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28 de Março de 2014 - 07:00

Por Tribuna

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Após 4 meses de espera, mãe recebe o leite Aptamil pepti, destinado ao filho, 2 anos
Após 4 meses de espera, mãe recebe o leite Aptamil pepti, destinado ao filho, 2 anos

Crianças com alergia à proteína do leite de vaca (APLV) podem conseguir leites especiais gratuitamente pelo SUS, já que os produtos são considerados tratamentos de saúde. Para que a entrega seja possível, a alergia deve ser diagnosticada por um médico, que elabora um relatório justificando a necessidade do leite especial e faz a prescrição. No entanto, cada cidade tem um procedimento diferente para distribuição das fórmulas infantis especiais. Juiz de Fora já possui um programa de dispensação do leite, mas, apesar disso, relatos de dificuldade de acesso ao item são comuns.

A pediatra Cristina Mara Nunes relata que a falha na distribuição tem sido frequente com seus pacientes. "É uma situação corriqueira. Todos os dias, no ambulatório onde trabalho, nos deparamos com esses casos. Muitas vezes, temos que internar a criança para oferecer o leite. Porque não tem como deixá-la em casa, com diarreia. Você leva a criança a uma internação desnecessária, ocupando um leito, correndo risco de pegar uma infecção hospitalar. Mas, naquele momento, ela precisa estar ali para receber o alimento, que é o tratamento indicado."

Fabiana Nogueira é mãe de uma criança de 2 anos que sofre com esse problema. Ela recebeu uma carta-resposta da Ouvidoria de Saúde, no dia 27 de novembro do ano passado, relatando que o suplemento solicitado com o protocolo 34.886 já estava disponível no Departamento de Internação Domiciliar. Fabiana foi ao local indicado, mas não havia o leite solicitado, o Aptamil pepti. Desde então, ela iniciou um processo exaustivo e demorado, procurando respostas da Secretaria de Saúde. Somente este mês, Fabiana conseguiu ter acesso a dez latas, sendo que cada uma custa, em média, R$ 60. Segundo a mãe, são necessárias dez latas ao mês, comprometendo R$ 600 da renda familiar. "O caso dela é ainda mais complicado. O filho não tem só alergia alimentar, como também possui intolerância à lactose e baixo peso. A criança sofre com uma diarreia crônica e só dá certo com esse leite. Ele desenvolveu muito após a introdução dele", relata a pediatra Cristina.

Como a Ouvidoria havia concedido um parecer positivo à Fabiana, ela não pode recorrer à Justiça e teve que procurar doações e ajuda dos familiares para conseguir manter a alimentação especial do filho. "Nunca me foi negado. A minha indignação está na demora, porque, se existe um orçamento para a saúde, se esse leite está na lista, não pode demorar quatro meses para que eu receba."

Na caixa onde estavam acondicionadas as latas de leite recebidas por Fabiana, constava que a data de entrega na Secretaria de Saúde foi 23 de dezembro de 2013. O lote da lata do Aptamil pepti (293482) confere com o indicado na caixa, o que demonstra que o produto de fato estava no município, mas não havia sido distribuído. A Tribuna entrou em contato com a responsável pelo Departamento de Internação Domiciliar, Verônica Aparecida Mendonça. De acordo com ela, a caixa de leite pertencia a outro setor. "A gente pegou o leite emprestado na Secretaria de Saúde, que atende às demandas judiciais. Quando chegou o nosso, a gente devolveu."

Verônica relatou que o departamento presta assistência domiciliar desde 2012, porém, somente em agosto de 2013, ao se habilitar no programa do Governo federal "Melhor em casa", iniciou o fornecimento de itens das dietas aos pacientes. Segundo ela, por isso ocorrem atrasos. "A gente ainda está estruturando a parte da compra, que demora um pouco. Vamos tentar reduzir este tempo. Essa demanda é crescente, e começamos faz pouco tempo. Estamos fazendo um levantamento para realizarmos uma compra segura que vai atender a esses pacientes, sem acontecer atrasos."

Além disso, de acordo com a ouvidora de Saúde Samantha Borchear, a única nutricionista responsável pelo acompanhamento dos pacientes cadastrados no programa, pediu demissão e não atende mais pelo Departamento de Internação Domiciliar, desta forma, a situação se agravou em Juiz de Fora. Samantha relata que as pessoas estão sendo informadas sobre o motivo do atraso e que algumas chegam a entender a circunstância.

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