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18 de Junho de 2014 - 06:00

Intervenções iniciadas há um ano têm sete frentes de trabalho e provocam impactos no tráfego

Por EDUARDO VALENTE

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Construção da ETE União-Indústria segue em ritmo avançado. No local, são construídos oito reatores que farão o tratamento do esgoto
Construção da ETE União-Indústria segue em ritmo avançado. No local, são construídos oito reatores que farão o tratamento do esgoto

As obras de despoluição do Rio Paraibuna, iniciadas há um ano, já consumiram R$ 22 milhões, o que corresponde a quase 21% do projeto total, orçado em R$ 106 milhões. Atualmente concentrados às margens da Avenida Brasil, entre os bairros Manoel Honório e Santa Teresa, os trabalhos mobilizam sete equipes em pontos distintos (ver quadro), que atuam na instalação das redes interceptoras. São 40 quilômetros de tubulação, por onde deve ser transportado o esgoto proveniente de cinco córregos, que hoje cai no curso do rio, para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) União-Indústria, em fase avançada de construção no Granjas Bethel, região Sudeste. A estrutura, aliás, terá capacidade para receber 850 litros de dejetos por segundo e será a responsável por tratar cerca de 70% do esgoto que hoje são produzidos no município, a partir do Bairro Santa Terezinha. No entanto, antes que este processo seja iniciado, ainda será necessário que a Cesama implante a rede coletora, responsável por desviar a água dos córregos para a rede interceptora.

Até que estas atividades sejam concluídas, no segundo semestre de 2015, o trânsito deve continuar confuso devido às obras. A instalação das redes impede a passagem de carros em algumas ruas e limita a capacidade viária em outras. Na Avenida Brasil, por exemplo, as retenções são constantes em pontos onde há equipes em atuação, mesmo após o início da operação do binário, que deveria melhorar a fluidez em um dos principais corredores de trânsito da cidade. Nesta via, as interferências deverão continuar ocorrendo até o mês de outubro. A exceção se dará no trecho entre a Rua Halfeld e o Viaduto Augusto Franco, no qual os trabalhos devem ser concluídos somente no fim de novembro.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, a companhia mantém contato com técnicos da Settra quase que diariamente, com objetivo de planejar o trânsito durante as obras. "Todos os dias tentamos adaptar alguma coisa. Eventualmente, em alguns trechos mais críticos, precisamos fechar ruas. Isso aconteceu recentemente na Pinto de Moura (Poço Rico) e na Marechal Setembrino de Carvalho (Ladeira)", informou, esclarecendo que a retenção do tráfego, muitas vezes, ocorre mais pela segurança do que para viabilizar as intervenções. "É muito complicado trabalhar com escavadeiras e colocando tubos extensos com carro passando do lado. É um risco muito grande." Ele também esclareceu que, no caso da Avenida Brasil, às vezes, a via é afunilada justamente para os veículos circularem devagar. "Se aumentamos a velocidade, colocamos em risco os motoristas e os operários."

 

Sem atrasos

Conforme Marcelo, as intervenções ocorrem dentro do cronograma, que prevê 24 meses de obras. No entanto, ele reconhece que os operários estão encontrando dificuldades. "O solo é pior do que se esperava, porque é mole e de difícil contenção. Tudo isso atrapalha o processo construtivo. Naquela região entre o Corpo de Bombeiros e a Rua Benjamin Constant, estamos experimentando uma nova tecnologia, empregando um método não destrutivo. Fizemos a escavação de um pequeno túnel para a colocação da rede. Desta forma, estamos conseguindo evitar maiores transtornos no trânsito da Brasil."

Dos R$ 106 milhões investidos na obra de despoluição do rio, R$ 70 milhões foram obtidos por meio de financiamento realizado pela Prefeitura (com contrapartida de 10%). Os outros R$ 36 milhões são oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que, por utilizar recursos a fundo perdido, não necessita de contrapartida do Município. Ambos os recursos foram disponibilizados pelo Ministério das Cidades.

 

Previsão de 65% de esgoto tratados em 2015 com nova ETE

No segundo semestre de 2015, quando for inaugurada a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) União-Indústria, o Município estará tratando aproximadamente 65% do esgoto que hoje é lançado no Rio Paraibuna. Atualmente este percentual é de aproximadamente 10% e corresponde ao trabalho feito na ETE Barbosa Lage, que atua com um terço de sua capacidade total (recebe 95 litros de esgoto por segundo), e pela unidade do Bairro Barreira do Triunfo (cinco litros de esgoto por segundo). A nova ETE deve iniciar as atividades com potencial para tratar todo o esgoto que receber, que, na primeira fase, será o equivalente a 55% dos dejetos produzidos em toda a cidade.

Conforme o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, embora o município tenha capacidade plena, algumas obras físicas ainda serão necessárias para separar a água dos córregos da rede de captação pluvial. "Á água da chuva atrapalha o processo de tratamento, então, precisamos fazer esta separação. Na Zona Norte, este trabalho ocorre intensamente, mas é sem dúvida um processo bastante lento porque não podemos intervir em todas as ruas de uma só vez. Então criamos uma série de prioridades, identificando as ruas que mais contribuem com o esgoto no rio, para agir nelas primeiro. Faremos isso a partir de julho do ano que vem."

Os córregos atendidos pela ETE União-Indústria serão o Matirumbide (Zona Leste), Tapera (região Nordeste), São Pedro (Cidade Alta), Yung (Zona Leste) e Independência (área central e Zona Sul). Conforme Marcelo, os dois últimos já têm rede coletora instalada, aguardando apenas a conclusão da rede interceptora (que margeia o rio), para que haja a conexão entre as duas tubulações. Os outros três terão obras iniciadas no segundo semestre deste ano. Já a região do Bairro Santa Luzia, por onde passa o córrego do Ipiranga, será atendida por uma quarta ETE, de menor porte, que deve começar a ser construída em outubro. A decisão de instalar uma nova unidade se deve às dificuldades físicas em passar a tubulação do esgoto por áreas privadas e de preservação ambiental.

A estrutura de Barbosa Lage já trata o esgoto proveniente de bairros como Cidade do Sol e Santa Cruz, além do entorno da Avenida JK, próximo ao Colégio Militar. A previsão é de que seja necessária ainda a construção de outras cinco redes coletoras, em uma área entre os bairros Cerâmica e Benfica. "Está no plano de expansão da Cesama e tentamos recursos do PAC. Mas para conseguir dar conta desta demanda, precisaremos triplicar a capacidade da ETE. Já existe o projeto e o recurso foi pleiteado, mas ainda aguardamos a liberação da Caixa Econômica Federal."

 

Expectativa de água inodora

O início das operações na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) União-Indústria deve impactar de imediato o aspecto do Rio Paraibuna, conforme especialistas ouvidos pela Tribuna. A expectativa é de que o forte odor desapareça em curto prazo. Na opinião do professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, da Faculdade de Engenharia da UFJF, Fabiano Cesar Tosseti Leal, a qualidade da água vai continuar melhorando gradativamente nos próximos anos. "Com esses 65% de esgoto tratados já poderemos notar esta melhoria, que vai aumentando à medida em que o percentual de tratamento também for crescendo."

Segundo o docente, ainda há muito desconhecimento da população sobre a ligação de rede de água pluvial na rede de esgoto, o que impede a plena operação da ETE neste primeiro momento. "A separação é importante porque o funcionamento da ETE é dimensionado pela quantidade de esgoto que chega, mesmo que não haja 100% de precisão. Como a água de chuva é uma vazão sazonal e variável, ela impacta negativamente no processo de tratamento."

Para o doutor em hidráulica e saneamento Marconi Fonseca de Moraes, que também leciona na Faculdade de Engenharia da UFJF, o tratamento do esgoto é um passo importante, mas não pode ser o único. Ele defende um forte trabalho de conscientização de todos sobre a ação do homem, visto que, além do esgoto, o despejo irregular de lixo e o não tratamento de poluentes também contribuem para sujar a água do Paraibuna.

"Na UFJF temos um projeto de extensão que atualmente trabalha estas questões em sete escolas do município, além de atendermos colaboradores de empresas. Falamos com as crianças do ensino fundamental sobre a importância de preservar o meio ambiente e acreditamos que elas sejam multiplicadoras da informação dentro de suas casas."

O especialista afirma que o trabalho em andamento é importante e vai melhorar todo o ecossistema, refletindo não apenas em Juiz de Fora como em outras cidades da Bacia do Paraíba do Sul. "A população precisa entender que os transtornos no trânsito ocorrem para melhorar a qualidade de vida. Esta iniciativa vai refletir em vários setores, inclusive impactando nos gastos com doentes nos hospitais."

 

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