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07 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Pessoas com deficiência encontram dificuldades para utilizar os serviços de ônibus e táxi na cidade

Por Flávia Crizanto

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Ter acesso a um transporte de qualidade é um desafio para a maioria da população. Entretanto, para os cidadãos que possuem algum tipo de limitação física, a situação é ainda pior. Muitos deles encontram dificuldades até mesmo para utilizar os serviços adaptados de ônibus e táxi. Segundo os usuários, os problemas acontecem cotidianamente, mas se agravam aos finais de semana, principalmente porque os táxis adaptados não respondem aos chamados, mesmo com os dez veículos especiais existentes para atender a essa demanda. O problema motivou a realização de uma reunião no último dia 23 entre taxistas, ONGs, Settra e Secretaria de Defesa Social, além de uma comissão que irá acompanhar o andamento dos trabalhos.

"Precisamos desse tipo de transporte especial, principalmente para consultas médicas. E, nos fins de semana, queremos passear e ter um momento de lazer, mas está impossível. Essa situação está mexendo com meu emocional, não podemos sair de casa, não podemos fazer nada", reclama Eloísa Ferreira, mãe de uma menina de 8 anos, com paralisia cerebral. Há duas semanas, ela fez um pedido de táxi para se deslocar do Bairro Fábrica, na Zona Norte, até a sua casa, no Nossa Senhora das Graças, região Sudeste. A resposta que recebeu da central de atendimento é que havia dois veículos adaptados, mas não estava sendo possível contactá-los. O jeito foi acomodar a filha em um táxi comum, "o que acaba sendo um sofrimento para a menina, pois o veículo não tem estrutura adequada".

Coletivos

Após o ocorrido, foi a vez de Eloísa tentar pegar um ônibus, o 119, da linha Santa Luzia/Nossa Senhora das Graças. "A rampa não estava funcionando, e o coletivo circulava mesmo com defeito. O motorista do ônibus teve que me ajudar a carregar a cadeira. Na volta, novamente, o mesmo ônibus e o mesmo martírio. Não aguento mais, não queremos esmolas, queremos nossos direitos respeitados", desabafou.

Antônio Furtado, presidente da ONG Vitória, que atende 153 crianças com deficiência física, conta que o problema não é recente. Pai da adolescente Vitória, 15, ele constantemente enfrenta problemas para transportá-la. "Será que as empresas de ônibus não têm um fiscal? Por que não checam o veículo antes de sair da garagem?" Furtado pede ainda uma fiscalização mais rigorosa do serviço de táxi para transportar cadeiras de rodas. Ele atesta a dificuldade em conseguir o carro especial. "Sempre ouvimos desculpas, como a de que o carro está longe, que vai demorar. No domingo, chamamos o táxi e ele não apareceu", relata.

A chefe do Departamento de Políticas para Pessoas com Deficiência e Direitos Humanos da Secretaria de Defesa Social, Thais Altomar, confirma que as reclamações contra a falta de táxi adaptado é comum. "Temos relatos de pessoas que dizem chegar no ponto, e o motorista sair." Thais ressalta que, em dezembro do ano passado, foi procurada por alguns taxistas que confirmaram a veracidade de algumas reclamações e propuseram um estudo para tentar encontrar uma solução. A ideia é implantar um aplicativo para rastrear esses veículos. Essa interação poderia minimizar custos de deslocamento e manutenção. Além disso, eles também solicitam treinamento para aprenderem a lidar melhor com as pessoas com deficiência", explica.

Registro de denúncias

Para o secretário de Transporte e Trânsito, Rodrigo Tortoriello, "é preciso tomar cuidado com a ideia de que não existem táxis em Juiz de Fora. A dificuldade, na verdade, pode ser saber onde o veículo está. Entretanto, vamos estudar a possibilidade de abertura de novas placas". A pasta ressalta ainda, que, neste mês, serão disponibilizadas no site da Prefeitura de Juiz de Fora informações sobre pontos, telefones dos carros adaptados, entre outros dados, com o objetivo de aproximar o usuário do taxista.

Tortoriello lembra que a lei prevê punição para o motorista que recusa a corrida. "No entanto, mais do que punir, queremos que o usuário seja atendido. Porém, caso essa situação aconteça, é muito importante que a denúncia seja feita." O telefone para realizar esse procedimento é o 3690-8218, e o e-mail é o settraatende@pjf.mg.gov.br. Para formalizar a reclamação contra ônibus ou táxi é preciso informar o nome completo e CPF do usuário e os dados da ocorrência, como local, data, hora, número da linha e veículo e, no caso do táxi, a placa. A opção de solicitar o atendimento diretamente com o permissionário ou auxiliar também pode ser uma alternativa para quem precisa de táxi adaptado. Os telefones estão disponíveis na Settra e podem ser solicitados pelos telefones 3690-8218 ou 3690-7766.

Quanto à linha de ônibus 119, a assessoria de imprensa da Settra informou que entrou em contato com a empresa Santa Luzia e solicitou a revisão do elevador do carro.

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