
Em um dia marcado por protestos e demissão de 25 agentes de endemias, dos 91 responsáveis pelo trabalho de prevenção e combate à dengue no município, foi assinado nesta sexta-feira (26) convênio entre a Secretaria de Estado da Saúde e a Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes) para a transferência de recursos do tesouro estadual nas ações de enfrentamento do vetor na macrorregião Sudeste. O montante, R$ 825.517,13, será usado para a produção de material informativo e a contratação de novos agentes de endemias e, se necessário, de profissionais da área da saúde. Durante a solenidade no anfiteatro da Prefeitura, que contou com a participação do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) e do secretário municipal de Saúde, José Laerte, o secretário estadual, Antônio Jorge Marques, demonstrou preocupação com a situação de Juiz de Fora, que tem hoje, segundo ele, o maior índice de infestação do Aedes aegypti de Minas Gerais, sendo que a maioria dos focos está dentro dos domicílios.
Conforme Antônio Jorge, se a hipótese de epidemia for confirmada, unidades de hidratação serão montadas na cidade para aplicação de soro e de outros medicamentos, permitindo a permanência do paciente por até 24 horas. A disponibilização de testes rápidos para a detecção precoce dos casos de dengue também foi anunciada. Até agora, foram notificados em Juiz de Fora cerca de 30 casos de dengue que ainda não foram confirmados. Em todo o estado, as notificações neste mês de janeiro ultrapassam 13 mil, contra 5.803 feitas no mesmo período do ano passado. Só em Ipatinga estão sendo feitas 250 notificações diárias. Um óbito foi registrado em Uberaba. Com 280 agentes de endemias em Minas, o Exército e a Aeronáutica poderão ser chamados a integrar o trabalho de combate.
O recrudescimento do vírus da dengue no município e no estado é ainda mais grave pela introdução do sorotipo 4, forma mais perigosa da doença. Embora Juiz de Fora ainda não tenha registro da tipologia, o surgimento de um caso em território mineiro aumenta o nível de alerta. "Felizmente Juiz de Fora não tem números importantes de notificação, mas tem esse alto índice de infestação de 7,56%. Essa é uma cidade 'fronteiriça' - o Rio tem uma situação endêmica sempre muito grave -, e também universitária, na qual a transação de pessoas por outras regiões é muito grande. Então, a perspectiva de termos aqui um quadro de surto, se não baixarmos a infestação, é muito grande. Por isso, o Estado está trazendo os recursos para cá. Com esses recursos vamos contratar mais agentes de endemia, se somando à força municipal, vamos contratar mais material de comunicação e vamos deixar pronto processo seletivo para contratar, se necessário, médicos e enfermeiros para a montagem de unidades de hidratação, oferecendo os insumos e os meios de diagnóstico necessários", explicou o secretário, que estava usando colete com o slogan da campanha: "Dengue: tem que acabar!" O prefeito Bruno Siqueira enfatizou que a participação da população é fundamental. "O cidadão e a cidadã de Juiz de Fora têm que ser nosso parceiro nessa guerra contra a dengue."
Agentes protestam contra demissões

Todos os agentes de endemias de Juiz de Fora paralisaram suas atividades nesta sexta-feira (25) em protesto contra o desligamento de 25 servidores. Segundo a Secretaria de Saúde, os demitidos não corresponderam às expectativas de trabalho. A pasta anunciou que vai convocar para o trabalho os 40 aprovados em concurso público e contratar, com o apoio da Superintendência Regional de Saúde, outros 50 agentes. Com isso, o número de servidores sobe de 76, depois das demissões, para 156.
Ao lado dos colegas demitidos e liderados pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu), os agentes fizeram uma manifestação, na tarde de ontem. Com cartazes de protesto, eles saíram do Ponto de Apoio da Dengue, na Avenida 7 de Setembro, Bairro Santos Anjos, Zona Sudeste, em direção à sede da Prefeitura, na Avenida Brasil. Dirigentes do movimento se reuniram com o secretário de Saúde, José Laerte Barbosa, que prometeu analisar de forma criteriosa as 25 demissões e pediu para que os funcionários voltassem ao trabalho neste sábado (26).
De acordo com o Sinserpu, os servidores foram desligados sem aviso prévio e só ficaram sabendo quando chegaram para trabalhar, ontem de manhã. O motivo, segundo o sindicato, seria que alguns dos agentes de endemias teriam faltado serviço, no sábado passado, quando aconteceu o Força Saúde na região Leste. Outros teriam simulado vistorias em casas que não foram visitadas. Os trabalhadores alegam que justificaram todas as faltas e que o serviço no sábado teria que ser recompensado com folga e pagamento de hora extra, o que a secretaria não estaria fazendo.
A subsecretária de Vigilância e Saúde, Glênia de Almeida, esclareceu que as demissões ocorreram depois de uma avaliação da equipe. "Estamos em estado de guerra contra a dengue, e alguns funcionários não estavam comprometidos com o trabalho." Ela diz que os agentes sabiam que seriam dispensados, caso não atendessem as exigências da pasta. Em relação ao momento das demissões, Glênia afirma que foi o tempo correto, já que, a partir do próximo dia 4, o Governo do estado vai começar um treinamento para agentes.
Está previsto para este sábado (26) o Força Saúde na Zona Norte. A secretaria de Saúde informou que, caso os agentes continuem protestando, não está descartada a convocação de servidores de cidades próximas para dar apoio a ação.



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