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15 de Janeiro de 2014 - 07:00

Por Cíntia Charlene

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Estrutura em praça do São Mateus está escorada
Estrutura em praça do São Mateus está escorada

A demolição do monumento localizado na Praça Jarbas de Lery Santos, no Bairro São Mateus, região Sul, está paralisada há mais de um mês. A Secretaria de Obras iniciou os trabalhos em novembro passado, porém, segundo os moradores, nunca mais retornou para finalizá-los. A estrutura está escorada por andaimes. No entorno, há entulho, mas nenhum tipo de identificação ou barreira alerta quem passa pelo logradouro. Restos de material da revitalização da iluminação pode ser notado em uma área próxima à quadra de esportes. Frequentadores da praça se queixam de incômodo com a situação.

Em outubro do ano passado, a Tribuna esteve no local e registrou a insatisfação dos moradores do entorno em relação ao monumento, que era usado como abrigo para pessoas em situação de rua, além de servir para tráfico e consumo de drogas e como banheiro público. Na ocasião, um abaixo-assinado com mais de 700 nomes foi organizado pela comunidade e entregue à Secretaria de Governo, que concedeu autorização para demolição.

De acordo com uma pedagoga, 36 anos, que mora no entorno do espaço há quatro anos e preferiu não se identificar, algumas pessoas passaram, inclusive, a colocar lixo no local. "Outro dia, jogaram um computador. À noite, ouvi pessoas batendo no equipamento, acho que no intuito de retirar peças para venderem. As crianças não têm brincado no parquinho. Tenho medo de que algum pedaço da edificação caia na cabeça de uma delas".

Uma dona de casa, 69, que também prefere ter a identidade preservada, conta que a situação está ainda pior. "Vieram nos primeiros dias e tentaram quebrar o concreto, mas a estrutura está muito sólida. Acho que desistiram. O monumento que já era feio, com as partes quebradas está ainda pior". A aposentada, Maria Fátima de Toledo, 56, mora há 20 anos no entorno e completa: "Os entulhos ainda servem de abrigo para animais peçonhentos. Se não bastasse o piso, que, por ser de pedra portuguesa, traz ainda mais riscos para os idosos, ainda temos que lidar com os escombros".

De acordo com a assessoria da Secretaria de Obras, a demolição foi paralisada devido às chuvas de dezembro, quando as equipes de demolição tiveram que ser remanejadas para atender demandas de Defesa Civil. Segundo a pasta, o fato de a estrutura ser construída em concreto inviabilizou a demolição manual. Para resolver o problema, um equipamento elétrico será usado no serviço. De acordo com o órgão, nos próximos dias, a máquina será alugada, mas, enquanto a locação não acontece, uma equipe deve retomar os trabalhos ainda nesta quarta-feira (15).

Só após a remoção do monumento, os entulhos serão retirados. Sobre os destroços ao lado da quadra de esporte, a assessoria da pasta informou que uma equipe deve fazer a retirada nos próximos dias. Em relação ao piso, o órgão afirmou que as elevações se devem às raízes das árvores e, que nada pode ser feito quanto a isso. Ainda de acordo com a Secretaria de Obras, não existe a previsão de troca do piso, já que o serviço é oneroso e não existe verba disponível.

 

 

Comunidade quer revitalização no Riachuelo

Enquanto frequentadores da Praça Jarbas de Lery Santos, em São Mateus, comemoram o projeto de revitalização da iluminação, visitantes da Praça do Riachuelo, na região central, aguardam a medida na área. O plano ainda não saiu do papel e, de acordo com a Prefeitura, está em fase de elaboração e finalização. A Tribuna esteve no logradouro na noite desta terça-feira (14) e, das 32 luminárias, cinco estavam com lâmpadas apagadas, sendo duas também com postes danificados. É possível notar pontos de sombra e escuridão na área, o que aumenta a sensação de insegurança. No monumento em homenagem aos soldados da Força Expedicionária Brasileira, também há falhas na iluminação. Das seis luminárias, só duas estão em funcionamento.

O comerciante do entorno Alessandro Rodrigo de Sousa, 33 anos, conta que os clientes têm receio de frequentar a praça. "Ela está abandonada. À noite deveriam existir luzes mais fortes. O local é mal visto e inibe os frequentadores". A operadora de terminal Vanessa Velozo, 21, já presenciou cenas de conflitos entre jovens e evita passar pelo espaço após 22h. "Em uma ocasião, presenciei um bando que assaltou um rapaz, bateram nele e depois de um certo tempo foram embora. Só depois de 30 minutos a polícia veio. Acho que a questão aqui não é só iluminação, mas as pessoas que frequentam a praça." O auxiliar operacional Iury Barbosa Couto, 19, afirma que a segurança no local deixa a desejar. "A praça está escura, é um local que, mesmo tendo um posto policial, não é seguro. Com uma iluminação melhor, você pode ver o que está acontecendo e aí pode optar por frequentar ou não o espaço." Uma comerciante, 39, que prefere não se identificar, mora no entorno há 31 anos e visita a praça apenas durante o dia ."Acho o espaço muito violento. A iluminação é pouca e causa uma insegurança maior. As pessoas ficam escondidas em pontos escuros, é horrível. Vemos muitas coisas ruins aqui. Bandos que se armam com pedras, brigas que acontecem. Acho que uma iluminação eficiente e um policiamento mais intenso iriam ajudar."

 

Obras

De acordo com o chefe da Divisão de Energia e Eletrificação da Empav, Wilson Ferrareze, nos próximos dias, as lâmpadas queimadas serão trocadas, enquanto o projeto de revitalização não é concluído. "Estou finalizando o projeto para ver qual é a melhor solução para a Prefeitura e para as pessoas que frequentam. Após o carnaval, as obras serão iniciadas." Sobre a iluminação do monumento, Ferrareze afirma que vai procurar o Exército. Por meio de nota, o assessor de comunicação do 2º Batalhão da Polícia Militar (2ºBPM), capitão Marcelo Alves, informou que a corporação tem "lançado, diariamente, policiamento não só na Praça do Riachuelo e proximidades, mas em toda região de responsabilidade do 2ºBPM. Diuturnamente, existe uma constante rotatividade de viaturas pelo local. E ainda fazemos o lançamento na praça da base comunitária móvel, que tem como estratégia básica a ampliação da ostensividade e visibilidade do policiamento." A nota ressalta ainda a importância de a comunidade ajudar no repasse de informações à corporação, por meio do Disque Denúncia Unificado (181).

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