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08 de Junho de 2014 - 06:00

Usuários reclamam de problemas em veículos, que atrasam as viagens e prejudicam trabalhadores, que se atrasam para chegar ao emprego

Por Eduardo valente

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Uma hora e 30 minutos dentro de um ônibus, em pé, e enfrentando situações de risco extremo. Esta é a realidade dos moradores do distrito de Torreões, distante 38 quilômetros do Centro de Juiz de Fora e que tem, em seu itinerário, caminhos estreitos e sinuosos, como as estradas do Morro Grande e de Rio Preto, além da BR-040. Embora circulando por rodovias, esta linha, com disponibilidade de horários limitada, fica superlotada em horários de pico. São mais de 30 pessoas sem lugar para sentar que, não bastando terem que acordar antes do dia nascer, precisam enfrentar o cansaço antes de iniciar o trabalho. Pior: o ônibus quebra, e isso não ocorre em situações isoladas.

A Tribuna viajou por esta linha no dia 13 de maio, uma terça-feira. Era 6h15 quando o repórter se apresentou aos moradores no primeiro ponto da localidade, que já estava lotado. Surpreendentemente não havia tumulto, e as mais de 20 pessoas que aguardavam o ônibus se organizavam em fila. O respeito - que pode ser considerado uma exceção à regra - era geral e tinha por objetivo franquear a viagem sentada para aqueles que saem de casa mais cedo. Era quase um prêmio, principalmente considerando o frio daquela manhã. Segundo os usuários, a dificuldade é ainda maior no período de chuvas.

Uma semana antes, alguns passageiros desta linha correram o risco de serem prejudicados em seus empregos. Nos dias 5, 6 e 8 (segunda, terça e quinta-feira), o ônibus que sai de Torreões às 6h50 quebrou, fazendo as pessoas chegarem aos seus trabalhos depois das 10h. "Parece que foi alguma coisa na bomba de combustível. Na segunda-feira, isso aconteceu logo na saída de Torreões, e tivemos que esperar outro vir da garagem. Para nossa surpresa, na terça-feira, aconteceu a mesma coisa, com o mesmo carro, mas na estrada de Rio Preto, onde nem tem sinal de celular. Na quarta-feira, nos mandaram outro coletivo, mas vimos aquele defeituoso, número 956, fazendo a linha da Padre Café. Na quinta-feira, ele retornou para nós e voltou a quebrar", disse o auxiliar de escritório Ribamar Ribeiro de Almeida, 32 anos, que sempre viveu em Torreões.

Conforme o serralheiro Bruno Alberto Roberto, 28, que mora há 14 em Torreões, os veículos que atendem o distrito são muito antigos, e por isso os defeitos na estrada são constantes. Ele conta que não é raro se atrasar para o emprego devido a estas falhas técnicas. Quando chega ao Centro, o passageiro ainda precisa de outro coletivo para dirigir-se ao trabalho, na Vila Ideal, na região Sudeste. De acordo com a doméstica Rosely da Silva Inácio, 27, que trabalha no São Mateus, seu patrão perdeu uma reunião importante porque não podia sair de casa e deixar os filhos pequenos sozinhos, enquanto ela não se apresentava. "Cheguei quase às 10h. No primeiro dia, eles até entenderam, no segundo também. No terceiro, desconfiaram, o que é inevitável."

 

Prejuízos: comboio em direção à UFJF

Os universitários que dependem do transporte público para chegar ao Campus da UFJF também vivem uma rotina de desconforto e impaciência. Também são prejudicados nas disciplinas por causa dos atrasos. A linha 722, que inicia a viagem na Zona Norte, passando por bairros como Santa Cruz, Nova Era, Benfica, Cidade do Sol e Fábrica, foi uma das com maior demanda observadas pela reportagem durante os 29 dias de apuração. Embora o público-alvo seja de estudantes, é possível identificar outras demandas nesta rota, principalmente de trabalhadores que atuam na Cidade Alta. No dia 8 de maio, uma quinta-feira, o coletivo encontrava-se lotado, apesar de usuários afirmarem que a situação fica pior. "Hoje está até vazio. Às vezes, vai gente até sentada no capô do motor e nas escadas", disse a empregada doméstica Sônia Aparecida Reis, 34, que trabalha na casa de uma família em condomínio no Bairro São Pedro.

A estudante de medicina Luciana Francione da Silva, 17 anos, mora no Bairro São Judas Tadeu e contou que entre sua casa e a UFJF são aproximadamente 90 minutos. "Subo na Avenida Doutor Simeão de Faria (Santa Cruz) e preciso passar por Benfica até que o ônibus comece a seguir em direção à universidade, isso quando não quebra, o que é comum na Estrada Engenheiro Gentil Forn." Quem confirma a situação é o funcionário público federal Paulo de Oliveira Pereira, 65, morador do Barbosa Lage. "Já cheguei a contar mais de 120 pessoas dentro de um único ônibus, e isso é uma situação de risco para todos os usuários, principalmente na subida da serra. Defeitos mecânicos ocorrem constantemente. Já reclamei na Settra, mas não adianta."

Já no campus, foi possível constatar que o ônibus chegou junto com o coletivo do horário seguinte da mesma linha, com viagem iniciada cinco minutos depois. Na opinião da estudante de psicologia Paloma Severo, 18, faltam veículos para atender a crescente demanda. "Na hora da volta, é ainda pior. Dificilmente consigo retornar por esta linha, porque os horários são muito limitados. Prefiro descer até o Centro e, de lá, pegar outro que me leva até o bairro", disse ela, que também é moradora do São Judas Tadeu.

Linha 525

Do Centro à universidade, existem quatro linhas: 525, 535, 545 e 555. A Tribuna percorreu a primeira delas no dia 6 de maio, uma terça-feira, no fim da tarde. Esta foi uma das viagens na qual a equipe se apresentou para motorista e cobrador, já que havia dois repórteres com objetivo de produzir material em vídeo para o site do jornal. A presença desagradou o cobrador que chegou a sair de sua cadeira e pedir para não ser filmado, no que foi atendido. Nesta linha, a principal reclamação é quanto ao suposto comboio dos veículos dentro da universidade. Fotos enviadas para a reportagem no início do mês de maio comprovam a denúncia, mostrando quatro veículos parados no ponto final, em frente à Faculdade de Engenharia.

Segundo a estudante de engenharia Cássia Aparecida Nocelli, 22, os horários previstos são constantemente desrespeitados. Este fato foi confirmado pelo aluno de engenharia de produção Leonardo Rocha Vidal, 18, acrescentando que os veículos não passam no horário e, quando vêm, são três juntos. "Na semana passada, perdi aula porque cheguei ao ponto às 18h, e o ônibus passou depois das 19h. E perder aula de cálculo é bem complicado." Para a estudante de economia Mayra Barroso dos Santos, 20, a situação nos pontos é outro problema. "Subi na Avenida Itamar Franco, que não é tranquilo. Quando quero tentar ir sentada, vou andando até a Getúlio Vargas", disse a moradora da Rua Batista de Oliveira, no Centro.

Próxima página : Entrar nos coletivos em meio ao empurra-empurra e conseguir um assento são outras dificuldades enfrentadas pelos usuários. 

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