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17 de Abril de 2014 - 07:00

No segmento de Minas, um dos trechos priorizados para obras de recuperação fica entre Ouro Preto e Lafaiete

Por Nathália Carvalho

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Um dos trechos mais perigosos é o de Santos Dumont, onde há pontes e viadutos em curvas e estreitos
Um dos trechos mais perigosos é o de Santos Dumont, onde há pontes e viadutos em curvas e estreitos

Motoristas que pretendem seguir pela BR-040 para a região de Belo Horizonte neste feriado ainda encontrarão a estrutura viária arcaica, com pistas simples, curvas inadequadas e falhas na sinalização. Contudo, a expectativa é de mudança neste cenário, palco de acidentes diários. A partir da próxima terça-feira (22), o trecho da rodovia, entre Juiz de Fora e Brasília, passará a ser administrado pela Concessionária BR-040 S.A., nome provisório da empresa que integra o grupo Invepar, vencedora da licitação no ano passado. Segundo a assessoria da organização, na área mineira, serão iniciadas, ainda neste ano, obras de recuperação de um dos pontos mais críticos, entre Ouro Preto e Conselheiro Lafaiete, considerado prioritário pela empresa. Em um primeiro momento, serão feitas intervenções de melhoria na segurança de trafegabilidade, entre elas reparos emergenciais e profundos do pavimento, recuperação da sinalização e da drenagem e limpeza e conservação da faixa de domínio de áreas verdes.

Com a publicação do documento no Diário Oficial e assinatura do termo de arrolamento de bens, que ocorrerá no dia 22, a empresa pretende fornecer outros detalhes sobre quais serão os primeiros passos e os pontos prioritários a serem melhorados. Paralelamente às intervenções iniciais, começarão as obras de duplicação e adequação de 702 quilômetros, executadas ao longo de cinco anos. Dentre os trechos que serão duplicados estão o de Luiziânia (GO) até Paraopeba (MG), do entroncamento com a BR-365 (trevo Ouro Preto) até Barbacena e de Oliveira Fortes (MG) até Juiz de Fora. Segundo a assessoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), toda a responsabilidade do órgão com a rodovia será interrompida na data de assinatura do contrato de concessão. Operação da via, manutenção e melhorias passam para as mãos da concessionária, sob fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A necessidade das obras é grande. No trecho de Minas, são, em média, sete acidentes por dia, e aproximadamente seis mortos por mês. Em setembro do ano passado, na série "Estrada do medo", a Tribuna percorreu o trecho até Belo Horizonte e mostrou detalhes da precariedade de pontos da via, além de histórias de vítimas de acidentes trágicos. Chefe da seção Juiz de Fora da Polícia Rodoviária Federal (PRF), inspetor Armstrong Carvalho, vê com bons olhos o início da privatização. "Com certeza, teremos uma melhoria considerável, principalmente no apoio dado à corporação no atendimento aos acidentes. O traçado deverá ser alterado, e imaginamos que isso impacte diretamente na diminuição das ocorrências." Para ele, os dois maiores problemas do trecho hoje são o ponto entre Ewbank e Santos Dumont e o de Lafaiete a Congonhas. "Em Santos Dumont, temos um trecho complicado, com pontes e viadutos em curva e estreitos. O ponto de Lafaiete é crítico, com uma pista deteriorada que merece atenção."

O motorista de van Rogério Ferreira, que trafega com grande frequência no trecho, diz ter presenciado um acidente na última sexta-feira. "Um caminhão bateu de frente com um carro em Cristiano Otoni, e um dos motoristas ficou preso às ferragens. Toda vez que passo por essa estrada, presencio acidente." Contudo, ele critica a concessão. "Temos o lado positivo da recuperação da via, mas é um absurdo termos que pagar por isso." Morador de BH e com familiares em Juiz de Fora, o engenheiro Murilo Campos diz que está evitando vir de carro à cidade. "Tenho feito a viagem de avião porque está muito perigoso. As condições da estrada não acompanharam o aumento no movimento de carros. Sem contar os caminhões de minério que quebram o para-brisa da gente. Minha esperança é que, com essa concessão, haja uma boa melhora na pista."

 

Outras intervenções

Além das duplicações, a concessionária irá investir, durante 30 anos, na implantação de vias marginais, terceiras faixas, dispositivos de entroncamento em desnível, passarelas, correções de traçado e melhorias em acessos. A empresa informou, também, que obras específicas nos entorno das cidades de Lafaiete e Santos Dumont serão apresentadas conforme etapas previstas no contrato de concessão. O valor da tarifa básica de pedágio será de R$ 3,22, em 11 praças de pedágio. Serão instaladas mil câmeras de monitoramento, 21 unidades de resgate e oito UTIs móveis. O investimento total é de R$ 7,92 bilhões.

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