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15 de Julho de 2014 - 08:15

Comissão de vereadores visita instituições estaduais em condições precárias em Benfica

Por KELLY DINIZ*

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Instituição busca ampliação do espaço
Instituição busca ampliação do espaço

Alunos da Escola Estadual Ana Salles, do Bairro Benfica, Zona Norte, estudam em uma estrutura feita de latão e compensado de madeira. Desde 2009, a diretora da instituição, Luciane de Oliveira, busca a construção de uma nova sede de alvenaria, já que as condições são precárias para os 154 estudantes e para os profissionais. A situação do estabelecimento de ensino foi vistoriada ontem pela Comissão de Educação, Cultura, Turismo, Esporte e Lazer da Câmara, que ainda visitou outra instituição que apresenta carências físicas: a Escola Estadual Professor Francisco Faria, no mesmo bairro. "As escolas precisam ter uma infraestrutura mínima e adequada para funcionar", criticou o vereador Jucelio Maria (PSB), presidente da Comissão, que é composta também pelos vereadores Ana Rossignoli (PDT) e Roberto Cupolillo (Betão - PT).

A Ana Salles, que atende alunos de oito bairros da região, é a única com ensino em tempo integral. "É preciso ressaltar a importância dessa escola para a comunidade. Mas a infraestrutura é precária. Além de ser de latão, o compensado está todo comido por cupim. Queremos saber quando será realizada a construção da nova escola. O Estado não nos dá uma resposta formal sobre o projeto, e as crianças não podem esperar", afirma a presidente da Associação de Moradores de Benfica, Aline Junqueira. A diretora Luciane acrescentou ainda que algumas salas chegam a inundar no tempo das chuvas. "Além disso, no calor, é muito quente e, no inverno, é muito frio."

A vereadora Ana Rossignoli lembra que a unidade atende a uma clientela carente, que precisa ficar na escola em tempo integral para os pais trabalharem. A moradora do Vila Esperança II, na mesma região, Alisandra Aparecida, 35 anos, tem dois filhos no colégio. "Se não tivesse essa escola de tempo integral, ficaria difícil para eu trabalhar, porque teria que pagar alguém para olhar meus filhos durante a semana, e o meu salário seria só para isso."

De acordo com a diretora, o principal entrave para a construção de uma nova sede está relacionado à documentação do terreno. "Em 2011, um engenheiro de Belo Horizonte (da Secretaria de Estado de Educação) esteve aqui e confirmou a construção do prédio. No entanto, precisamos fazer algumas retificações em cartório que não conseguimos." E sem a escritura e o registro correto do terreno, o Estado não pode construir. Segundo Luciane, a última reforma aconteceu em 2008, quando foi construído um muro externo e reestruturados os banheiros.

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou, por meio de sua assessoria, que há um projeto de construção de novo prédio, mas a Superintendência Regional de Ensino de Juiz de Fora está em busca de um terreno para a obra. Ainda segundo a pasta, a partir da localização, será iniciado o processo para a construção.

 

Unidade mantém computadores nas caixas

A comissão também visitou a Escola Estadual Professor Francisco Faria. Segundo Jucelio, a unidade precisa de ampliação. A diretora da instituição, Vera Zambelli, contou que tenta intervenções no espaço desde 2011. Segundo ela, a documentação exigida para a reforma foi enviada em maio deste ano, mas a escola ainda não recebeu um posicionamento do Estado. Entre as principais demandas estão a troca das telhas para resolver o problema das goteiras e do calor excessivo, reforma da parte elétrica, criação de novas salas para atender a crescente demanda, além de salas de multimeios, laboratório e biblioteca, reestruturação da rede hidráulica e de esgoto e construção de cozinha e refeitório. "Quando chove, os cozinheiros levam a merenda de sala em sala, pois tem goteira no refeitório." A cozinha e o refeitório funcionam de forma improvisada em um espaço cedido pela Escola Estadual Almirante Barroso.

Vera também contou que, em 2008, a escola, que atende a 480 alunos, recebeu oito computadores que nunca foram usados por não haver espaço para colocá-los. "Estão em caixas ainda lacradas. Os aparelhos de TV e vídeo ficam perambulando de sala em sala, estragando com facilidade." A instituição foi projetada para oferecer somente educação infantil. No entanto, em 2007, passou a oferecer ensino fundamental, mas não houve ampliação da estrutura física. "A escola é de qualidade, com um Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 6,5, semelhante aos países desenvolvidos. Dedicamos ao pedagógico, mas não vemos retorno no físico. Queremos oferecer ensino integral, mas não temos infraestrutura para isso", reforça a diretora.

Segundo a assessoria de comunicação da SEE, um projeto foi entregue em maio pela direção da escola e está passando por análise. A assessoria informou ainda que não há um prazo para o resultado da análise e início da reforma na unidade.

 

* colaborou Eduardo Valente

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