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18 de Abril de 2014 - 07:00

Locais de grande fluxo na área central, Zona Sul e Zona Norte carecem de sinalização

Por Nathália Carvalho

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Rotatória da São Mateus com Dr. Romualdo: perigo em todas as direções
Rotatória da São Mateus com Dr. Romualdo: perigo em todas as direções
Esquina de Olegário e São Sebastião: faixas distantes e movimento intenso
Esquina de Olegário e São Sebastião: faixas distantes e movimento intenso
Acesso Norte: corrida arriscada nos pontos de ônibus
Acesso Norte: corrida arriscada nos pontos de ônibus

Na grande maioria das vezes, o risco para aqueles que desejam realizar uma travessia em vias de grande movimentação já é alto. Entretanto, falta de visibilidade e sinalizações inadequadas obrigam os pedestres a depender ainda mais da própria sorte. Com base em denúncia de moradores, a Tribuna percorreu ruas da cidade e constatou locais importantes e de grande fluxo que estão sem faixas de pedestres. A reclamação, por parte da população, se deve principalmente, pela total impossibilidade de travessia em horários de pico, como é o caso da Avenida Olegário Maciel e da Rua São Mateus. Outro problema, identificado na Zona Norte, está relacionado à inexistência de faixas próximo a pontos de ônibus. Além disso, especialistas criticam a Avenida Rio Branco, devidamente sinalizada mas palco constante de atropelamentos, dado o perigo oferecido a quem trafega por ali. Somente em 2013, 21 pessoas morreram após serem atropeladas no trânsito da cidade, número três vezes maior do que o ano anterior. Deste total, cinco foram na Rio Branco.

Segundo consta no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), para cruzar a pista de rolamento, o pedestre deve tomar precauções de segurança, levando em conta fatores como visibilidade, distância e velocidade dos veículos, e utilizando sempre faixas que existam numa distância de até 50 metros. Contudo, mesmo com o movimento intenso a qualquer hora do dia, na interseção das ruas São Mateus e Doutor Romualdo, no Bairro São Mateus, Zona Sul, não há nenhuma faixa de pedestres. Na confusa rotatória, pedestres se arriscam entre os carros e, muitas vezes, são obrigados a ficar parados no meio da pista, aguardando a boa vontade dos condutores para concluir a travessia. Para piorar a situação, nenhuma faixa é vista ainda nas proximidades do cruzamento.

A aposentada Rosângela Carvalho questiona a falta de sinalização. "Temos que ficar olhando para os dois lados o tempo inteiro, é muito confuso isso aqui. Acho que deveria ter pelo menos um sinal", sugere. Enquanto a Tribuna estava no local, uma jovem tentou atravessar na Doutor Romualdo. Como um carro que seguia em direção à Avenida Itamar Franco deu passagem, ela iniciou a travessia. Contudo, quase foi atropelada por outro que seguia na direção contrária, que buzinou para que ela parasse. Cenas como essa são recorrentes, segundo moradores. "Essa rotatória não funciona para o pedestre. Costumo atravessar antes para não ter que enfrentar esse caos", acrescenta a aposentada Terezinha Leite, de 88 anos.

Na ausência de semáforo, a preferência será sempre do pedestre, conforme explica o especialista em planejamento em transporte urbano e engenharia de tráfego, Luiz Antônio Moreira. Mas, segundo ele, a situação da rotatória do São Mateus deve ser vista com cuidado. "É um local benéfico ao tráfego de veículos porque permite que o motorista faça qualquer movimento desejado, mas extremamente perigoso ao pedestre porque a preferência acaba sendo de quem está circulando na rotatória. Assim, o pedestre fica sem espaço e dependente do respeito dos condutores, algo que infelizmente não acontece. O ideal seria haver uma faixa, mas é importante que isso não atrapalhe o 'pare' marcado na pista."

A Settra informou, por meio de assessoria, que irá fazer uma avaliação, nos próximos dias, do cruzamento, para analisar quais equipamentos podem ser implantados para garantir mais segurança na travessia dos pedestres.

 

Rapidez para contornar insegurança

Na Avenida Olegário Maciel, cruzamento com a Rua São Sebastião, na altura do Bairro Santa Helena, na área central, o problema é parecido. Quem está descendo a rua do lado direito, sentido Centro, esbarra na impossibilidade de atravessar ao chegar na Olegário. As faixas de pedestres mais próximas estão há um quarteirão de distância, próximo aos semáforos, e os pedestres acabam optando por contar com a boa vontade de alguns motoristas para atravessar. O pintor Benjamin da Silva, 63, sempre utiliza a travessia, que considera perigosa. "Temos que ficar atentos porque aqui vem fluxo de carro das duas vias", diz.

Para cruzar a Olegário com mais segurança, a doméstica Imaculada de Melo, 66, opta por atravessar para a Praça Pedro Marques, em frente à Igreja Melquita. "Aproveito para atravessar quando fecha o sinal da outra esquina (Olegário), mas tem que ser rápido antes que abra o da Benjamin." O jardineiro Adão da Silva, 40, pede sinalização para o ponto. "Aqui precisa de um sinal ou faixa de pedestres, pelo menos. É uma reivindicação antiga."

O presidente da ONG Pense: Menos Velocidade, Mais Vida, Gerson Meirelles, comenta sobre a dificuldade em se conseguir iniciativa política para melhorar a segurança dos pedestres, mas pontua que o maior causador de acidentes ainda é a falta de conscientização tanto de pedestres quanto de motoristas. "Sabemos que vários pontos são deficitários de sinalização, mas é necessário trabalhar as questões de respeito no trânsito porque não é só a faixa que vai resolver o problema."

Em relação ao cruzamento da Olegário, a Settra informou que um técnico responsável pelo local está realizando análise, para avaliar a necessidade e viabilidade de implantação da faixa de travessia.

 

Vias da Zona Norte exigem paciência

Realizar a travessia com segurança no Acesso Norte também é algo complicado. No trecho que compreende os bairros Industrial e Parque das Torres, na Zona Norte, existem vários pontos de ônibus e pontos comerciais. Contudo, nos quase quatro quilômetros de trajeto, poucas são as faixas de pedestres, e algumas carecem de revitalização. A Tribuna flagrou carros trafegando em alta velocidade, enquanto pedestres aguardam ou se arriscam entre os veículos.

Segundo a população, os acidentes e atropelamentos são constantes na via. "É arriscado para as mães quando estão levando e buscando os filhos na escola, porque criança não tem paciência de esperar para atravessar", comenta o morador do Parque das Torres, Raimundo Félix, 57 anos, se referindo à travessia de acesso ao bairro. Segundo ele, em horários de pico, a situação é ainda mais grave.

Na altura do Barbosa Lage, dos dois locais de parada para os coletivos, apenas um está devidamente sinalizado. O que causa risco aos pedestres é justamente a travessia na altura do acesso à Represa João Penido, no cruzamento com a Rua Honório de Brito. No local, há um tráfego intenso de veículos e pessoas, mas não existe qualquer sinalização. "Deveria haver pelo menos algo que indicasse a preferência", diz o comerciante Luiz Gustavo Gonçalves.

Com relação ao Acesso Norte, a Settra informou que o local teve a sinalização horizontal revitalizada e que os serviços para colocação da faixa de pedestre na divisão dos bairros Jóquei II e Jóquei III está programado para ser executado em maio.

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