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05 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Segundo o Inmet, não há previsão de chuva para os próximos dez dias, e as temperaturas permanecem elevadas

Por Renata Brum

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Represa João Penido está com nível mais baixo do que o normal
Represa João Penido está com nível mais baixo do que o normal

Se este mês de fevereiro repetir as características do mesmo período do ano passado, Juiz de Fora pode assistir a um dos piores quadros no abastecimento de água. Em fevereiro de 2013, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu apenas 34% do esperado, sendo considerado um dos fevereiros mais secos dos últimos anos. E a previsão para este mês não dá refresco. Segundo o Inmet, pelo menos nos próximos dez dias, as temperaturas permanecem elevadas - máxima na casa dos 32 graus - e sem chuvas para a cidade. Até esta quarta, já são 12 dias sem registro de precipitações significativas. E janeiro foi considerado o mais quente e seco dos últimos 30 anos, com média das temperaturas máximas de 30,2 graus. Situação que fez até o nível do Rio Paraibuna baixar além do normal. "Janeiro foi muito atípico, sem chuvas, o que causou a redução do nível de volume do Paraibuna. Além da estiagem, o calor também faz aumentar a evaporação. O nível só não está mais baixo porque Chapéu D'Uvas tem a função de perenizar o Rio Paraibuna. Na época de cheia, a barragem evita o transbordamento, e na estiagem, mantém a vazão mínima para o rio", explicou o diretor de desenvolvimento e expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral.

Sem trégua do calor, os juiz-foranos têm se refrescado como podem - em piscinas, com mangueiras ou com maior número de banhos por dia -, o que está refletindo diretamente no aumento do consumo de água, que já está 20% acima do normal. A situação considerada "limite" pela Cesama obrigou a adoção do rodízio no fornecimento. Desde esta terça-feira (4) até sexta acontece revezamento para o abastecimento das diferentes regiões da cidade. Caso não haja a economia esperada e a não aconteça mudança na previsão do tempo, o rodízio poderá ser estendido. Uma nova avaliação será feita pela Cesama no fim de semana.

O meteorologista do 5º distrito do Inmet Jorge Moreira informou nesta terça que, em curto prazo, não há expectativa de mudanças. "As chuvas ainda se concentram no Sul do Brasil e, principalmente, sobre o Uruguai. Para os próximos dez dias, não há alteração. Tem uma ligeira chance de pancada rápida para a Zona da Mata na sexta-feira (dia 7), mas não para Juiz de Fora. A Prefeitura agiu bem em implantar o rodízio. A hora é mesmo de economizar. O volume de chuva esperado para fevereiro é de 217,4 milímetros, mas no ano passado o índice ficou muito abaixo disso, em torno 102 milímetros, e esse ano não será diferente. As precipitações estão irregulares desde outubro. Dezembro choveu mais, mas pouco em janeiro", avaliou o meteorologista, informando que as máximas na cidade nos próximos dias podem chegar a 32 graus. Nesta terça-feira, a máxima registrada foi de 30,8. Já em outras cidade da Zona da Mata, como na região de Cataguases e Leopoldina, os termômetros devem ultrapassar os 34 graus.

 

Transporte de água

Segundo a Cesama, o problema da cidade não está nos mananciais, que embora com níveis abaixo do que apresentavam no ano passado, estão com volumes satisfatórios, mas sim relacionado aos picos de consumo e à ausência de obras estruturais que garantam o transporte da água, sobretudo às regiões mais elevadas da cidade. Com isso, algumas áreas vêm sendo constantemente afetadas com falhas no abastecimento.

"Mananciais nós temos. João Penido, Ribeirão do Espírito Santo, São Pedro e Chapéu D'Uvas, que ainda não está sendo utilizada. O que precisamos é concluir a adutora de Chapéu D'Uvas para levar essa água até a Estação Walfrido Machado Mendonça, que está sendo ampliada, e distribuí-la para a cidade, com a conclusão da estação de bombeamento (booster). Já na Cidade Alta, a adutora de São Pedro deve estar pronta até junho e também há a elevatória Carlos Chagas. Todas as obras estão em andamento e irão garantir a ampliação do sistema de abastecimento de Juiz de Fora", destacou o diretor-presidente da Cesama, André Borges.

 

Revezamento

Nesta quarta, o abastecimento será suspenso entre 8h e 16h em parte dos bairros da Zona Sul - entre eles Santa Cecília, Mundo Novo, Alto dos Passos, Bom Pastor, Guaruá, Boa Vista, Graminha, Cruzeiro do Sul, Santa Luzia e na parte baixa do Bela Aurora - e também na região Sudeste, nos bairros Vila Ozanan, Vila Olavo Costa, Furtado de Menezes, Vila Ideal, Granjas Primavera, Granjas Santo Antônio e Solidariedade.

Na quinta, outra parte da Zona Sul e parte da Cidade Alta terão o fornecimento interrompido (Jardim de Alá, Jardim América, Renascença, São Geraldo, Previdenciários, Ipiranga, parte alta do Bela Aurora, Santa Efigênia, Jardim Gaúcho, Cidade Nova, Sagrado Coração de Jesus, Teixeiras, Cascatinha, Dom Bosco, Aeroporto, Granjas do Bosque Novos Horizonte, Jardim da Serra e Nova Califórnia). Alguns bairros aparecem duas vezes na escala de rodízio, como o São Mateus. Segundo a Cesama, nesta quinta a parte mais próxima ao Dom Bosco ficará sem receber água, e na sexta-feira, a região mais central do bairro.

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