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12 de Julho de 2014 - 07:00

Por Tribuna

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Conceição Oliveira admite que nem sempre consulta um profissional na hora de tomar remédio
Conceição Oliveira admite que nem sempre consulta um profissional na hora de tomar remédio
Aparecida Deotti evita tomar remédio por conta própria
Aparecida Deotti evita tomar remédio por conta própria

Algumas doenças como resfriados, rinite, sinusite, entre outras, são mais comuns neste período de inverno. Para aliviar os sintomas, as pessoas costumam utilizar remédios não prescritos, como analgésicos, antitérmicos e antialérgicos. Mesmo parecendo inofensivos, eles podem causar sérios problemas à saúde dos pacientes se não tomados para os sintomas certos e na dosagem adequada. A automedicação pode agravar os problemas ou, até mesmo, mascarar doenças.

A auxiliar de serviços gerais Conceição Afonso de Oliveira, 41 anos, costuma fazer uso de medicamentos sem consultar um profissional. Entre eles, Paracetamol, anti-inflamatórios e até mesmo antibióticos. "Normalmente não melhoro e preciso procurar um médico", admite. Segundo a otorrinolaringologista Leticia Raquel Baraky, os antibióticos precisam ser tomados na dosagem e tempo corretos. "Se a pessoa tomar o antibiótico errado, ele pode ser insuficiente para matar a bactéria. Assim, a infecção pode voltar, e a bactéria ficar mais resistente. Quando precisar usá-lo para uma doença mais séria, ele não irá fazer mais efeitos", explica.

O aposentado Edmar de Paula, 69, além de fazer uso de itens por conta própria, ainda receita para outras pessoas. "Essa semana mesmo a minha ex-mulher estava com dores na perna, dei um Dorflex e um anti-inflamatório para ela, melhorou na hora. Eu ando com Dorflex no bolso para caso precisar."

Leticia ressalta que os usuários não têm o conhecimento para se automedicar. "O paciente é leigo e não tem nem o diagnóstico certo do problema. Ele toma um remédio achando que tem algo e pode, na verdade, ser outra coisa. Ele pode ter efeitos colaterais." O alergista Aristeu José de Oliveira acrescenta que alguns remédios são contra-indicados para algumas doenças. "Por exemplo, a pessoa tem uma simples febre e toma uma Dipirona, mas a febre pode ser dengue, e o analgésico poderá propiciar uma dengue hemorrágica." Outro ponto abordado por Leticia é a relação medicamentosa. "Nem sempre é possível associar dois remédios. Um pode cortar o efeito do outro."

 

Anti-inflamatórios

Recentemente, a venda de antibióticos passou a ser controlada e somente pode ser realizada mediante retenção de uma via da receita. No entanto, segundo Aristeu, os pacientes passaram a utilizar outra classe de medicamentos, os anti-inflamatórios. Embora utilizem drogas diferentes, para fins distintos, eles vêm sendo adotados para todo o tipo de queixa, desde dores de cabeça, na coluna, dor de garganta, entre muitas outras. "Os anti-inflamatórios podem causar lesões renais ou alergia", explica o alergista (ver quadro). Outro exemplo dado pelo médico são os antialérgicos. "Esse medicamento dá sonolência. Se a pessoa não sabe dessa reação e vai dirigir, pode provocar um acidente. Ou se vai trabalhar com maquinário, pode perder uma mão (ver quadro)."

Segundo a Sociedade Brasileira de Clínica Médica, os medicamentos são o principal agente causador de intoxicação em seres humanos, e as crianças menores de 5 anos representam cerca de 35% destes casos de intoxicação. Segundo Leticia, algumas das intoxicações frequentes na otorrinolaringologia são com o uso de xaropes para tosse e vaso construtor nasal em crianças, podendo levar à morte.

A professora Aparecida Deotti, 58, conheceu uma pessoa que tomou analgésico por conta própria e teve problemas renais graves. "Por isso, evito tomar remédio quando fico resfriada. Normalmente tomo bastante líquido e soro fisiológico. Eu acho perigoso se automedicar."

Algumas pessoas têm o mau hábito de guardar o que sobra dos remédios após o uso prescrito pelo médico para utilizá-los em situações mais leves, como picadas de insetos, pequenas lesões na pele ou até mesmo crises de tosse, o que não é recomendado. O correto é utilizar o remédio por tempo determinado, como por exemplo, por sete dias seguidos. Aristeu explica que uma forma de se automedicar de forma responsável é questionar o seu médico se, em determinadas ocasiões, o uso de determinado medicamento pode ser feito. "É importante que a pessoa tenha uma real ideia do que está tomando e procure saber com o seu médico se esporadicamente pode utilizar aquele remédio."

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