Um oficial de Justiça, 68 anos, teve um revólver apontado contra a cabeça e um Golf prata roubado, na manhã desta segunda-feira (28), no Cascatinha, Zona Sul. O assalto, ocorrido às 7h30, na Rua Ministro Amarílio Lopes Salgado, a poucos metros da Avenida Doutor Paulo Japiassu Coelho, foi mais uma mostra da ousadia dos bandidos, que têm agido na região. Em um período de dez meses, esse já é o quinto roubo à mão armada de carro no bairro, sendo que três deles aconteceram entre dezembro e janeiro. Nesse mesmo intervalo de dois meses, outros cinco motoristas foram rendidos por assaltantes armados nas zonas Sul e Central. A incidência de crimes violentos no Cascatinha, onde, recentemente, um motoboy foi baleado em briga de trânsito e pedestres foram assaltados nas imediações de um shopping, levou a Associação de Moradores a solicitar à Polícia Militar reforço no policiamento.
Na ocorrência de segunda, o oficial de Justiça foi surpreendido pelo ladrão quando trabalhava, tentando fazer uma intimação. "Toquei o interfone algumas vezes e imaginei que a pessoa não estava em casa. Me preparei para dar a volta no carro e pegar o volante, quando um homem surgiu, não sei de onde, e pediu a chave do carro. Pensei que pudesse ser brincadeira e olhei. Ele perguntou se eu queria morrer, tirou a arma da cintura e colocou na minha cabeça. Entreguei a chave, e ele arrancou, cantando pneu", contou a vítima. Segundo a PM, o criminoso fugiu em direção à Japiassu Coelho, levando documentos de trabalho do oficial, e não foi localizado. O carro, ano 2010/11, também não foi encontrado. "Liguei do meu telefone para a polícia, que chegou rápido, mas não adiantou. Já tive um Gol furtado há dez anos no Cascatinha, mas nunca havia passado por nada parecido. Não vemos policiamento aqui, nem no posto policial", desabafou.
Na opinião do presidente da Associação dos Moradores dos bairros Cascatinha, Laranjeiras e Jardim Liú, Carlos Alberto de Paula, a série de ocorrências na área tem assustado. "Há duas semanas, conversamos com o capitão da 32ª Cia (Ricardo França) e solicitamos maior policiamento. Eles trouxeram a Base Comunitária Móvel e estão com mais policiais, inclusive com duplas a pé na região do comércio." Morador do Cascatinha há 28 anos, ele atribui o aumento da violência ao desenvolvimento urbano. "Infelizmente, o bairro cresceu assustadoramente, com vários equipamentos, como shopping e hospital, além da circulação de universitários. Junto com isso, vêm os oportunistas."
O policial da 32ª Companhia de PM, responsável pela ocorrência desta segunda-feira, sargento Paulo José da Silva, garantiu que o policiamento está intensificado na área. "Estamos atuando na prevenção e repressão para dar tranquilidade à sociedade. O bairro não é considerado violento, mas as pessoas precisam tomar mais precaução, principalmente observando quem está no entorno." Em relação ao posto policial na divisa do Cascatinha e Teixeiras, capitão França já havia informado em dezembro que o ponto funciona todos os dias, mas em horários alternados.
Vice-presidente do Conselho de Segurança Pública do São Mateus e presidente da Associação dos Moradores, José Luiz Britto Bastos, também disse estar preocupado, já que três roubos de carro aconteceram no bairro. "Estamos vivendo uma situação em Juiz de Fora extremamente grave. Alguma coisa está errada, porque a criminalidade disparou de uma hora para outra."
Para delegado, roubos são praticados por quadrilha
O roubo registrado na manhã de segunda (28), no Cascatinha, reascendeu a discussão relacionada aos assaltos de carros que vêm ocorrendo na região, sobretudo nos últimos dois meses. Para o titular da 1ª Delegacia de Polícia Civil, José Márcio Carneiro, que investiga os casos ocorridos também no São Mateus, a suspeita é de que os assaltantes façam parte de uma mesma quadrilha. No dia 8 de janeiro, dois jovens, de 19 e 25 anos, foram presos em flagrante pela PM depois de renderem um casal de estudantes e roubarem um Gol perto de uma lanchonete no São Mateus. Conforme a Polícia Civil, algumas vítimas compareceram à delegacia para fazerem o reconhecimento por meio de fotografias, mas nenhuma delas identificou a dupla. "Há cerca de dois meses, estamos com essas investigações em andamento. O Cascatinha deve ser escolhido pela facilidade de fuga, diante da proximidade com a BR-040", disse o delegado. Segundo ele, um inquérito foi instaurado para apurar o crime que vitimou o oficial de Justiça. "Já o chamei para que tente fazer o reconhecimento de algum suspeito dentro do nosso arquivo fotográfico."
Antes da onda recente de roubo de carros na região, dois casos já haviam chamado a atenção em 2012 no Cascatinha. Em março, um jovem modelo e a namorada tiveram um Gol roubado e foram abandonados próximo ao Mirante da BR-040. Já em outubro, um casal teve um Hyundai I30 levado por assaltante armado. A partir de dezembro, as ocorrências se tornaram mais frequentes, com início no dia 11, quando um bancário teve seu SpaceFox levado em assalto na Rua Francisco Vaz de Magalhães. No dia seguinte, um Gol foi roubado a uma pequena distância do local, perto de uma lanchonete na Rua Professor Freire, quase esquina com a Itamar Franco, no São Mateus. Três dias depois, um Corsa foi levado por uma ladrão armado com revólver perto da mesma lanchonete. A prisão em flagrante dos dois suspeitos este ano aconteceu após o terceiro roubo no local. Já no dia 27, um jovem foi baleado no rosto e pescoço ao arrancar com um Honda Fit em tentativa de assalto na Avenida Olegário Maciel, perto da Rua Padre Café, na divisa do Paineiras com o São Mateus.
Em janeiro, uma mulher teve uma arma apontada para a cabeça, no dia 15, e sua Toyota Hilux roubada também na Rua Francisco Vaz de Magalhães. Seis dias depois, um vendedor em um Corsa foi abordado por bandidos em moto no trânsito na Avenida Deusdedit Salgado, no Salvaterra, mas conseguiu escapar da ação criminosa. "São números atípicos de crimes semelhantes em uma mesma região e estamos dando toda atenção para identificar a quadrilha", garantiu o delegado.



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