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29 de Dezembro de 2013 - 07:00

Com as férias e o Réveillon, fluxo de veículos deve ser intenso; condutores vão enfrentar trechos precários na região. Risco cresce com chuva e imprudência

Por RENATA BRUM

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Trecho entre Rio Novo e Guarani está em péssimas condições, com buracos tomando toda a pista
Trecho entre Rio Novo e Guarani está em péssimas condições, com buracos tomando toda a pista
Na BR-116, próximo a Leopoldina, caminhão faz ultrapassagem  proibida e obriga condutores a jogarem carros para o acostamento
Na BR-116, próximo a Leopoldina, caminhão faz ultrapassagem proibida e obriga condutores a jogarem carros para o acostamento

Feriado de Ano-Novo e férias são sinônimos de grande movimento nas rodovias, principalmente nas que dão acesso ao litoral do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Mas muitos juiz-foranos também apostam em viagens aos municípios da região ou passeios às cidades históricas de Minas ou até mesmo para a capital Belo Horizonte. Com os temporais das últimas semanas e a previsão de mais chuvas para a região Sudeste, o risco de deslizamentos de encostas, alagamentos e quedas de árvores, com interdições parciais ou totais das vias pode pegar de surpresa quem pretende viajar para aproveitar a folga. O motorista também vai precisar enfrentar trechos de asfalto crítico tanto em traçados federais quanto nos estaduais. Na BR-040, sentido Belo Horizonte, sobretudo entre Conselheiro Lafaiete e Congonhas, o cenário é de abandono e, na MG-353, entre os municípios de Rio Novo e Guarani, as crateras tomam conta de boa parte da pista. Já em outras estradas, o perigo está no traçado arcaico - pistas simples, sinuosas e sem acostamentos - associado a pavimentos em boas condições, que levam os condutores a abusarem da velocidade, como na BR-267. Com a elevação do tráfego, em alguns casos com expectativa de um fluxo de veículos três vezes superior ao normal, o risco de um acidente é iminente.

A Tribuna circulou por estradas da região para ver como os juiz-foranos irão encontrar as vias (ver quadro na página 4). Em muitas, há segmentos com sinalização vertical comprometida, com placas pichadas e outras encobertas por vegetação. Em outras, a ausência de acostamento ou de áreas de escape faz prolongar o tempo de viagem já que as ultrapassagens seguras ficam restritas a pequenos trechos. Há ainda os que se arriscam em manobras proibidas, colocando outros condutores em situações difíceis. O quadro se repete em quase todas as estradas que cortam a região - MG-353, MG-133, BR-267 e BR-120. Por serem de pista simples, os carros precisam formar filas indianas. "Não tem jeito. É um carro atrás do outro até ter trechos seguros. Isso faz aumentar, e muito, o tempo de viagem. O traçado é muito antigo, e o tráfego é intenso porque é itinerário de muitos caminhões", reclama a autônoma Nádia Vieira, 54, que viaja com frequência entre Juiz de Fora e Ubá, passando pela MG-353 e MG-133.

Para minimizar os riscos, sobretudo no feriado de Ano-Novo, caminhões bitrem e cegonhas ficam proibidos de circular nas rodovias de pista simples entre meio-dia e 22h de terça-feira (31) e 16h e meia-noite do dia 1º. Caso a determinação seja descumprida, o motorista será multado em R$ 85,14, levará quatro pontos na carteira, além de ter o veículo retido.

Operações preventivas, com intensificação do uso de etilômetros e radares portáteis, com objetivo de reduzir o número de acidentes, principalmente aqueles com vítimas, estão sendo desenvolvidas pelas polícias Militar Rodoviária e Rodoviária Federal (PRF) desde antes do Natal e se estendem para todo o período de férias, terminando somente após o carnaval.

 

Flagrantes de desrespeito

Durante a viagem realizada pela Tribuna, as cenas de imprudência foram flagrantes: ultrapassagens forçadas, desrespeito à sinalização, animais na pista e pessoas caminhando pelas estradas. Inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Flávio Loures enfatizou que a operação denominada "Rodovida" tem como foco as ações dos usuários nas vias. "Com as chuvas, a tendência é de atrasos na viagem, e muitos condutores têm o hábito de descontar o tempo perdido no acelerador. É preciso prudência e estar preparado para possíveis imprevistos e jamais associar álcool e volante. Muitos ainda insistem na mistura."

Outra dica das polícias rodoviárias é para que os motoristas evitem viajar no fim de tarde e à noite, períodos de maior probabilidade de chuvas e reduzam drasticamente a velocidade em caso de pista molhada. "A atenção deve ser redobrada e a velocidade reduzida. As nossas estradas são muito sinuosas e, com a chuva, o risco aumenta ainda mais", alertou o sargento Ruimar Martins, da 4ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário (CiaMat).

 

MG-353: duas realidades na via

Como Juiz de Fora é uma cidade polo e universitária, nas férias, muitos estudantes e trabalhadores viajam para suas cidades de origem ou vão visitar parentes na região. E, nas estradas estaduais, também é preciso cautela. Em muitos trechos, o asfalto está em boas condições de trafegabilidade, mas em outros o condutor é obrigado a correr riscos. Já que, além de crateras, é preciso enfrentar a falta de informação, pois boa parte da sinalização vertical está encoberta pelo mato. É o caso da MG-353, que mescla trechos em ótimas condições, como entre Juiz de Fora e Rio Novo, onde está localizado o Aeroporto Regional da Zona da Mata. No segmento, apesar do traçado sinuoso e da ausência de acostamento, a situação de trafegabilidade é boa e existe o mínimo de segurança: há radares para coibir o excesso de velocidade, a vegetação está rasteira, a operação tapa-buracos tem sido constante e existe até uma balança em operação do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG). Porém, depois de Rio Novo, o cenário é de abandono. Quem segue para Guarani, Piraúba e Astolfo Dutra, precisa desviar de inúmeros buracos e fugir da lama. Em alguns trechos, não há como fugir das crateras que já ocupam as duas pistas.

"Parece que são duas estradas diferentes", comenta o comerciante Valmir Pedrosa. "Está horrível, é muito buraco, está arriscado demais para quem viaja", também reclama a leitora Mariana Antonele. O produtor rural Joel Vieira reitera: "Está muito complicado. Tem hora que não tem como desviar. A sorte é que não é uma estrada muito movimentada, mas, na época de férias, o volume aumenta bastante."

 

Rio Preto

Quem utiliza a MG-353 em outro sentido, entre Juiz de Fora e Rio Preto, precisa ter atenção para a possibilidade de quedas de barreiras. Após as chuvas do Natal, alguns trechos ficaram parcialmente interditados (ver quadro), e o asfalto está em condições regulares.

 

Nas federais, pior trecho está entre JF e BH

Nas vias federais, há pontos críticos e que merecem atenção redobrada já que são considerados recordistas de acidentes pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Na BR-267, o maior perigo está entre os km 119 e 129 (altura de Igrejinha), no km 82 (acesso a Chácara), além do km 64 (Bicas), trechos onde excesso de velocidade e ultrapassagens irregulares são constantes.

Na BR-040, o cenário é semelhante ao da MG-353. São duas situações opostas. Enquanto o segmento entre Juiz de Fora e Rio de Janeiro, privatizado pela Concer, oferece boas condições de viagem, o trecho entre Juiz de Fora e Belo Horizonte é temido pelos condutores. Entre Ewbank da Câmara e Santos Dumont, o perigo está no traçado simples e sinuoso, com estreitamento em viadutos e pontes, surpreendendo, principalmente, os condutores que não estão habituados à estrada. Mas o segmento mais crítico está entre Congonhas e a capital mineira, onde, além do asfalto deteriorado, há tráfego intenso de veículos pesados e vários trechos sem sinalização.

Inspetor da PRF, Flávio Loures alerta para a direção preventiva. "Nesta época de festas e férias, o fluxo chega a aumentar em mais de 50%, por isso é preciso redobrar ainda mais a atenção. Na 040, o segmento entre Juiz de Fora e Belo Horizonte é o mais problemático. Perto de Santos Dumont, houve deslizamentos de encostas e quedas árvores, que começaram a ser retiradas pelo Dnit, mas, em caso de chuva forte, ainda é preciso procurar um local seguro para se abrigar. Na altura de Congonhas, o fluxo intenso de caminhões das mineradoras contribuiu para deteriorar o pavimento asfáltico. É preciso muita cautela."

O corretor de seguros Leonardo Damiano, que mora em Belo Horizonte com mulher e filhos, mas que tem familiares em Juiz de Fora, diz que tenta evitar a rodovia no fim do ano. "Não vale à pena. A estrada já está terrível e, com fluxo elevado, é ainda pior. Além do risco, há os prejuízos com o carro. Muitos trechos estão com asfalto ruim e sem sinalização. Numa viagem à noite e com chuva, o motorista fica sem referência. Há também muitos desníveis na pista. Nesta época, há trechos que alagam". Outros motoristas que costumam transitar pela estrada nas férias dizem que só têm coragem de enfrentar o segmento de dia. "Isso para mim é prevenção. Só uso a rodovia de dia, faço revisão e ando devagar", comentou a comerciante Paula Carvalho.

A expectativa de quem usa a BR-040, no trecho para BH é de que as obras de duplicação e melhorias comecem a ser realizadas no próximo ano. Na exta-feira, o trecho entre JF e Brasília foi concedido à iniciativa privada, pelo prazo de 30 anos. A Invepar foi a vencedora do leilão e deverá duplicar 557 quilômetros de estrada de Luziânia (GO) a Paraopeba (MG); do entroncamento com a BR-365 (trevo Ouro Preto) até Barbacena (MG) e de Oliveira Fortes (MG) a Juiz de Fora. Estima-se que a iniciativa privada desembolsará R$ 1,64 bilhão na duplicação desses trechos, que deverão ser concluídos nos primeiros cinco anos.

 

Outras vias federais

Juiz-foranos que seguirão para o litoral do Espírito Santo precisam se precaver. Entre Juiz de Fora e Leopoldina, na BR-267, a orientação é para que seja empregada velocidade moderada já que a pista é estreita e, onde há, o acostamento não é pavimentado. Há ainda o risco de queda de barreiras em alguns trechos.

Na BR-116, conhecida como Rio-Bahia, o volume elevado de caminhões potencializa o risco de acidentes. A média estimada de volume para os próximos dias é de 25 mil a 30 mil veículos, o triplo do movimento em dias comuns, conforme o inspetor da 7ª Delegacia da PRF, Américo Cabral, responsável pelo patrulhamento nas BRs-116, 356 e 262. Para coibir os excessos, a unidade, que fica em Leopoldina, está usando um dispositivo móvel que permite medir a velocidade do veículo a até dois quilômetros de distância.

É necessário que os motoristas façam revisão preventiva no veículo, verificando sistema elétrico e direcional, freios, pneus, para-brisas, velas, bomba de gasolina. É preciso também estar com a documentação pessoal e do veículo em dia.

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