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08 de Janeiro de 2014 - 07:00

Candidatos encontram mais dificuldade para dirigir em vias com crateras, mato e falhas na sinalização

Por Cíntia Charlene

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Cratera e mato encobrindo o meio-fio na Rua Humberto Luigi Louisi
Cratera e mato encobrindo o meio-fio na Rua Humberto Luigi Louisi
Aluno de autoescola precisa ir para a contramão para desviar de buraco no Monte Castelo
Aluno de autoescola precisa ir para a contramão para desviar de buraco no Monte Castelo
Quebra de rede de esgoto leva perigo a condutor no Bandeirantes
Quebra de rede de esgoto leva perigo a condutor no Bandeirantes

Não bastasse o nervosismo na hora de fazer o exame para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), candidatos de Juiz de Fora precisam se preocupar ainda com as condições das vias onde são realizados os testes. Os problemas vão desde a sinalização precária ou inexistente até a falta de capina e a multiplicação dos buracos nos trechos dos circuitos a serem percorridos. Atualmente os exames ocorrem em cinco bairros da cidade: Monte Castelo, Vivendas da Serra, Parque Guarani, Aeroporto e Bandeirantes. A Tribuna visitou os espaços e pôde constatar as condições das vias onde são realizadas as provas. Para os entrevistados, as piores situações estão nas ruas do Monte Castelo, na Zona Norte, e do Vivendas da Serra, na região Nordeste. A balconista Paula Virgínia de Castro e Silva, 29 anos, não conseguiu ser aprovada em um exame realizado nesta terça-feira (7) no Vivendas da Serra. Para ela, a situação do asfalto foi um agravante: "Tinha buraco na rua (esquina das ruas Paulo Affonso Tristão com Humberto Luigi Louisi), e tive que desviar. Fui reprovada porque abri muito na hora de fazer o contorno. E o examinador me disse que o retorno tinha que ser mais fechado", desabafa.

O instrutor de autoescola Fabrício Botelli, 32, reforça as críticas: "Uma aluna minha foi reprovada porque não quis passar dentro do buraco, o outro porque, ao cair numa cratera, perdeu o controle do veículo." Segundo Fabrício, em virtudes das condições dos locais, nos dias de exames, os alunos ficam mais nervosos. O instrutor Thiago de Almeida Pinheiro, 27, acrescenta: "Antes das chuvas, eles já existiam, agora se multiplicaram e aumentaram o tamanho, por isso a situação piorou."

No Monte Castelo, as vias apresentam várias depressões, algumas cobertos por saibro. Na Rua Geraldo Gomes Ribeiro, as pessoas que fazem o exame precisam seguir pela contramão para desviar de uma cratera. Além dos problemas no asfalto, na Rua Maria Geralda Freitas, o aluno sofre com as faixas apagadas e com a falta de marcações, como a de parada obrigatória ou de conversão. O quadro não é diferente na Rua Coronel Pedro Porto, onde a sinalização horizontal quase não existe ou está em péssimo estado de conservação. A candidata Roberta Medina Matos de Souza, 36, fez três exames, dois deles no bairro onde foi aprovada na última segunda-feira. "Aqui tem muito buraco, não tem placa, e a maioria das vias não tem sinalização horizontal, e isso atrapalha. Você tem que desviar e prestar atenção em cada coisa." O empresário Diego Antunes Maffili, 23, completa: "Tudo na hora do exame exige atenção." O instrutor de autoescola Horácio Vieira, 52, está no ofício há 33 anos e explica que "o aluno não tem a vivência para desviar dos obstáculos com antecedência. Quando ele se depara com uma situação adversa, fica nervoso. Acho que o Poder Público deveria melhorar as condições das vias".

No Vivendas da Serra, apesar de o circuito onde são feitos os exames ser menor, os problemas persistem. Candidatos enfrentam, além da escassez de sinalização e dos buracos, a falta de capina. Na Rua Domingos Tavares de Souza, as depressões que existem no início do morro requerem maior concentração do aluno, que também precisa ir para a contramão para desviar dos obstáculos. Ainda no mesmo local, onde é exigido o controle de embreagem do condutor, o desafio é a falta de visibilidade do meio-fio que está tomado pelo mato alto. O mesmo ocorre na Rua Humberto Luigi Louisi, onde os motoristas ainda precisam desviar de uma árvore que está sem poda. O cenário encontrado foi o mesmo na Rua Paulo Affonso Tristão, principal via do bairro.

 

 

Problemas viários ampliam insegurança de candidatos

No Bairro Bandeirantes, Zona Nordeste, uma situação envolvendo uma erosão causada pela rede de esgoto quebrada levou ao afundamento na esquina das ruas José Libânio Rodrigues com Aurora Tristão, o que exige atenção redobrada de quem trafega pela área. Para orientar os motoristas, pedaços de madeira foram colocados na área. A sinalização horizontal apagada pode ser observada em várias ruas do bairro, inclusive na faixa de pedestres. Já a Rua Laurindo Nocelli recebeu a operação tapa-buraco recentemente.

Para a cabeleireira Daiana da Silva, 21 anos, uma das candidatas a obter a CNH, os problemas viários aumentam a insegurança dos candidatos. "No Bandeirantes tem muito carro parado na rua, e o movimento de veículos e pedestres é grande. No Monte Castelo, tem muitos buracos e a sinalização é horrível, não tem placa de parada obrigatória. Você fica com medo, e, na hora do exame, não sabe se passa em cima do buraco ou se desvia."

No Parque Guarani, as vias onde são feitos os exames também requerem revitalização. Logo no início do percurso do exame, os candidatos já se deparam com o primeiro obstáculo: na Rua São João Batista, a rotatória está apagada, assim como a indicação de parada obrigatória. O mesmo pode ser observado na Rua Miguel Gustavo, onde a sinalização é deficiente.

Na região do Aeroporto, os exames de direção têm início no estacionamento do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Lá as faixas de parada obrigatória e a rotatória estão apagadas. Outro agravante pode ser observado na Rua José Apolônio dos Reis. Em partes da via não existe meio-fio, e o mato alto prejudica a visibilidade. Todavia, apesar dos problemas em comparação com os outros locais de prova, é o ponto em melhores condições para a realização do exame. "O trajeto aqui é mais curto e o tráfego na região é mais tranquilo" afirma o instrutor Thiago Ferreira, 27.

Para verificar a situação da falta de capina nos pontos onde há exames de direção, o Demlurb vai enviar servidores aos locais citados. Conforme a necessidade, o endereço será incluído na programação do departamento para que seja realizada a limpeza o mais breve possível. Quanto à falta de sinalização em várias ruas onde há exames, a Settra informa, por meio da assessoria, que tem conhecimento do problema, e as respectivas vias já estão na programação para receber implantação e/ou manutenção de sinalização horizontal e vertical.

 

 

Afundamentos de asfalto em vários pontos

A situação precária do asfalto não está restrita às vias onde ocorrem os exames de direção. O quadro se agravou após as chuvas do final do ano, e em várias ruas houve quebras de redes de água e esgoto que levaram ao afundamento do asfalto, o que torna as pistas mais perigosas. No Centenário, na Zona Nordeste, moradores chamavam atenção para o problema na Rua São Domingos Sávio, onde uma erosão foi causada por quebra na rede pluvial. Moradores fizeram um cartaz, pedindo que a empresa responsável resolvesse a situação. A erosão ocupava parte da pista estreita, onde circulam veículos nos dois sentidos. Além do cartaz, até a última segunda-feira, o local estava sinalizado com galhos de árvore e cavaletes. "O buraco estava aberto desde o Natal", disse o auxiliar de motorista Pablo Vitor Barra, 18 anos, morador da região. Na tarde desta terça-feira, a assessoria da Prefeitura informou que a Cesama havia executado o reparo da erosão.

Quem trafega pelas ruas entre os bairros Manoel Honório e Bairu, na região Leste, também reclama. Na Rua Pedro Paulo, uma erosão causada pelo rompimento da rede pluvial próxima ao passeio desafia pedestres e motoristas. Um pedaço de pau com plástico preto foi colocado como alerta. De acordo com a cabeleireira Célia Rosa Cruz, 54, a cratera aumentou com as chuvas. "Está uma vergonha, não tem sinalização para orientar as pessoas, que podem inclusive se acidentar, quebrar uma perna." O quadro se repete na Rua Américo Luz, onde há uma rede de esgoto quebrada. Cavaletes e galhos de árvore foram colocados na via. A erosão fica próxima a uma faixa de pedestre. "O buraco está desde o Natal, eles fazem o conserto, mas não fazem a manutenção. Acho o serviço precário e incompleto, não existe um acompanhamento", desabafou o empresário Sandro Lopes, 44, que mora no bairro há nove anos. De acordo com a assessoria da PJF, a Cesama vai aos locais para fazer uma vistoria nesta quarta-feira pela manhã.

Ainda no Bairu, outra erosão chama a atenção na Rua Irmão Martinho, onde o asfalto afundou por causa da quebra da rede de esgoto. Um galho de árvore foi colocado para alertar quem transita pela via. Sobre o caso, a Secretaria de Obras afirmou que vai fazer o conserto nesta semana.

Para o subsecretário de Operação Urbana da Secretaria de Obras, José Walter Ávila, as chuvas do final do ano intensificaram ainda mais as erosões, que, devido aos tamanhos, demandam mais tempo para serem resolvidas. "O maior agravante que temos hoje em relação às erosões são as ligações clandestinas. No caso da rede de esgoto ligada à rede pluvial, a junção acaba com o fundo da manilha e, com a chuva, a água sai e surge a erosão. Já a ligação da rede pluvial no esgoto se dá quando as pessoas ligam o telhado à rede, e o equipamento não comporta o volume de água, aparecendo as erosões. É preciso que a população tenha consciência e não faça isso." A secretaria vai enviar uma equipe para verificar as situações denunciadas.

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