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20 de Janeiro de 2013 - 07:00

Por Guilherme Arêas

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Jovem assaltado e baleado diz ter encontrado forças em lições aprendidas nos livros
Jovem assaltado e baleado diz ter encontrado forças em lições aprendidas nos livros

'Só o fato de existir violência é trágico, seja 1 ou mil casos'

Entre os recentes casos de roubo a veículo, chamou a atenção o de um universitário de 19 anos, baleado no rosto e no pescoço ao arrancar com o carro em uma tentativa de assalto na Olegário Maciel, no dia 27 de dezembro. Por volta das 23h, o jovem parou para a namorada, 20, desembarcar, quando ambos foram surpreendidos por dois criminosos, pelo menos um deles armado. A bala do primeiro tiro disparado estilhaçou ao atingir uma estrutura óssea do rosto do estudante, que precisou implantar uma placa de titânio na mandíbula. O segundo projétil permaneceu alojado na cervical, após percorrer o pescoço, do lado esquerdo para o direito. Um terceiro tiro atingiu o CD player do carro. Em entrevista à Tribuna, ele contou detalhes da ação e como conseguiu, mesmo baleado, dirigir até o hospital. O jovem teve que passar por cirurgias para retirada da bala e reconstrução da mandíbula. Já a namorada não ficou ferida, mas está assustada, tanto que, desde o assalto, ainda não voltou para casa, e a família dela pensa em se mudar. Os assaltantes ainda não foram localizados pela polícia.

Tribuna - O que passou pela sua cabeça durante o assalto e, principalmente, quando você foi baleado? Como conseguiu dirigir até o hospital?

Estudante - Ao ver os dois assaltantes chegando, não pensei que seria um assalto, não pareciam suspeitos. Mas, ao mesmo tempo, a minha namorada, que tinha saído do carro, voltou de supetão, e o rapaz chegou falando que era um assalto. Tudo aconteceu em, no máximo, 15 segundos. Nesse momento, pensei em largar o carro e descer do veículo com ela. No entanto, logo depois dessa fala, o mesmo assaltante falou "vai pro banco de trás", o que me fez na mesma hora pensar no que poderia acontecer com a gente, principalmente com ela. Logo engatei a primeira marcha, e, quando acabei de engatar, senti duas pauladas seguidas do lado esquerdo do rosto, mas, eu pensei "vou aguentar e vou seguir". E foi o que aconteceu. Já após uns 50 metros, senti que o rosto havia afundado, mas ainda não sabia que eram tiros. Pensei que (o fato) já havia ocorrido, tomei inspiração em livros que li ultimamente e acalmei minha respiração. Senti Deus em minha companhia e tinha em mente que só havia machucado, nada de grave havia ocorrido. Mas, infelizmente, só eu podia sentir isso; então, todos ficaram muito preocupados. Já na subida do morro do Dom Bosco, sabia que queria chegar no Monte Sinai para ter um diagnóstico do que havia ocorrido, e foi aí que a minha namorada me disse que eu havia tomado tiros. Como me sentia bem, achei que só tinham sido tiros de raspão, ou pegado em partes não vitais. Estive calmo o tempo todo, mesmo porque, se me agitasse, podia ser pior para mim. A calma era o melhor remédio, e nem foi ideia minha, foi parte da lição de um livro.

 

- Diante de tudo o que passou, como você acha que vai ser voltar à rotina?

- Naquele lugar da Olegário não se pode parar, mas já parei ali perto, o que não pretendo repetir, nem que por pouco tempo, em lugar algum. Talvez agora eu tenha mais malícia quanto aos outros no dia a dia, mas sou uma pessoa que acredita muito na bondade das pessoas.

 

- Você pretende mudar algum de seus hábitos?

- Então, creio que só observarei o que está a minha volta, sempre com cautela, assim como já fazia várias vezes. Não estou tão traumatizado com o fato, pois tenho fé em Deus e no próximo, e Ele está sempre comigo.

 

- Você já foi vítima da violência antes?

- Já havia sido assaltado durante a tarde, na Rua Barão de Cataguases, quando um homem me roubou o tênis, mas eu era bem novo na época. Também como esse, aquele foi um fato muito inesperado, por ser cinco horas da tarde em um lugar em que havia movimento.

 

- O que acha da segurança em Juiz de Fora?

- Para ser sincero, acho sim Juiz de Fora uma cidade segura em comparação às outras, e por outras me refiro às capitais, cidades de igual ou maior porte, mas (segura) somente em números. Em brigas, os resultados são os piores, em assaltos são muito ruins, como esse meu mesmo, casos de estupro... Em comparação com outras cidades pode ser menos violenta, mas só o fato de existir a violência já é trágico, seja com um ou com mil casos.

 

- Você planeja ter filhos? Que cidade você espera que seu filho encontre, no futuro?

- Ah, planejo sim. Já a cidade onde morar não tenho planos, porém não queria ter a necessidade de esconder meus filhos do mundo, por medo. Gostaria de deixá-los voltar da escola sozinhos, andando, brincar na rua com várias crianças, conhecer gente boa ou ruim, pobre ou rica, assim como eu fiz, para crescer com a maior noção dos desafios da realidade. É injusto com as crianças ter que "mimá-las" e levá-las de carro para todo lugar, morar em condomínio fechado, brincar em casa.

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