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06 de Dezembro de 2013 - 20:53

Por Marcos Araújo

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Uma luta que durou 17 anos começou a ter fim na última quinta-feira (5). Quem mais gritava por justiça, dona Delizete Carnaúba, infelizmente não pode testemunhar a prisão do empresário Ismael Keller Loth, um dos acusados de provocar a morte de cinco pessoas da família dela, em um acidente de trânsito em 1996. A professora aposentada morreu em julho do ano passado, aos 76 anos, sem ver a prisão de todos os envolvidos na tragédia, conhecida como "Pega de Mar de Espanha" e considerada o desastre de trânsito de maior repercussão na história de Minas. Ismael foi preso no final da tarde de quinta-feira em função de um mandado de prisão, sendo conduzido à cadeia de Mar de Espanha.

O empresário foi condenado, em 2004, a 16 anos de prisão pelo "racha", classificado como homicídio doloso (quando há intenção de matar). Além dele, o médico Ademar Pessoa Cardoso, preso no ano passado, que disputava o "pega" junto com Ismael, teve pena de 12 anos e nove meses pelo mesmo crime. Ambos cruzaram o caminho da família de dona Delizete no dia 5 de abril de 1996, em uma curva da MG-126, próximo ao Distrito de Santa Helena, no município de Bicas. O Fusca ocupado por cinco pessoas foi atingido violentamente pela Blazer conduzida pelo empresário, que trafegava pela contramão. Antes do início do "racha", Ademar e Ismael teriam feito uma aposta de R$ 2 mil, que seria vencida por quem chegasse primeiro a Bicas. No acidente morreram a única filha de dona Delizete e seu Geraldo Carnaúba, Adriana, de 31 anos, o genro, Júlio César, 32, as netas Victória, 2, e Theodora, 7 meses, além da tia Isabel Benedicta, 93.

A tristeza provocada pela tragédia, ainda hoje, representa cicatrizes profundas na memória de Geraldo Carnaúba, marido de Delizete. Com 82 anos, ele disse nesta sexta-feira à Tribuna que é um homem marcado pela dor. "A prisão desse culpado não me traz satisfação. Serve apenas para ele, que pode pagar o que deve à Justiça. Quanto a mim, queria minha família de volta. Sou um homem solitário, um avô que não tem seus netos, que vai passar o Natal sozinho", desabafou, considerando a prisão do empresário como uma vitória dedicada à esposa. "Ela merecia ver esse final, pois lutou muito para vê-los na prisão. É uma pena não estar aqui."

O médico Ademar Pessoa Cardoso foi preso em dezembro de 2012, mas, em função de um habeas corpus, está em liberdade. "É por isso que a luta ainda não chegou ao fim e vou lutar até minha morte para que ele volte para a cadeia", assegurou Geraldo Carnaúba.

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