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29 de Março de 2014 - 07:00

Por Tribuna

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Telmo Ronzani ajudou a elaborar políticas para combater as drogas
Telmo Ronzani ajudou a elaborar políticas para combater as drogas

Está em fase de finalização o documento oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) com recomendações para políticas sobre drogas, que deve ser encaminhado a todas os países nos próximos meses. Segundo o professor do curso de psicologia da UFJF, Telmo Mota Ronzani, um dos 23 envolvidos no projeto, o texto já foi concluído pelos pesquisadores e, agora, está sendo lapidado pela ONU. Em entrevista à Tribuna, o especialista, que foi o único representante da América Latina na empreitada, forneceu detalhes da concepção dos itens, que devem balizar a maneira como as nações lidarão com as drogas. "A ONU procurou alguns países para que indicassem especialistas da área com o objetivo de realizar a primeira rodada do projeto. O Governo brasileiro me indicou, tendo em vista o trabalho que já desempenho na área de políticas sobre drogas há algum tempo. Na segunda fase, o grupo ficou mais restrito, mas com representantes de todos os continentes", explica Telmo, que é também coordenador do Centro de Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e outras Drogas (Crepeia).

O convite foi feito pelo United Nations Oficce on Drugs and Crime (Undoc), órgão das Nações Unidas responsável pela política internacional sobre drogas. Segundo ele, primeiramente foi desenvolvido um relatório específico sobre os países, apontando as evidências e lacunas das políticas desenvolvidas na área. "Procuramos falar o que funciona e o que não funciona, como são feitos os tratamentos, as formas de prevenção, como é trabalhada a questão do vício, entre outros assuntos. Tentei englobar o contexto de toda a América Latina, de vulnerabilidade social, violência e tráfico de drogas", explica.

O objetivo do relatório final desenvolvido pelo grupo é apontar um caminho a ser percorrido pelos países no quesito políticas sobre drogas. "Já temos a experiência da chamada 'guerra às drogas', liderada pelos Estados Unidos, algo que vem sendo questionado. A intenção era que o combate ao tráfico e a proibição da droga diminuíssem a oferta e o consumo. Mas essa ideologia tem caído por terra porque houve muito dinheiro gasto, e os indícios apontam que o consumo de droga e os índices de morte violenta aumentaram, além de ter triplicado o número de encarceramento nos países. Sem contar toda a rede de corrupção que se formou por trás do tráfico", explica.

A ideia hoje, segundo o especialista, é pensar em outras alternativas para encarar o problema. Diante deste quadro, a ONU decidiu formular o documento internacional com as recomendações aos países com base em evidências científicas. "Antes as Nações Unidas tinham uma visão muito conservadora quanto a isso, mas, nos últimos anos, tal postura está sendo repensada. A intenção desse projeto é orientar os gestores, tendo em vista que muitos agem sem respaldo científico."

 

Profissionais passam por capacitação

Em Juiz de Fora, o Centro de Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e outras Drogas (Crepeia), coordenado por Telmo Ronzani, desenvolve atividades de capacitação na área. Segundo o professor, existe um projeto realizado pelo grupo junto aos profissionais das áreas de saúde, justiça e assistência social na cidade, em parceria com o município. Pelo terceiro ano consecutivo, os participantes têm a oportunidade de aprender detalhes sobre o trato com o dependente químico. Agora o projeto foi estendido aos educadores das rede municipal e estadual, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. "A ideia é capacitá-los na maneira de lidar com o uso de drogas, e aplicar isso nas escolas. Eles aprendem a incluir a temática e as abordagens adequadas para ajudar a prevenir o uso de drogas."

De acordo com Telmo, o que se tem observado é que os profissionais que já recebem as aulas na cidade saem mais qualificados para tratar os pacientes. "Percebemos que muitas pessoas não têm a devida capacitação para lidar com quem tem problemas com drogas. Assim, as ações acabam sendo mais voltadas pela interpretação pessoal, algo que leva a uma intervenção incorreta. E é isto que tentamos mudar", explica.

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