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11 de Dezembro de 2013 - 22:05

Foram 115 ocorrências contabilizadas pela Defesa Civil entre 17h de terça-feira e 18h desta quarta

Por Eduardo Valente, Marcos Araújo e Renata Brum

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Rua Bady Geada, no Ipiranga, ficou tomada pela água barrenta
Rua Bady Geada, no Ipiranga, ficou tomada pela água barrenta
Força da chuva de terça arrancou o asfalto na Rua Barão de Santa Helena, no Granbery
Força da chuva de terça arrancou o asfalto na Rua Barão de Santa Helena, no Granbery
Árvore caiu sobre fiação na Rua José Lourenço, na Cidade Alta
Árvore caiu sobre fiação na Rua José Lourenço, na Cidade Alta
Após inundação de terça, funcionários de livraria no Santa Cruz Shopping levantaram mercadorias
Após inundação de terça, funcionários de livraria no Santa Cruz Shopping levantaram mercadorias

Esta quarta-feira (11) não foi apenas dia de contabilizar os prejuízos com o temporal da tarde de terça-feira. As chuvas que caíram pelo segundo dia seguido trouxeram ainda mais transtornos para moradores de toda a cidade, derrubaram árvores, causaram escorregamentos de encostas, alagamentos, danificaram asfalto de vias e deixaram desalojados. Apesar de a Defesa Civil ainda não ter divulgado os números, pelo menos duas famílias foram retiradas de suas casas. Forças-tarefas precisaram ser acionadas pela Prefeitura e pela Cemig para minimizar os efeitos do mau tempo. Somente o Demlurb recolheu 15 toneladas de barro, além de três toneladas de lixo espalhados pela cidade. Na terça-feira, pelo menos 48 mil unidades ficaram sem luz. Nesta quarta, voltou a faltar energia na área central e no Bairro Jardim Glória. No São Mateus, na via de mesmo nome e na Guaçui, os consumidores também ficaram no escuro por algumas horas. (Veja mais imagens desta quarta-feira)

No total, foram 115 ocorrências contabilizadas pela Defesa Civil entre 17h de terça-feira e 18h de quarta. A região Sudeste foi a mais afetada, com 29 casos. Em seguida aparece a Zona Sul (27), onde córregos transbordaram e alagaram vias importantes nos bairros Santa Efigênia e Santa Luzia. Já no Vale Verde, uma casa ameaça desabar após o deslizamento de um barranco e a queda de um muro. O Centro foi a terceira área mais atingida, com 18 registros, seguido pela Cidade Alta (16), Zona Leste (14), Norte (9) e Nordeste (2).

Conforme a Defesa Civil, 24 chamados foram motivados por escorregamento de talude e 13 por ameaça. Alagamentos totalizaram 20 ocorrências, e orientações técnicas, oito. De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura, entre outras causas mais comuns estão ameaças de queda de árvore e muro de divisa, trincas em lajes, infiltrações em piso e parede.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apenas em 24 horas, a partir do início da tempestade de terça-feira, o volume de chuvas registrado foi de 97,2 milímetros. Para esta quinta, a previsão é que novas pancadas possam ocorrer, mas em áreas isoladas. Ainda conforme o Inmet, somente entre o dia 1º de dezembro e nesta quarta choveu na cidade 225 milímetros, o que corresponde a 68% do esperado para todo o mês.

 

Estragos pela cidade

Entre terça-feira e quarta foram muitos os estragos. Na Rua Ernesto Evangelista, Bairro São Bernardo, Zona Sudeste, um imóvel precisou ser parcialmente interditado pela Defesa Civil depois que um pedaço de rocha atingiu a residência. Já nas ruas Santa Clara e São Geraldo, no Costa Carvalho, a rede de água rompeu, e a Cesama precisou fazer o reparo. Ainda no Costa Carvalho, um barranco deslizou na área de um estacionamento privado, na Avenida Sete de Setembro, danificando dois veículos. Os proprietários receberam orientações da Defesa Civil, que indicou a colocação de uma lona para estabilizar o talude.

No Santo Antônio, uma escola foi inundada, e na União e Indústria houve deslizamentos de taludes. Na Rua Barão de Santa Helena, no Granbery, entre as ruas Ambrósio Braga e Sampaio, boa parte do asfalto foi levado pela enxurrada após o temporal de terça-feira. A lama tomou conta da ruas Santos Dumont e Ambrósio Braga, vinda, sobretudo, da parte alta do bairro. Erosões também foram ocasionadas na Rua Américo Luz, no Bairu, e outra na Rua Antônio Rufino, no São Pedro. Nesta quarta-feira, equipes da Secretaria de Obras realizavam obras.

Transtornos também para aqueles que seguiam em direção à Cidade Alta, onde uma árvore e um poste caíram e atingiram um ônibus que passava na Estrada Engenheiro Gentil Forn, próximo ao trevo do Jardim Casablanca. Ninguém se feriu.

 

 

Corte de energia atinge 48 mil

A falta de energia também foi um dos principais problemas registrados por conta das chuvas. A Cemig informou que 48 mil clientes nas cidades de Juiz de Fora, Bicas, Chácara, Pequeri, Guarará, Maripá de Minas e Senador Cortes foram afetados após a chuva de terça-feira. Pelo menos 28 cabos de energia foram rompidos. O restabelecimento da energia seria realizado de forma gradativa. Segundo a companhia, cerca de cem homens trabalharam para contornar os transtornos.

Durante a manhã desta quarta, vários pontos ainda estavam sem energia. No Bairro São Mateus, Zona Sul, moradores reclamaram que ficaram das 17h de terça-feira até o fim da manhã desta quarta sem luz. O transtorno se repetiu nos bairros Vila Ozanan e Furtado de Menezes, ambos na região Sudeste, onde a energia foi retomada somente por volta das 13h45 de quarta. "Todos os moradores estão indignados. É inadmissível uma coisa dessas. As coisas na geladeira já estão estragando. Os postes estão apagados, e há risco de assaltos", contou a jornalista Denise Cardoso, residente na Rua Guaçuí. Outra moradora, Vera Silva, que faz bolos para vender, afirmou que a produção foi prejudicada devido à situação.

Na tarde desta quarta, a energia voltou a falhar no São Mateus e no Centro. No Braz Shopping faltou luz por cerca de meia hora. "Ficamos parados", contou o cabeleireiro Marcio Minas. A vendedora Katiele de Sá disse que a sorte foi contar com o sistema de máquina de cartão de crédito que funciona sem energia.

A Cemig não informou o que houve durante a tarde desta quarta e quantos usuários ficaram sem energia, já que o balanço só será divulgado nesta quinta pelo Centro de Operações, que funciona em Belo Horizonte. A companhia disse, entretanto, que para realizar os serviços de regularização foi preciso interromper energia para cerca de dois mil consumidores.

A assessoria de comunicação da concessionária afirmou ainda que o caos no trânsito em função das chuvas trouxe dificuldades de locomoção para as equipes, atrasando o trabalho de vistoria do sistema e, consequentemente, o de restabelecimento de energia. A Cemig solicitou paciência aos usuários, pois o dia foi considerado atípico, com muitos objetos lançados na rede, cabos partidos e raios.

 

Problema no abastecimento

Além da falta de energia, em alguns pontos da cidade também houve comprometimento no abastecimento de água. A Cesama informou que no Bairro Vila Ideal caminhões pipa precisaram fazer o abastecimento para a creche e para o hospital Casa Esperança. Segundo a assessoria de comunicação, o órgão realiza a implantação de uma nova rede de água para reforçar o abastecimento do bairro, cujo sistema encontrava-se insuficiente, porém, com as chuvas foi necessário interromper o fornecimento de água do local para fazer a interligação desta nova rede ao sistema.

 

 

 

Dia de contabilizar perdas

Nas ruas, sobretudo na região central, esta quarta-feira foi para contabilizar prejuízos, fazer limpezas e se preparar para enfrentar novas chuvas. Lojistas e ambulantes da Avenida dos Andradas, que foi alagada na altura do Largo do Riachuelo, faziam os cálculos. O comerciante Marco Aurélio Silva Júnior, 24, por pouco não teve a barraca levada pela enxurrada na terça-feira, mas frutas e caixotes foram perdidos. "Prejuízo foi de R$ 1 mil. Foi instantâneo. Só não foi a barraca pois seguramos."

O jornaleiro Yago Gabriel Assunção conseguiu subir com as revistas antes de serem atingidas. "A sorte é que eu estava aqui, com a banca aberta, senão teríamos perdido muita coisa. A livraria que ficava aqui em frente não aguentou os prejuízos e fechou as portas, vendeu o ponto." Vizinha, a proprietária de uma casa de frangos, Adriene Silveira, teve que montar uma barricada, mesmo assim ainda sofre com as perdas. "Todo mundo aqui teve que fechar as portas mais cedo, ficamos sem luz, a venda parou. Sorte que consegui deixar as coisas no freezer, mas podia ter perdido muita coisa."

No Shopping Santa Cruz, lojistas também reclamaram dos danos. "Foi terrível porque a água vinha da rua, como uma onda, ainda mais quando passava ônibus. Perdemos muitas bíblias, mais de R$ 500 em mercadorias. O pior é que veio lixo, passarinho morto, rato, barata. Hoje (quarta) tivemos que subir as mercadorias e desinfetar a loja toda", contou a gerente da livraria Nova Sião, Rachel Carolina Oliveira.

As dificuldades também foram vividas por quem estava no trânsito, seja de carro ou no transporte coletivo. Em razão do caos nas vias, alguns usuários permaneceram mais de três horas dentro do coletivo. "Geralmente gasto 45 minutos no trajeto do Centro até em casa, na Cidade Nova (Zona Sul). Mas embarquei às 18h30 e desci às 22h30. O ônibus ficou parado na Avenida Rio Branco por quase duas horas. Como passavam poucos ônibus, muita gente pegou esta linha, que ficou lotada. Havia crianças e idosos de pé, foi horrível", desabafou a recepcionista Lilian Lemos.

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