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22 de Março de 2014 - 18:00

Manifestações foram realizadas nas zonas Norte e Leste, que sofreram com ondas de violência

Por Kathlenn Batista

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Com bolas brancas, manifestantes tomaram ruas do São Benedito
Com bolas brancas, manifestantes tomaram ruas do São Benedito

Sábado (22) foi marcado por atos públicos contra a violência em diferentes bairros da cidade. Moradores das regiões Norte e Leste foram às ruas para pedir paz. No São Benedito, nem a chuva atrapalhou a manifestação que contou até com um trio elétrico. A caminhada, batizada de "Sou filho da paz", atraiu dezenas de pessoas. Todas seguiram até a praça do Bairro Santa Cândida, também na Zona Leste, onde um palco foi montado para apresentações de música gospel. Já no Bairro São Judas Tadeu, o movimento "Basta de violência: a Zona Norte pede paz" realizou mais uma coleta de assinaturas. Eles reivindicam a instalação de um posto da Polícia Militar na comunidade. Mais de 600 moradores já assinaram o documento - a intenção é chegar a três mil. "O nosso principal objetivo é a unidade policial, mas também reivindicamos outras melhorias para a Zona Norte, como saúde e educação", salientou um dos integrantes do movimento, Jorge Henrique Giacomini. No próximo sábado, dia 29, está programada outra mobilização a ser realizada na praça do São Judas. Desta vez, atividades de lazer deverão atrair crianças e adultos. "A ideia é fazer com que os pais tragam seus filhos e possam assinar o documento que será entregue ao comando da PM e à Prefeitura."

 

Passeata com escolta

No São Benedito, mesmo quem não participou da caminhada, acompanhou de longe e aprovou a iniciativa. "A falta de segurança é o meu maior medo", disse a doméstica Deise Carreiro, 48 anos. No ponto de ônibus, ela assistia a toda a movimentação. "É preciso montar uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no centro do bairro. Nos fins de semana, isso aqui vira uma perdição, com droga por todo lado", observou. Para o pastor Reginaldo Faria da Costa, um dos organizadores da marcha, outras passeatas deverão ser realizadas. "A nossa esperança é que isso ocorra com frequência, porque o tráfico está dominando o local, e esses atos públicos podem enfraquecê-lo", avaliou.

Durante todo o percurso, uma viatura da 70ª Cia da PM esteve à frente dos manifestantes para garantir a segurança da caminhada. Há menos de dez dias, a região foi cenário de um triplo homicídio que chocou os moradores. O assassinato dos jovens de 18 anos, 19 anos e 20 anos desencadeou, na última terça-feira, uma megaoperação, com cerca de 140 policiais civis e militares ocupando as ruas dos bairros São Benedito, São Sebastião, Vila Alpina e Santa Cândida. Aos 17 anos e morando há apenas seis meses no São Benedito, Antoniel Sinfronio já sabe bem o que é conviver com a violência. "Não dá para sair de casa", resumiu. Questionado se ele tinha medo, o rapaz foi taxativo. "Eu não tenho medo por mim. O meu medo é ver esses meninos crescendo, vendo essas paradas e querendo fazer a mesma coisa."

 

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