Publicidade

17 de Junho de 2014 - 06:00

Fiscalização deve ser instalada este mês entre JF e Maripá, trecho com alto índice de óbitos; no último domingo, acidente resultou em 4 mortes

Por EDUARDO VALENTE

Compartilhar
 
No último domingo, batida frontal entre Celta e Fiat Uno deixou quatro mortos e quatro feridos
No último domingo, batida frontal entre Celta e Fiat Uno deixou quatro mortos e quatro feridos
Abusos, como ultrapassagens proibidas, são frequentes em via com boa manutenção, mas traçado antigo
Abusos, como ultrapassagens proibidas, são frequentes em via com boa manutenção, mas traçado antigo

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) divulgou ontem que, ainda este mês, a rodovia BR-267 deverá ser beneficiada com três conjuntos de radares, a serem instalados entre os municípios de Juiz de Fora, Bicas e Maripá de Minas. A informação vem à tona no momento em que mais um acidente com quatro mortos foi registrado neste trecho da estrada e que outro feriado se aproxima, quando o movimento se torna ainda maior. Os óbitos ocorreram no fim de semana, em razão de uma batida envolvendo dois veículos. Ao todo, somente este ano, foram pelo menos nove óbitos neste segmento. Levando-se em conta outro trecho da mesma via, entre Juiz de Fora e Lima Duarte, o número salta para 14. Os dados foram levantados a partir das notícias publicadas pela Tribuna desde janeiro. De acordo com o Dnit, os radares estão em fase final de contratação em Brasília. Além disso, o órgão informou que trabalha na finalização de um edital que visa a construção de acostamentos entre Juiz de Fora e Leopoldina. Já a sinalização é considerada satisfatória.

No acidente fatal do último domingo, registrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) por volta das 8h, no km 76,5 (entre Juiz de Fora e Bicas), um Chevrolet Celta, de Juiz de Fora, e um Fiat Uno, de Mar de Espanha, chocaram-se frontalmente. Os dois carros seguiam em direções opostas quando houve o choque. Entre as vítimas estavam um bebê, de 3 meses, e sua mãe, que viajavam no Celta, além de um homem e uma mulher no Uno. As identidades não foram confirmadas. Durante a manhã, parte da pista ficou interditada, até que os corpos fossem examinados por uma equipe do Instituto Médico Legal (IML), que compareceu ao local do acidente. Outras quatro pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para hospitais de Juiz de Fora por equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros.

 

Imprudências

Na tarde de ontem, a Tribuna trafegou por parte da BR-267, entre Juiz de Fora e Bicas, e constatou dezenas de situações de risco, causadas principalmente por motoristas de veículos de passeio. Velocidade além da permitida pelas placas de sinalização foi observada ao mesmo tempo em que havia ultrapassagens em locais proibidos. Segundo o inspetor da PRF Armstrong de Carvalho, há um trabalho constante no trecho com o objetivo de reduzir estes excessos. Entre eles, o inspetor citou a utilização de radares móveis por todo o trecho. "Registramos cerca de 90 ocorrências por dia por abuso de velocidade, e, durante feriados, este número chega a dobrar. Inclusive onde houve o acidente do fim de semana é um dos nossos pontos de observação. Infelizmente o equipamento não atuava no momento da batida. Acontece que a 267 é uma estrada antiga, e praticamente nada mudou em seu traçado. Ao mesmo tempo, aumentou e muito a frota de veículos e a capacidade motora deles."

A reportagem observou, durante a viagem, o tráfego intenso de veículos pesados, como caminhões e carretas. Além do crescimento da frota, há indícios de que caminhoneiros de outras regiões do país utilizam a rodovia para fugir de pedágios ou postos de fiscalização. "Em nossas abordagens, quando existe a suspeita, pedimos para verificar a nota fiscal do produto transportado para identificarmos a origem e o destino da carga. O problema é que, se estiver tudo certo com a carga, o desvio não é crime. Quando suspeitamos de algo, acionamos a Receita Estadual porque pode estar ocorrendo crime de sonegação fiscal."

Sobre a intenção do Dnit de instalar radares no trecho, o inspetor identifica a medida como positiva, mas salienta que, além dos dispositivos, deve haver uma mudança de comportamento dos condutores. "O problema é que, onde há radar, o motorista diminui a velocidade e não abusa. Depois volta a cometer imprudências. Ele precisa entender que o bem mais precioso que ele carrega é a sua própria vida e a de terceiros."

 

Preocupação diária

O caminhoneiro Domingos Pereira Marques tem 57 anos e, há mais de 20, trafega diariamente na BR-267. Segundo ele, a falta de respeito entre os motoristas tem se tornado cada vez mais constante. "A estrada está ótima, o problema mesmo são as imprudências, principalmente de condutores de carros pequenos. Felizmente nunca me acidentei, mas observo abusos diariamente. A frota de automóveis cresceu muito, e isso é facilmente constatado na 267." Opinião semelhante tem o aposentado Francisco Peixoto, 67 anos, morador do Retiro. Segundo ele, o movimento na estrada não está mais concentrado nos fins de semana e feriados. "Hoje (ontem) é segunda-feira, à tarde, e a rodovia está lotada. É preciso cautela."

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que a realização de blitze seria a solução para fazer cumprir a lei que proíbe jogar lixo nas ruas?