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22 de Dezembro de 2013 - 07:00

Um dos maiores desafios para 2014 é a saturação do tráfego; para melhorar escoamento, PJF promete entregar duas pontes, trincheira e viaduto

Por EDUARDO VALENTE Repórter

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A mobilidade urbana, que envolve o trânsito de veículos e a circulação de pessoas, ganhou o centro dos debates em 2013 em grandes cidades de todo o mundo. Em Juiz de Fora, este também é um dos maiores desafios urbanos para os próximos anos, diante de prejuízos para a qualidade de vida, como as retenções cada vez mais frequentes no tráfego e as dificuldades para se chegar ao destino. O tema, que abre as Perspectivas da Tribuna para o próximo ano, exige medidas do Poder Público, tanto de cunho imediato quanto de médio e longo prazo. Entre as previsões da Administração para 2014 na tentativa de reduzir os obstáculos estão o início e a conclusão de duas pontes sobre a Avenida Brasil, uma trincheira e um viaduto. Há o compromisso ainda de estudos aprofundados na busca de alternativas para minimizar os transtornos causados pelo trânsito saturado da cidade, principalmente na região central.

Para se ter ideia da complexidade, o município dispõe, atualmente, de 216.086 veículos registrados, conforme dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), atualizados em setembro. Há exatamente dez anos, a frota de automóveis era 48% menor, com 112.561 veículos. Neste período, as obras e planejamentos não acompanharam a velocidade das mudanças, e pouco foi feito para possibilitar o escoamento adequado. Entre as realizações mais significativas estão a construção da Ponte Domingos Alves Pereira, no Bairro Santa Terezinha, em 2002, e do Viaduto Ramirez Mozzato Gonzalez, no início da Avenida JK, na Zona Norte, em 2004. As consequências destes atrasos são observadas diariamente pela população, que se irrita com tantos veículos, sobretudo nos horários de pico, e sofre com os constantes acidentes, muitos deles fatais. As alterações, muitas vezes, porém, terão que passar por uma mudança de postura tanto de governantes quanto da população.

 

Primeira ponte será entregue em janeiro

As intervenções viárias, anunciadas ainda pela administração passada, em abril de 2012, e que teriam grande parte das obras concluídas depois de 24 meses, deverão começar a sair do papel em breve. De acordo com o secretário de Obras, Amaury Couri, a Ponte dos Poderes, nomeada Wilson Coury Jabour Júnior, em frente ao Terreirão do Samba, será entregue à população até o final de janeiro de 2014, enquanto a estrutura que está sendo montada próxima ao Tupynambás, até o fim de março. No mês em que se encerra o período chuvoso, serão iniciadas as construções da trincheira na Avenida Francisco Bernardino e do Viaduto do Bairro Poço Rico (ver quadro). Conforme o secretário, estas duas intervenções, já com recursos garantidos, deverão ser concluídas em até dez meses, mas existe a estimativa de serem finalizadas até o fim do ano. Segundo ele, a construção da trincheira só não começou em 2013 porque se fez necessário alterar o projeto executivo. Couri explicou que o traçado permanece o mesmo, mas foram necessárias algumas adaptações, de origem técnica. Outra obra prevista é a da alça no Viaduto Augusto Franco, que deverá começar em junho e ficar pronta em um período entre três e quatro meses.

Com a conclusão da primeira ponte, uma espécie de binário será efetivada naquela área. De acordo com o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, a ponte da Rua Benjamin Constant terá o fluxo das três faixas de circulação voltadas para o Centro, enquanto o retorno, na direção contrária, deverá ser feito pela nova passagem. Para isso, um novo traçado, cortando a Praça Senador Teotônio Vilela, no Vitorino Braga, está sendo construído, fazendo a ligação com a Avenida Garibaldi Campinhos.

Mergulhão

Já o mergulhão da Rua Benjamin Constant não será efetivado no momento. Segundo Couri, em função do volume de tráfego na região, esta obra só pode começar quando a trincheira da Avenida Francisco Bernardino ficar pronta. Além disso, há um problema técnico na área, pois no local existe a passagem de um quadro de energia da Cemig. "Só este desvio, que é muito complexo, e custa R$ 1,2 milhão, deve levar seis meses. Ou seja, devemos fazer esta alteração em 2015 para começar a trincheira em 2016. É muito difícil que comece antes disso", disse Couri, explicando que este gasto será custeado pelo Município e pela companhia de energia elétrica.

Outras intervenções do conjunto de obras viárias, anunciadas pela administração passada, como as duas pontes e os dois viadutos, nos bairros Mariano Procópio, região central, e Barbosa Lage, Zona Norte, devem ocorrer apenas em 2015. Couri garantiu que o convênio com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Governo do estado estão mantidos, mas a totalidade dos recursos ainda não foi disponibilizada, porque chega ao município em parcelas. No entanto, existe a expectativa de estas intervenções migrarem para o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e, neste caso, as obras poderiam ser adiantadas.

 

Prioridade para o transporte público

Uma das apostas da Administração para tentar minimizar os transtornos da cidade na qual o número de carros cresce proporcionalmente mais rápido que a população está na melhoria das condições do transporte público. Se há dez anos Juiz de Fora tinha um automóvel para cada 4,4 habitantes, atualmente esta relação é ainda mais desigual: um para cada 2,5 moradores, considerando a população de 545.942 pessoas. Pior: se somado apenas os moradores com 18 anos ou mais, que totalizam 393.188 habitantes, o resultado cai para um carro para menos de duas pessoas. Por isso, o incentivo ao uso dos veículos de massa é considerado uma saída estratégica para que a cidade não pare.

No próximo ano, o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, garante que algumas intervenções começarão a ser feitas, principalmente após os estudos que visam a reestruturar o sistema de ônibus no município, já em andamento, com previsão de terminar em junho. Este pacote de medidas integra o programa "JF + mobilidade", que teve parte das ações divulgada em setembro, mas ainda está em fase de formatação.

Entre as novidades está a implantação do Sistema Inteligente de Transporte (ITS), que pretende melhorar a informação para o usuário, por meio da instalação de GPS nos ônibus, pelo qual os passageiros poderão saber onde os coletivos estão. Há também a integração temporal e tarifária, na qual o juiz-forano poderá utilizar mais de uma linha de ônibus, pagando menos de duas tarifas pelo deslocamento, que deve ser implantado no primeiro semestre, como já anunciado pela Tribuna este mês. Conforme Tortoriello, há um equívoco em associar este serviço à implantação de ônibus articulados e à construção de terminais. "Nossa proposta não passa, necessariamente, neste momento, por este modelo, e sim por integrar linhas que possam permitir a melhor utilização da nossa frota." Além do aumento do número de faixas exclusivas para ônibus, em vigor desde 25 de novembro, que poderá ser ampliado, está prevista a integração do Distrito Industrial, que consiste na oferta de dois coletivos circulares na área empresarial da Zona Norte a partir de janeiro. A ideia inicial é oferecer este serviço sem adicional de tarifa.

Plano

Para intervenções de longo prazo, a secretaria continuará trabalhando, no ano que vem, no desenvolvimento do "Plano de mobilidade", uma obrigação para cidades com mais de 20 mil habitantes, conforme lei federal. Este estudo, que precisa estar pronto até o início de 2015, tem como objetivo encontrar soluções e traçar metas que priorizem o tráfego dos ônibus, garantam o escoamento de veículos e melhorem as condições de acessibilidade e segurança para os pedestres. Além disso, a possibilidade de se construir uma ciclovia no eixo Paraibuna (espaço compreendido entre a linha férrea e o leito do rio), do Distrito Industrial, Zona Norte, até o Bairro Vila Ideal, região Sudeste, poderá ganhar novos rumos. Uma das intenções é integrar esta rede principal a outras vias da cidade. Conforme Tortoriello, caso os projetos sejam aprovados e os recursos liberados pelo Ministério das Cidades, algumas intervenções analisadas poderão começar em 2015.

 

Novos calçadões previstos para o Centro

Estão no cronograma de obras, a serem realizadas no próximo ano, a remodelação da Avenida Getúlio Vargas e as construções de calçadões na Rua Batista de Oliveira, entre as ruas Marechal Deodoro e Halfeld, e na Rua Marechal Deodoro, entre as avenidas Getúlio Vargas e Rio Branco. Segundo o secretário de Obras, Amaury Couri, não é possível precisar a data do início destas intervenções, já que os projetos ainda estão sendo desenvolvidos e falta a fase de licitação. No entanto, ele salienta que alterações no Centro são complexas, por se tratar de uma área com grande fluxo de veículos e pessoas. "Não podemos mexer em muitas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, quando for intervir na Avenida Francisco Bernardino, precisaremos ter cuidado com a Avenida Getúlio Vargas, por causa do trânsito. Talvez o começo seja pela Batista de Oliveira, mas isso ainda será definido."

Na Avenida Getúlio Vargas, algumas das mudanças previstas, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Urbana, do Governo federal, são a ampliação da largura das calçadas e a remodelação dos pontos, de forma que haja melhorias no embarque e desembarque e resolução dos gargalos no trânsito. Se isso for possível, segundo o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, não seria necessário ampliar o número de faixas exclusivas para ônibus na via, como testado em setembro. Atualmente, o projeto passa por readequações, que devem ser finalizadas até o fim deste ano.

Padronização de calçadas

Tortoriello também falou da padronização de calçadas das vias centrais, como o modelo implantado na Rua Santo Antônio pela administração passada. Segundo ele, existem recursos para revitalizar os pisos, mas não necessariamente da forma como já foi feito, pois as intervenções receberam críticas de entidades voltadas à proteção de deficientes físicos e visuais. O que deve ocorrer, em sua opinião, é garantir as regras de acessibilidade a partir da readequação de calçadas já existentes, com a colocação de pisos táteis e rampas, sem a necessidade de quebrá-las e reconstruí-las.

Estudos

Em fase de elaboração, está o edital que escolherá uma nova empresa para explorar o estacionamento rotativo na cidade. A ideia é que o sistema seja totalmente informatizado, com a possibilidade de comprar os cartões por meio de parquímetros e até por smartphones. A previsão é que o novo processo licitatório seja concluído até o mês de maio. Ao mesmo tempo, a secretaria aguarda a conclusão das análises que avaliam a viabilidade de se construir o contorno viário na Cidade Alta, que seria uma alternativa ao anel da UFJF. O estudo deve ser concluído em maio. Só então será possível saber a viabilidade da obra, para a qual serão necessários recursos do Governo federal. Estima-se que a intervenção custe em torno de R$ 15 milhões.

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