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03 de Julho de 2014 - 06:00

Por Tribuna

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Quase 700 crianças, adolescentes e jovens de Juiz de Fora expressaram por meio de redações como enxergam a violência urbana. Elas participaram de um concurso promovido pela Casa de Cultura Evailton Vilela, lançado em novembro passado e cujos vencedores começaram ontem a receber tablets como premiação.

Os primeiros contemplados foram os estudantes da escola Diretrizes, no Bairro Jardim de Alá: Patrícia Fiorito Gomes, 17; Stefany de Oliveira Teixeira, 14, e Arthur Corrêa Leite, 13, classificados em primeiro, segundo e terceiro lugares respectivamente.

A estimativa é de que, no próximo semestre letivo, sejam premiados alunos de outras três escolas municipais: Georg Rodenbach, Santa Cecília e União de Betânia. "Nossa proposta era de atender mais alunos em Juiz de Fora, mas conseguimos realizar o concurso em apenas quatro colégios, totalizando 690 crianças, porque, este ano, além do carnaval, tivemos greves escolares e Copa do Mundo, e ainda haverá eleições", comenta o presidente da Casa de Cultura, Jefferson da Silva Januário, conhecido como Negro Bússola.

Segundo ele, o objetivo do concurso, além de estimular a escrita, é aguçar o senso crítico dos alunos em relação às políticas públicas de prevenção à criminalidade para transformação do cotidiano.

A estudante Patrícia fala em sua redação sobre a importância do ensino. "Em primeiro lugar, deveria existir mais jovens nas escolas, deveria existir mais oportunidades para que eles pudessem ter um futuro fora da violência, sem envolvimento com o crack." Stefany expõe o mesmo ponto de vista: "O governo deveria investir mais em escolas, professores. Isso mudaria muita coisa em nosso país. Podia ajudar com mais verbas para a melhoria das escolas públicas e de praças públicas." Já Arthur comenta que ficou motivado a participar do concurso para retratar a sua indignação perante o mundo. Segundo ele, a maior parte dos crimes não é resolvida.

O presidente da Casa de Cultura leu todas as redações. Segundo ele, a maioria das crianças relata que a violência não é apenas agressão física. Para os alunos, o preconceito, a homofobia e o bullying também estão inseridos nesse contexto. "Uma criança fala sobre o despreparo dos seus pais. Ela relata que, se pudesse, acampava dentro da escola, pois em sua casa só há conflitos envolvendo drogas e bebidas. Isso é um ato violento. Outra criança relata que seu irmão afirma ter a sina de ser bandido, mas que ele (o estudante) vai ser doutor", relata Negro Bússola.

O concurso também contou com a participação de uma escola de Ubá, que mobilizou 428 alunos e obteve sete premiações.

O mesmo trabalho foi desenvolvido na Central de Acompanhamento de Penas e Medidas Alternativas (Ceapa) de Juiz de Fora, com 25 pessoas. "Fizemos o trabalho com os egressos do sistema fechado e que estão tentando se adaptar ao semiaberto. Nós queríamos ver o ponto de vista dessas pessoas, a forma como enxergam essa violência externa influenciando dentro da penitenciária", conclui Negro Bússola.

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