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08 de Maio de 2014 - 07:00

Menina morreu na noite de terça-feira, mas necropsia só foi feita no dia seguinte

Por Marcos Araújo

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Demora na liberação de corpos é situação recorrente e antiga
Demora na liberação de corpos é situação recorrente e antiga

Dezesseis horas de espera para ter de volta o corpo da filha, de 6 anos, para dar início ao velório. A situação foi vivenciada pela família da menina Estefani Gualberto Adames dos Reis, que morreu na última terça-feira (6), depois de um acidente de bicicleta, no qual ela sofreu traumatismo craniano e fraturas múltiplas. Ela seguia de carona na bicicleta que se chocou contra um muro e era guiada por uma adolescente de 13 anos. O caso aconteceu na Rua Maria Gonçalves Torres, no Bairro de Lourdes, na Zona Leste. O corpo da criança, segundo a família, deu entrada na sede do IML, no Bairro Granbery, às 20h, da noite de terça-feira, e permaneceu no local, até por volta do meio-dia desta quarta, aumentando ainda mais a dor da perda para seus parentes e amigos. O caso da pequena Estefani não é isolado. Outras famílias também tiveram que esperar por horas para ter o corpo de seus entes liberados e sepultados. Esta situação é recorrente e antiga, tanto que, no ano passado, no dia 25 de maio, a Tribuna mostrou o caso de familiares que ficaram nove horas no portão do IML, aguardando pela liberação do corpo de um homem, 41, morto em um tiroteio no Bairro São Benedito, região Leste.

No caso recente, a prima de Estefani, Jakeline Aparecida Pires, contou que, em função da demora, pais, parentes e amigos teriam pouco tempo para se despedir da criança, já que o sepultamento estava marcado para as 16h desta quarta, no Cemitério Municipal. "Isso é um absurdo. É uma falta de humanidade ter de lidar com a dor da morte de uma menina e ainda sofrer com essa demora. É uma tortura para os pais", afirmou Jakeline. "Para a mãe, é muito sofrimento pensar que o corpo da filha ficou tanto tempo sozinho", disse uma amiga da família Layza Juliana Rodrigues Andrade. Uma adolescente de 13 anos conduzia a bicicleta, quando houve o choque contra o muro de um imóvel. A vítima teve o óbito confirmado no local por uma equipe do Resgate.

Apesar de todo o sofrimento das famílias à espera da liberação do corpo, o procedimento do IML é considerado normal, como apontou a delegada Regional, Sheila Oliveira, que responde pelo local. Segundo ela, seguindo recomendação do Conselho Regional de Medicina (CRM), os exames de necropsia não são realizados no período noturno, uma vez que a falta de luz natural provoca a perda de evidências comprobatórias. Por isso, os exames sempre são realizados durante o dia. A delegada também acrescenta que a estrutura atual do IML não oferece iluminação adequada para a realização de perícia durante a noite. Hoje a sede do IML funciona das 8h30 às 18h30, e, após esse horário, um auxiliar de necropsia recebe os corpos, que aguardam pelos exames, na manhã seguinte.

Sheila ainda explicou que o local conta com apenas um legista, que trabalha a cada período de 12 horas. "Este profissional realiza perícia em vivo e em mortos, priorizando os exames em vivos", enfatiza Sheila, acrescentando que o Governo estadual já anunciou a construção de um Posto de Perícia Integrada (PPI) na cidade, o que deve melhorar a qualidade dos serviços do IML. Um concurso para a contração de legistas também já foi realizado e, em breve, conforme a delegada regional, novos profissionais estarão atuando em Juiz de Fora.

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