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12 de Julho de 2014 - 07:00

Ouvidoria Regional de Saúde tem registrado média de cinco ocorrências por dia do problema, que afeta Uaps e farmácias municipais

Por Kelly Diniz

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Após três meses da contratação da empresa Unihealth Logística Ltda para armazenar, gerenciar e distribuir medicamentos junto às unidades de saúde públicas do município, usuários ainda enfrentam problemas de falta de remédios e insumos. A dificuldade de acesso aos medicamentos afeta unidades de atenção primária à saúde (Uaps) e farmácias municipais. A situação tem levado os pacientes do SUS a registrar de quatro a cinco ocorrências por dia na Ouvidoria Regional de Saúde.

Usuários das Uaps afirmam que remédios para hipertensão, antibióticos e insumos para curativos são os que mais faltam nas unidades. Já nas farmácias municipais, a principal reclamação é a falta de Prolopa, usado no tratamento de Mal de Parkinson. O sogro do aposentado Sérgio Luiz Moreira Barros, 58 anos, faz uso do Prolopa há cerca de dois anos. Ele busca três caixas por mês do item na Regional Centro-Sul, mas há três meses o remédio não chega à unidade. Quando Sérgio liga para saber sobre o produto, a resposta é sempre a mesma: os medicamentos do mês já chegaram, mas Prolopa não veio e não tem previsão. O preço do item no varejo está em torno de R$ 50. "Assim como este, acredito que muitos outros remédios de alto custo devem estar faltando. Tenho certeza que muitas pessoas estão sendo muito prejudicadas por conta da falta sistemática de medicamentos."

De acordo com o subsecretário de Gestão da Secretaria de Saúde, Mariano Miranda, o Prolopa é um dos medicamentos mais caros da cesta básica. "A licitação é demorada, mas já foi encerrada e só falta assinar o contrato. Nas próximas semanas, o Prolopa deve começar a ser distribuído."

Na Uaps do Ipiranga, região Sul, está em falta o Losartan e o Metildopa, segundo o presidente da Associação de Moradores, Jorge de Brito. "A Uaps atende cerca de 15 mil usuários das 14 áreas abrangentes. É muito grande o consumo para pouco medicamento que a Secretaria de Saúde manda. Na última segunda-feira é que começaram a distribuir glicosímetro", conta Jorge. No Jardim Natal, Zona Norte, a lista de medicamentos em falta é grande: soro nasal, Penicilina, Bromoprida, Nistatina, Sinvastatina 10mg e Clenil 50ml spray nasal. No Linhares, na região Leste, sempre falta Atenolol 50mg, Losartan, Etilmorfina, Nifedipino 20mg e Amlodipina 5mg, segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro, Ely Eduardo Sobreira. "Esses medicamentos não dão para o mês todo. Acabam rápido." Na Uaps do Santo Antônio, região Sudeste, estão em falta Nifedipino, Captopril, Hidroclorotiazida.

A assessoria da Secretaria de Saúde informou que, no caso das Uaps, somente dois dos medicamentos citados não têm na rede: o Sinvastatina e o soro nasal. Os outros remédios constam no estoque. A demanda do Santo Antônio foi entregue na última quinta-feira. A Uaps do Ipiranga finalizou o pedido nesta sexta-feira (11) e deve receber todos os medicamentos no dia 18. Já o Jardim Natal concluiu o pedido na última quarta-feira, e a entrega será realizada no próximo dia 16. O subsecretário de Gestão da Secretaria de Saúde, Mariano Miranda, afirma que há 95% de cobertura da cesta básica do SUS. "Dos 140 medicamentos, somente seis ou sete estão em falta."

 

Produtos insuficientes

Já nas Uaps do Borboleta, na Cidade Alta, Bandeirantes, região Nordeste, e Santa Luzia, Zona Sul, o problema é o estoque. Os remédios sempre faltam no final de cada mês. "Eles estão realizando entrega emergencial. Mas logo que chega, acaba. Não estão conseguindo abastecer o que é pedido para o mês todo. Estão tapando buraco", conta a moradora do Borboleta Teresa Cristina Eiterer.

Mariano admite que teve problemas na distribuição por duas semanas. No entanto, ela já está normalizada. "A gente tem feito estudo de utilização racional, e trocamos uma rota mensal por duas quinzenais. A empresa vai de 15 em 15 dias nas Uaps, feitas rotineiramente. Eu me comprometi com as Uaps em fazer entrega imediata, com prazo máximo de 48 horas, quando falta algum medicamento." Ele ainda ressalta que, após a implantação do projeto de gestão, o abastecimento será automático. "Também teremos um fiscal a cada cinco Uaps para verificar a situação das unidades." O projeto deve ser concluído no próximo mês.

 

Armazenamento

Segundo Mariano, os produtos que foram encontrados armazenados de forma inadequada em um imóvel na Avenida Itamar Franco 2.585, no São Mateus, Zona Sul, estão sendo analisados por uma comissão da Secretaria de Saúde. "A comissão irá apresentar relatório averiguando possíveis prejuízos para que a empresa possa ressarcir o Município. O processo foi instaurado. Após notificação, a empresa terá prazo de defesa." Enquanto ocorre a perícia, os produtos estão de quarentena. Ainda não há previsão para finalização do relatório.

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