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11 de Dezembro de 2013 - 17:31

Quatro estrangeiros foram detidos em operação conjunta das polícias Militar e Federal; dois deles serão deportados nesta quinta

Por Michele Meireles

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Blocos de anotações, dinheiro e uma nota falsa foram apreendidos
Blocos de anotações, dinheiro e uma nota falsa foram apreendidos

Atualizada às 20h44

Quatro colombianos foram detidos pela prática de agiotagem em uma operação conjunta entre as polícias Militar e Federal. O grupo, que estava no Brasil de forma ilegal, é suspeito de coordenar um esquema de empréstimo de dinheiro a juros altos para camelôs e pequenos comerciantes da cidade. De acordo com a PF, as pessoas que faziam o empréstimo tinham 20 dias para pagar o valor. "Todos os dias eles pagavam uma parcela. Integrantes do grupo iam pessoalmente receber. O que vamos investigar agora é como esta cobrança era realizada", explicou o delegado chefe da Polícia Federal, Cláudio Dornelas. Ele afirmou que nesta quinta agentes federais irão percorrer a cidade para identificar outras situações de atividades criminosas envolvendo estrangeiros. 

A ação começou na tarde de terça-feira, em Benfica, região Norte, quando dois colombianos, que não tiveram as idades divulgadas, foram flagrados pela PM conduzindo uma motocicleta, emplacada no Rio de Janeiro. Possivelmente eles estavam indo fazer a cobrança de comerciantes do bairro. "Eles estavam em atitude suspeita, fizemos a abordagem, e as informações passadas por eles eram confusas. Então, conduzimos a dupla para a sede da Polícia Federal", disse o tenente da Rotam da 4ª Companhia de Missões Especiais (4ª CME), Robson Pagy. Na PF, foi constatado que eles estavam com documentação irregular, e uma operação para desvendar o que faziam na cidade foi iniciada. 

Policiais federais e militares se deslocaram até um apartamento no Bairro São Mateus, Zona Sul, onde encontraram mais dois colombianos. Segundo a PM, eles usavam o imóvel como base da organização. Eles teriam montado uma empresa de fachada, a Soluções imediatas, que fazia empréstimos financeiros e atuava na cidade há pelo menos oito meses. No local foram apreendidos blocos de anotações que apontam que milhares de pessoas fizeram empréstimo com o grupo. "Um cartão usado por eles explica o esquema: para um empréstimo de R$ 100, a pessoa pagava 20 parcelas de R$ 6. Se fosse R$ 1mil, as parcelas diárias subiam para R$ 60", afirmou Dornelas. Ele destacou que a suspeita é de que haja um financiador para o grupo. 

O mesmo cartão indicava que o empréstimo era feito apenas para donos de lojas, sem comprovação de renda e fiador. Bastava o interessado enviar o SMS ou ligar para um dos telefones dos estrangeiros e combinar o negócio. "O prazo para o pagamento e a forma como ele era recebido, sem dúvidas, demonstram que eles sabiam que poderiam ser descobertos." A PF também encontrou um cartão de controle de pagamento, onde consta a data do empréstimo e uma planilha para controle do pagamento. Com os homens, foram apreendidos R$ 5 mil e uma nota falsa de R$ 100. 

Segundo Dornelas, a preocupação é que outros estrangeiros estejam vindo para a cidade para a prática de atividades criminosas. "Já fizemos contato com a Interpol para saber quem eram estes homens, se tinham ligações com grupos criminosos da Colômbia." Todos prestaram depoimento, assinaram termo circunstanciado de ocorrência (TCO) e foram liberados. Eles vão responder por usura, cuja pena varia de seis meses a dois anos. Dois deles serão deportados nesta quinta. 

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