Publicidade

13 de Março de 2014 - 06:00

Das 44 lâmpadas das marquises do Central, 20 estavam apagadas

Por Cíntia Charlene

Compartilhar
 
Cerca de metade das 44 lâmpadas acopladas ao teto das marquises da edificação ficam apagadas
Cerca de metade das 44 lâmpadas acopladas ao teto das marquises da edificação ficam apagadas

"Estamos nos sentindo abandonados. A área está no escuro. O teatro é uma das coisas mais bonitas de Juiz de Fora, mas o prédio está feio e correndo riscos. Na última administração, dois postes que ficavam em frente ao Central foram retirados, depois nunca mais colocaram outros", desabafa uma aposentada, 70 anos, que mora no entorno. A moradora se refere à falta de iluminação da Praça João Pessoa, localizada no Calçadão da Halfeld e que abriga um dos cartões-postais da cidade, o Cine-Theatro Central. O logradouro não dispõe de nenhum poste de iluminação.

A situação se agrava com as luzes precárias do teatro. Das 44 lâmpadas acopladas ao teto das marquises da edificação, apenas 24 estavam acesas nesta quarta-feira (12). De acordo com a vizinhança, as luzes externas do prédio não permanecem acesas à noite. Diante dessa realidade, moradores e comerciantes convivem com uma rotina de medo e insegurança.

"A gente corre muito risco, porque como vamos descer e subir nesta escuridão. Tive que colocar uma luminária na porta do prédio, e o reflexo vem na conta de luz", relata a aposentada. Ela ainda completa: "Se você acordar às 2h, assiste a filmes pornográficos, porque as pessoas fazem sexo aqui. Também há pessoas que fumam maconha sob a marquise."

A Tribuna esteve na região sete vezes no período noturno. Em três ocasiões, por volta das 20h30, encontrou pessoas dormindo na porta do teatro. Em dois dias, nem eventos de formatura que aconteciam no espaço afastaram as pessoas que fazem uso da área. Como não podiam usar as dependências do teatro, acomodaram-se na porta de uma loja no entorno. Uma supervisora administrativa que atua em um comércio da área revela ter receio de trabalhar à noite ali. "Fechamos mais tarde, e a galeria fica deserta. Antigamente tinha guarda circulando, agora não. Ver polícia aqui é difícil." Um porteiro de 65 anos completa: "Poderiam colocar mais luzes, porque aqui está ficando muito perigoso." Um vendedor, 20, evita passar pela via à noite. "Prefiro dar a volta a ter que passar pela praça."

A mesma realidade é temida pelos moradores da Rua São João. "O ambiente escuro favorece a presença de pessoas estranhas. Se tivesse tudo iluminado, elas não viriam para cá", afirma outra aposentada, 75. Uma professora, 52, ainda afirma: "Depois das 21h, não podemos sair de casa, porque não sabemos como voltar."

 

Responsabilidades

Sobre a falta de iluminação no espaço, a assessoria da Empav informou que a pasta já havia identificado o problema e que, por conta disso, encomendou dois postes iguais aos do Calçadão para serem instalados em frente ao Central. Em relação às lâmpadas apagadas, uma equipe da Divisão de Energia e Eletrificação vai ao local fazer uma avaliação do sistema de iluminação. A previsão é que os serviços sejam solucionados até o próximo dia 20.

De acordo com o pró-reitor de Cultura da UFJF, Gerson Guedes, as reclamações sobre a falta de iluminação e permanência de pessoas em situação de rua nas imediações são do conhecimento da universidade, responsável pela manutenção do teatro. "As galerias e a iluminação das marquises são responsabilidades da Prefeitura. Não podemos mexer nesta iluminação. Nossa responsabilidade é com as luzes da fachada e da parte de trás do teatro, que são mantidas acesas por um sistema de célula fotoelétrica. Mas, mesmo assim, elas conseguem iluminar toda a área." O pró-reitor ainda completa: "Inúmeros pedidos foram feitos por meio de ofícios e encaminhados à Administração Municipal. A resposta é que vão tomar as providências."

Sobre a falta de segurança no local, o comandante da 30ª Cia, responsável pelo policiamento na área central, capitão Herivelton Soares, explica que não existem dados estatísticos que comprovem que o local precisa receber patrulhamento reforçado. "Não temos delitos ali. Temos um problema que não é diretamente da Polícia Militar, mas de iluminação inicialmente. A pessoa fica insegura porque à noite não tem luz e pela presença do morador de rua." Segundo o comandante, recentemente, foi lançado policiamento a pé, de motocicleta e de bicicleta com militares circulando até tarde da noite na Rua Halfeld e no entorno.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que os resultados do programa "Olho vivo" vão inibir crimes nos locais onde estão as câmeras?