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07 de Agosto de 2011 - 07:00

Aumento populacional foi de 32% em uma década; já Benfica, na Zona Norte, ultrapassou o Centro e é o mais populoso

Por FERNANDA SANGLARD

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Nos últimos dez anos, a Cidade Alta foi a região do município que mais cresceu. Com 29.313 moradores em 2000, no ano passado, a área já somava 38.711, representando crescimento populacional de 32%, o dobro do registrado na Zona Norte, a segunda área que mais ampliou (e onde a população cresceu 15%). Nesse mesmo período, Juiz de Fora teve incremento de 13% no número de habitantes. Os dados foram extraídos dos Censos de 2000 e 2010 realizados pelo IBGE e revelam outras características do desenvolvimento da cidade.

A dilatação na Cidade Alta deve-se à quantidade de novos loteamentos e condomínios e também à construção de prédios na região, além do perfil residencial. Se há alguns anos a verticalização era quase inexistente em bairros como o São Pedro, por exemplo, hoje a proliferação de edifícios já pode ser vista. Isso é o que atesta o coordenador do Laboratório de Demografia e Estudos Populacionais da UFJF, Luiz Fernando Soares de Castro. "Sem dúvida, o desenvolvimento da UFJF também colabora com esse fator. Basta ver o número de alunos que moram em suas proximidades. Mas a Cidade Alta ainda caracteriza-se pelo predomínio de moradias baixas, como casas", o que indica que ainda pode crescer mais, mesmo que não seja o ideal.

"As melhorias de acesso, disponibilidade de área e desenvolvimento industrial recente também favoreceram o crescimento", explica a subsecretária de Planejamento do Território da Prefeitura, Cecília Rabelo.

Populosos

Dos 81 bairros juiz-foranos que integram os levantamentos, três se destacam. Benfica, na Zona Norte, São Mateus, na região Sul, e o Centro ainda são os mais populosos. No entanto, as posições se inverteram na última década. Enquanto em 2000 o Centro era a área mais habitada e São Mateus a segunda no ranking, hoje Benfica ocupa a primeira colocação, com mais de 23 mil pessoas, seguido de Centro e São Mateus, respectivamente (ver quadro).

Habitantes de Benfica não se surpreendem com a informação. Moradora da região desde que nasceu, a cozinheira Raquel de Souza, 29 anos, acompanhou a expansão do bairro. "A população aumentou muito. Hoje temos um centro comercial movimentado, bastante linhas de ônibus, e o bairro atrai gente que mora em outros locais da Zona Norte, que preferem vir aqui do que ir ao Centro."

A mesma percepção tem o recepcionista de um hotel do bairro, Itarumã Reis Abreu. Segundo ele, os hotéis estão sempre cheios, e muitos trabalhadores das empresas instaladas na região passaram a viver no bairro. A impressão do recepcionista faz sentido, de acordo com o coordenador do Laboratório de Demografia da UFJF. "Benfica tem sofrido processo de expansão intenso nos últimos anos, tanto do ponto de vista populacional quanto industrial. A implantação dos Distritos Industriais I e II a partir da década de 1970, consolidou sua vocação. Embora com predomínio residencial e comercial, é nítida a presença de indústrias e de habitações populares, atraindo mão-de-obra", ressalta Castro.

Em relação ao Centro, o coordenador do laboratório de demografia analisa que a área tem perdido a importância residencial, que determina o princípio da redução demográfica. Já São Mateus, que apresenta "forte verticalização e, portanto, forte adensamento demográfico, tem limitações de expansão e especulação imobiliária", o que poderia impedir mais crescimento.

 

Interferência do mercado imobiliário

Para o pesquisador de habitação de interesse popular da UFJF Mário Márcio Queiroz, o Poder Público contribui com a determinação do desenvolvimento dos espaços urbanos, ao executar as ações do Plano Municipal de Habitação e ao lançar áreas de loteamentos inseridas em projetos sociais, por exemplo. No entanto, ele explica que há outros fatores envolvidos no incremento e retração populacional. O mercado imobiliário é considerado, por ele, o mais forte, interferindo diretamente no crescimento de alguns locais.

Segundo a subsecretária de planejamento do Território, Cecília Rabelo, a Prefeitura faz uso das informações censitárias para apontar ou confirmar tendências de modificações populacionais. "Cruzamos dados populacionais com outros indicadores, para verificar onde deve haver intervenção. Para inibir o crescimento de áreas densamente ocupadas, o instrumento básico é legislação urbanística e limitar o potencial de construção. Para incentivar outras, é possível investir em estrutura e equipamentos públicos, para atrair as pessoas."

O coordenador do Laboratório de Demografia da UFJF, Luiz Fernando Soares de Castro, explica que essa alternância entre os locais mais populosos são naturais, assim como a tendência de alguns bairros ou regiões urbanas crescerem mais ou menos demograficamente. Segundo ele, isso realmente é resultado de "iniciativas públicas, privadas ou individuais relacionadas com a demanda e oferta de unidades habitacionais e dinâmica econômica", e também sofre interferências de características sociais.

Queiroz ainda ressalta a importância das informações extraídas do Censo e da comparação proposta, por refletirem como ocorre a migração e mobilidade da população urbana. "Esses dados devem subsidiar o Executivo para atender novas demandas da população e planejar políticas públicas, ao determinar onde serão instalados novos equipamentos públicos de saúde, lazer e transporte, por exemplo."

 

Homens só são maioria em 8 bairros

Não é novidade que há mais mulheres do que homens na cidade, como confirmam os dados dos Censos de 2000 e do ano passado. No entanto, a estratificação das informações por regiões revela que, dos 81 bairros que integraram a pesquisa em 2010, elas são maioria em quase todos. No total, Juiz de Fora tem população feminina 11,5% maior que a masculina (ver quadro), e apenas em oito bairros há mais homens que mulheres, mas a diferença não ultrapassa 27 pessoas, como é o caso da Barreira do Triunfo, na Zona Norte, que tem 1.355 mulheres e 1.382 homens.

O Centro tem 3.798 residentes do sexo feminino a mais do que do masculino, representando que a população de moradoras é 44,8% maior. Segundo os dados do IBGE, isso significa que, para cada cem mulheres, há 69 homens morando na região. No São Mateus, Zona Sul, onde elas também são maioria expressiva, representam população 29,2% maior. Ou seja, para cada cem mulheres há 77 homens, assim como ocorre no Alto dos Passos, também na Zona Sul.

Conforme o coordenador do Laboratório de Demografia da UFJF, Luiz Fernando Soares de Castro, a característica local segue a tendência do país. "Um aspecto que os censos registram é a predominância de mulheres, já que sua expectativa de vida é superior à dos homens." Quanto aos bairros cuja população feminina mais se destaca (ver quadro), o pesquisador sugere que pode haver relação com o predomínio de população idosa, já que o número de mulheres idosas é superior ao de homens.

População idosa

Os bairros que concentram a maior proporção de população idosa são o Centro e o Santa Helena, na região Central. Enquanto 20% dos moradores do Centro têm 65 anos ou mais, no Santa Helena, 16,8% dos seis mil habitantes são dessa faixa etária. A razão, segundo especialistas, é, principalmente, a facilidade de mobilidade proporcionada pela região.

"O acesso a serviço de saúde sem necessidade de grandes deslocamentos pode ser uma explicação", argumenta Castro. Entretanto, ele pondera ser preciso levar em conta o fato de muitas pessoas que nasceram na região terem optado por permanecer vivendo no local.

 

Infraestrutura aquém do crescimento

O bairro que mais cresceu em termos demográficos nos últimos dez anos foi o São Geraldo, na Zona Sul. Nesse período, a população do local mais que dobrou, saltando de 2.087 em 2000 para 4.227 no ano passado. O incremento é sentido tanto por quem vive há pouco tempo no bairro quanto pelos moradores mais antigos. E o número de residentes deve ampliar mais, já que, no último dia 30, a Prefeitura fez a entrega de 128 apartamentos populares na área.

A reclamação, no entanto, é que a infraestrutura não acompanhou o crescimento. O aposentado Carlos Roberto Menzonato, 50, diz que a saturação tem sido responsável por problemas com transporte público. "Ninguém mais consegue pegar ônibus, porque estão sempre lotados." Ele também reclama da falta de escolas e posto de saúde. "A escola só atende as crianças, e os adolescentes precisam estudar em outros bairros."

Moradora do bairro há 40 anos, Rizza Ferreira, 46, reforça que o local onde deveria funcionar a unidade de saúde abriga a Sociedade Pró-Melhoramentos. "Seria preciso mais urbanização. A rede de esgoto foi feita na época por mutirão da própria população, quem precisa de médico tem que ir ao Santa Luzia ou ao Ipiranga, e o comércio praticamente não existe."

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