Um corte de fornecimento de energia, programado pela Cemig há mais de 15 dias, causou transtornos a moradores e comerciantes do Bairro São Mateus, Zona Sul, nesta quarta-feira (9). Muitos trabalhadores foram dispensados, bares e restaurantes não funcionaram e edifícios residenciais ficaram sem elevadores, o que dificultou a entrada e saída dos moradores, sobretudo os que moram nos andares mais altos. Os comerciantes que não alteraram seu horário de funcionamento tiveram de trabalhar sem emitir nota fiscal ou usar máquinas de cartões de crédito. Em alguns estabelecimentos, foi usada vela para facilitar o serviço. A principal reivindicação dos usuários é a de que este tipo de intervenção seja feita fora do horário comercial, ou nos finais de semana. Por volta das 14h30, uma hora antes do prazo previsto, parte do fornecimento foi restabelecido. O restante está marcado para ser religado às 15h30.
A interrupção no fornecimento teve início às 9h30, quando profissionais do órgão começaram os trabalhos de melhoramento e aumento da capacidade de transmissão. A intervenção aconteceu na Rua São Mateus, entre as ruas Doutor Romualdo e Monsenhor Gustavo Freire, conforme a assessoria de imprensa da Cemig, atendendo a uma reivindicação antiga dos próprios moradores da região. Foram 760 clientes atingidos, sendo 133 estabelecimentos cadastrados como comerciais ou industriais.
Ainda de acordo com a assessoria da empresa, todos os usuários foram notificados sobre o corte com pelo menos 15 dias de antecedência. Os estabelecimentos comerciais, por exemplo, foram notificados através de carta. Os documentos podiam ser vistos colados em diversas fachadas de estabelecimentos fechados e, até mesmo, em locais que não interromperam o funcionamento. Os demais usuários foram avisados por meio de email ou através de duas emissoras de rádio.

Jeitinho
Quem abriu as portas teve de administrar alguns empecilhos. Proprietário de uma padaria, João Luiz Cotta teve de dispensar os funcionários que trabalham na produção. "Além da perda produtiva, eu já estou esperando uma queda de pelo menos 30% no meu faturamento do dia. A queda vai acontecer em virtude da falta de produtos e também pela falta de clientes, na sua maioria impedidos de deixarem suas casa", lamenta. Dificuldade enfrentada pelos moradores de um edifício de 14 andares, situado no número 207, da Rua São Mateus. Segundo o síndico, Hélio Couto, alguns moradores preferiram não sair de casa. "Também tivemos uma cadeirante deficiente física, que ficou impedida de deixar o seu apartamento."
Alguns estabelecimentos comerciais, como uma loja especializada em venda de tintas, não puderam emitir notas fiscais ou realizar vendas com cartões de crédito e débito. Outros funcionaram a luz de velas, como um mercado especializado em hortifrutigranjeiros. Uma agência bancária ficou com o seu atendimento interrompido até por volta de meio-dia, quando um gerador foi ligado. O mesmo recurso foi utilizado pela Settra para garantir o funcionamento de um dos semáforos da via.
Sem prejuízo
Quem se programou teve pouco ou nenhum prejuízo. Foi o caso da empresária Lúcia de Oliveira, proprietária de um mini-mercado. "Assim que ficamos sabendo que o corte ocorreria, começamos a nos preparar. Todos os nosso artigos que precisavam ficar resfriados ou congelados foram removidos para outros freezers. A nossa venda vai cair, sem dúvidas, mas pelo menos não corremos o risco de também perder mercadorias."
A Cemig informou que realmente recebeu alguns pedidos de moradores e comerciantes da região para que a intervenção fosse realizada fora do horário comercial ou no final de semana. Entretanto, argumentaram que, nesta época do ano, as equipes de plantão, que atendem neste horário, estão responsáveis pelas ocorrências em virtude das chuvas em mais de 29 municípios. Ainda conforme o órgão, esse tipo de procedimento faz parte de uma estratégia da própria empresa para o período chuvoso.



$msg
Mais comentários