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11 de Abril de 2012 - 06:00

Com deficiência no recolhimento dos recicláveis, população reclama e deixa de realizar separação

Por Eduardo Vanini

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As falhas no sistema de coleta seletiva de Juiz de Fora têm levado moradores a desistirem de fazer a separação do lixo nas suas casas. Em vários pontos da cidade, é possível encontrar pessoas insatisfeitas com o serviço, por causa da irregularidades na rota dos caminhões e até abandono do atendimento em algumas ruas. Apesar de, no site do Demlurb, estar a informação de que "90% dos bairros (principais ruas) são atendidos pelo serviço", o órgão admite o problema, justificando a sobrecarga no sistema de coleta convencional, o que exige o deslocamento dos veículos que antes eram destinados ao atendimento especial. No entanto, a afirmação é de que será aberto processo licitatório para a contratação de novos caminhões destinados ao setor e uma parceria inédita com associações de catadores para incrementar a coleta, evitando o desperdício.

O diretor de Operações do Demlurb, Paulo Delgado, afirma que, na tentativa de solucionar o problema, deverá ser iniciado, no próximo dia 19, o processo licitatório que escolherá uma empresa responsável por operar dois caminhões, incluindo motoristas e quatro ajudantes. Os veículos, que devem entrar em circulação em até dois meses, serão exclusivamente destinados aos recicláveis, tendo as rotas divulgadas por meio de campanhas. O contrato, estimado em R$ 1.104.351,12, terá validade de três anos. Delgado também explicou que os outros dois caminhões que eram usados no serviço especial serão incorporados à frota convencional, para suprir a sobrecarga. Além disso, o departamento já prepara adequações internas com a mesma finalidade.

Enquanto as mudanças não são colocadas em prática, as reclamações sobre as perdas vêm de várias regiões. Moradora da parte alta do Cascatinha, na Zona Sul, a dona de casa Ionice Toledo conta que os caminhões da coleta pararam de passar em sua rua. "Há cerca de oito meses, um funcionário da Prefeitura fez uma reunião com os moradores, na qual apresentou os detalhes da coleta seletiva. Avisei a todos do meu prédio e solicitei que fossem comprados latões diferenciados. Dois meses depois, vi que os horários combinados não eram respeitados." Para ela, se não há rigor com o que foi acertado, não adianta, já que os moradores ficam desestimulados. "Hoje em dia, os veículos nem passam na nossa rua mais. O que poderia ser reaproveitado vai embora para o aterro."

Quem também se decepcionou com o serviço foi a comerciante Cilene Xavier. Moradora do Santa Tereza, região Sudeste, ela afirma que, há cerca de cinco anos, recebeu uma carta sobre os horários em que a coleta seletiva seria feita no bairro. Diante do comunicado, o lixo da sua residência começou imediatamente a ser separado, mas, alguns meses depois, os caminhões deixaram de passar pela via, tornando o esforço em vão. "Mesmo assim, continuei separando, porque é mais prático e permite uma economia de sacos de lixo. Não dá trabalho separar os resíduos. Acho lamentável esse tipo de postura, pois acaba aumentando o desperdício."

No Jardim Glória, região Central, a síndica de um condomínio onde há 15 apartamentos relata a mesma situação. A pedagoga Giovana Brígida Adário Vilete assumiu a função há cerca de um ano e diz que o prédio já fazia a separação. Entretanto, apenas nos dois primeiros meses de sua gestão, o recolhimento foi feito pelo Demlurb. Depois, o serviço foi interrompido. Mesmo assim, ela continua fazendo a separação para que os moradores não percam o hábito, já que isso envolveu um intenso trabalho de conscientização. "Reclamei com o órgão, mas nada foi feito. Acho isso um absurdo. Em tempos em que as crianças aprendem desde o maternal como devem cuidar do meio ambiente, a própria cidade não dá o exemplo."

Ajustes

De acordo com o diretor-geral do Demlurb, Anselmo Fernandes da Silva, a proposta é de que também sejam feitos outros ajustes no serviço de coleta seletiva, nos próximos meses. Entre as principais mudanças está a possibilidade de que associados a entidades de catadores integrem as equipes de ajudantes que atuarão nos caminhões. Isso porque, segundo ele, havia a reclamação de que alguns materiais eram previamente separados pelas equipes de trabalho, não chegando ao centro de triagem. Com a mudança, Anselmo espera que a destinação correta seja assegurada. Também há a possibilidade de alterações nos horários e rotas, além da adoção de sacos plásticos translúcidos para os recicláveis, garantindo, assim, mais controle sobre o material acondicionado.

Para Paulo Delgado, essas mudanças devem ser vistas como um projeto piloto, em que as ações com resultados positivos serão incentivadas. Ele também adiantou que as adequações devem ser praticadas junto com ações estratégicas de divulgação, as quais mostrem os resultados alcançados e incentivem a população a participar cada vez mais.

Ainda, sobre a parceria com os catadores, a expectativa é de que, após a licitação dos caminhões, eles sejam chamados para discutir a proposta. Antes de ser comunicada oficialmente, a presidente da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis de Juiz de Fora (Ascajuf), Janaína Silva, afirma que considera importante o projeto, no entanto, pondera ser preciso maior envolvimento entre a Administração Municipal e a categoria. Na visão dela, é fundamental que o Executivo lance mão de auxílios financeiros, de pessoal e infraestrutura para que as entidades que reúnem os catadores tenham condições para dar o tratamento adequado ao material vindo da coleta seletiva.

 

Doação de recicláveis é alternativa

A advogada ambientalista Ilva Lasmar também lamenta a falta de uma coleta seletiva compatível com a demanda da cidade. "Essa falta de logística desestimula a população e, com isso, a cidade está perdendo dinheiro também, já que muito material com valor é jogado fora. Tudo isso sem falar do impacto sobre o meio ambiente." Porém, ela chama atenção para o fato de que a deficiência não deve inibir um tratamento consciente do lixo. Ela conta que no prédio onde mora, no Bairro Santa Helena, região central, não há trabalho de separação. Mesmo assim, ela busca alternativas. "Guardo vidros para doar a uma entidade que faz a captação de leite materno, que tem uma carência enorme desse material. Já papel e plástico tento entregar aos catadores."

Facilidade

Para quem vê nas entidades a possibilidade de uma destinação mais correta, algumas instituições garantem até mesmo o transporte gratuito dos objetos (ver quadro). É o caso da Ambiente Limpo, que recolhe materiais de informática, como placas de computador, monitores e demais peças que não funcionam. Além disso, segundo a gestora ambiental da entidade, Laís Guerra Pires, no caso de empresas que fazem grandes doações, é oferecido um certificado pelo ato. Já no Banco de Leite Humano, a demanda por recipientes de vidro é bastante alta. De acordo com a coordenadora Bernadete Monteiro, o transporte também pode ficar a cargo da unidade caso o volume de material reunido para doação seja grande.

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