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04 de Janeiro de 2014 - 07:00

16 pessoas morreram atingidas por veículos nas ruas de JF no ano passado. A maioria dos casos se deu na Avenida Rio Branco seguida da JK

Por Nathália Carvalho

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O número de pessoas que perdeu a vida em atropelamentos no trânsito de Juiz de Fora triplicou no ano de 2013, quando comparado com todo o ano anterior. Até novembro, o setor de estatística do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar havia registrado 16 mortes, enquanto, ao longo de todo o ano de 2012, foram cinco ocorrências fatais. O quadro é ainda mais alarmante em levantamento realizado pela Tribuna, que leva em consideração o óbito após o registro policial. De janeiro a dezembro, foram contabilizadas 21 mortes, sendo nove delas na Região Central e cinco na Zona Norte da cidade (ver quadro). Entre elas, está a última vítima, Geraldo dos Santos, 86 anos, que morreu no último dia 16 na Avenida JK, altura do Bairro Nova Era. Ele foi atingido por um Monza e encaminhado ao HPS, mas não resistiu aos ferimentos.

Ainda segundo dados da PM, entre janeiro e novembro de 2013, foram 506 casos de atropelamentos na cidade. Contudo, diferente da contagem de mortes, o número de acidentes desta natureza diminuiu em 11% no comparativo com 2012. Até novembro, foram registrados 6.782 acidentes, o número que representa uma ocorrência a cada uma hora e meia no trânsito de Juiz de Fora.

 

Rio Branco lidera

Do total de atropelamentos fatais levantados pela Tribuna, cerca de 25%, o que corresponde a cinco mortes, foram na Avenida Rio Branco em 2013. Com 542 ocorrências, a mais importante via da cidade concentra ainda o maior número de acidentes no levantamento da PM. Na sequência, estão as avenidas Brasil (492), Juscelino Kubitschek (473) e Itamar Franco (402). Conforme última contagem volumétrica realizada pela Settra, em 2011, cerca de 40 mil veículos circulam diariamente na Rio Branco, 35 mil na Itamar Franco e 23 mil na Getúlio Vargas. Para o engenheiro e professor do Departamento de Transportes e Geotecnia da UFJF, Cézar Henrique Barra, a situação atípica das faixas de ônibus no centro da Rio Branco pode influenciar na estatística de acidentes no local. "O pedestre fica confuso porque, ao iniciar a travessia, os carros vêm de um lado, depois é mão dupla, e, por fim, nova faixa de carros de outro lado. Fica complicado, principalmente para quem é de fora, já que as pessoas acham que é necessário olhar apenas para um rumo", explica Cézar.

O titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, pede que pedestres e motoristas tenham mais respeito com relação às regras de trânsito e explica que a pasta mantém os trabalhos de revitalização de sinalizações verticais e horizontais pela cidade, além dos constantes investimentos em educação no trânsito. "Em 2014, vamos manter o acompanhamento em locais com maior número de ocorrências, como é o caso da Avenida Rio Branco, que tratamos com uma atenção especial."

Segundo Tortoriello, a Settra está trabalhando na colocação de placas de indicação para o corredor de ônibus na Rio Branco destinada a pedestres, sinalização que já existe para carros. "Percebemos que algumas pessoas atropeladas na Rio Branco não são de Juiz de Fora e podem estar desacostumadas com a faixa exclusiva. Mas, de uma forma geral, a sinalização nesta via está em perfeito estado."

 

Transporte individual

Para o especialista Cézar Barra, o alto número de ocorrências no trânsito é esperado dentro do contexto de prioridade no investimento em transporte individual na cidade ao longo dos últimos anos. "A falta de um plano diretor e de licitações para o transporte coletivo urbano nos deixou com, pelo menos, dez anos de defasagem." O especialista critica a frota de 216 mil automóveis de Juiz de Fora para um total de 516 mil habitantes. "Temos uma média de três usuários por veículo, e caminhamos para dois. Aliando isso ao fato de termos vias de 30 anos atrás, inviabiliza-se qualquer ação a favor dos usuários de ônibus. A situação de atropelamentos e acidentes, além da poluição sonora e visual, tende a piorar."

O comandante do Pelotão de Policiamento de Trânsito (PPTran), tenente José Lourenço Pereira Júnior, explica que é fundamental a atenção de pedestres em travessias de locais não sinalizados. "Pedimos para que as pessoas não utilizem celulares e fones de ouvido ao atravessar também na área de ferrovia", acrescenta.

 

 

Desrespeito flagrante na área central

A Tribuna circulou por vias da cidade, como as avenidas Rio Branco e Getúlio Vargas, onde flagrou situações de desrespeito às leis de trânsito. Somente em dezembro, foram três casos de atropelamentos fatais, sendo dois deles na Região Central e outro na Zona Norte.

Durante o mês passado, a Settra disponibilizou mais de 30 linhas de ônibus com horários extras e interditou vagas de estacionamentos rotativos na região central. A ideia era priorizar o pedestre e evitar o trânsito de veículos. "Vejo que motoristas que não têm educação e pedestres que não prestam atenção são igualmente culpados pelos acidentes", comenta o autônomo Diogo Bastos, 29. Para o garçom Ricardo Cid, 49, o grande problema do trânsito são os motoristas. "Mesmo andando pela faixa de pedestres, eles quase passam por cima da gente." Já o taxista José Araújo, 83, acredita que a culpa das ocorrências de atropelamentos é, quase sempre, dos próprios pedestres. "Eles se arriscam ao atravessar a rua, não prestam a atenção e andam fora da faixa."

 

 

Cinco pessoas morreram na linha férrea

Das 21 mortes por atropelamento, cinco delas ocorreram na malha ferroviária da cidade. Segundo a assessoria da MRS Logística, foram 16 ocorrências na linha férrea na cidade neste ano, sendo duas colisões, 12 atropelamentos e dois casos de suicídio. A empresa considera que, em todas as ocasiões, ocorre imprudência de pedestres e motoristas diante do trem. "É, portanto, uma questão cultural, de resolução muito mais difícil", destaca a assessoria. A MRS acrescenta, ainda, que, em todas as ocorrências, foram observados rigorosamente os procedimentos de segurança.

Para o engenheiro e professor do Departamento de Transportes e Geotecnia da UFJF, Cézar Henrique Barra, a MRS deveria fornecer uma contrapartida maior para a cidade pelo fato de a empresa usar, de forma individual e privada, a malha ferroviária da cidade há tantos anos. "Há pouco investimento na segurança viária, e o que existe não alivia o impacto da ferrovia na cidade. O Governo municipal deveria exigir melhorias e uma obrigação contratual de investimento, principalmente nas passagens de nível", explica.

De acordo com o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, a empresa atua em conjunto com a Prefeitura em projeto que visa a diminuir o número de acidentes. "Estamos tentando trabalhar a questão do avanço dos carros com a cancela abaixada, e a exigência de um maior respeito com relação a isso por meio da fiscalização eletrônica. Vamos tentar sincronizar a passagem do trem com o semáforo e, caso haja avanço de sinal vermelho, poderemos multar." Para ele, atropelamentos são mais difíceis de conter e dependem de passarelas.

Segundo a MRS, Juiz de Fora está entre as cidades em que a empresa mais investe. De janeiro de 2012 até dezembro de 2013, foram R$ 12,8 milhões em construção de passarelas e melhorias para o tráfego de pedestres. Quatorze passarelas foram entregues e outras cinco estão em construção. Já com relação a iniciativas de infraestrutura para melhoria da mobilidade, a empresa lembra que financiou e doou para a Prefeitura os projetos executivos para as obras de transposição da linha férrea, com os quais o Executivo poderá requerer, às entidades competentes na esfera federal, financiamento para a execução.

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