bota-fora na via. Próximo ao número 390, é onde há maior volume de entulho, inclusive com objetos que acumulam água em época de chuva e promovem a proliferação de Aedes aegypti. Na região central, no Granbery, parte de uma estrada transversal à Conexão Sul está tomada por resíduos eletrônicos, que possuem metais pesados e podem causar danos à saúde e ao ambiente. O descarte deve ser feito por empresas especializadas devido à presença de elementos altamente contaminantes, como chumbo, cobre e zinco.

Na Cidade Alta, no Bairro Aeroporto, a Rua Sete, entre as avenidas Prefeito Mello Reis e Eugênio do Nascimento, também continua sendo alvo do descarte irregular. A situação já havia sido denunciada pela reportagem em janeiro deste ano.

A Tribuna vem publicando constantemente denúncias de bota-foras irregulares espalhados em diferentes regiões da cidade. Só na semana entre 5 e 10 deste mês, por exemplo, a seção Vida Urbana apontou quatro locais diferentes onde lixo e entulho estão sendo depositados inadequadamente. A situação foi constatada nos bairros Bonfim (Praça Padre Léo), Zona Leste, e Retiro, Zona Sudeste, além da estrada que liga os bairros Nova Benfica e Santa Cruz, na Zona Norte e da Rua Agulhas Negras, via que liga o Monte Castelo, na Zona Norte, e ao Caiçaras, na Cidade Alta.

 

Conscientização

O professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFJF, José Homero Pinheiro Soares, considera que o problema é de saúde ambiental e pública. "O lixo espalhado pode trazer vetores de doença, poluir águas subterrâneas, superficiais e até contaminar solo." De acordo com o professor, o problema seria causado pela próprios cidadãos. "Conversamos muito, criticamos muito e reclamamos muito, mas pouquíssimas ações são efetivas. Com o lixo, é ainda pior, pois quem produz resíduos e os lança aos logradouros públicos sem quaisquer questionamentos são os cidadãos. Não estamos preocupados ou sequer conscientes sobre as quantidade que cada um produz de forma individual." José Homero acrescenta que a Prefeitura precisa realizar fiscalização mais eficiente e encontrar um local adequado para o descarte de material da construção civil.

O chefe de Operações do Demlurb, Paulo Antônio de Souza Delgado, afirma que o problema acontece em toda a cidade, e que, quando o bota-fora é descoberto, o departamento realiza a limpeza e o recolhimento dos materiais. Ele pede que as testemunhas denunciem a situação, para que os responsáveis possam ser notificados e recebam a multa devida.

Paulo admite que o município ainda não tem um local específico para o descarte de resíduos da construção civil, mas diz que já há projeto em andamento. Ele considera que a fiscalização existe, mas falta conscientização. O chefe de Operações orienta que as pessoas depositem entulhos nos aterros legais, com orientação do Demlurb. "Além disso, qualquer material produzido e não contaminante também pode ser levado para o Centro de Tratamento de Resíduos da Prefeitura, em Dias Tavares".

A assessoria de comunicação da Secretaria de Atividades Urbanas informou que os bota-foras não regulamentados resultam na infração mais grave do Código de Posturas do Município: "conspurcação de via pública", com multa de R$ 3.295,14. A assessoria disse ainda que os fiscais da pasta irão procurar os responsáveis pelo descarte irregular nos locais apontados para que sejam notificados.

 

 

 

 

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