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26 de Maio de 2014 - 10:21

Todos as mortes foram provocadas por arma de fogo, e duas ocorreram na Zona Norte

Por Marcos Araújo

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Atualizada às 20h54

Juiz de Fora teve mais um fim de semana marcado pela violência, com registro de três homicídios, sendo dois na Zona Norte. Desde de janeiro deste ano, a cidade já soma 73 mortes violentas. No domingo, por volta das 23h30, Vander Lúcio do Nascimento, 24 anos, foi encontrado morto com um tiro na cabeça, no Jardim Natal. Perto dali, no Bairro Amazônia, Carlos Henrique Cassimiro, 40, também foi localizado sem vida, com três perfurações de arma de fogo. O assassinato acontecer na própria residência da vítima, na noite de sábado. Já na última sexta-feira, próximo da meia-noite, Valdinei Santos Silva, 41, foi atingido por dois tiros na Vila Ozanan, na região Sudeste. Nesta mesma noite, um homem, não identificado, aparentando ter em torno de 30 anos, foi agredido com socos, chutes e facadas, na praça do Bairro Terezinha, Zona Nordeste, perto da sede do 2º Batalhão da Polícia Militar e da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil. 

No caso do Jardim Natal, a informação da PM é de que, quando a equipe chegou ao local, após receber informações sobre disparos na Rua Doutor Augusto Eckmann, Vander Lúcio estava caído no chão e tinha acabado de ser baleado. Ele apresentava um tiro na cabeça e teve o óbito confirmado pelos profissionais do Samu. 

  De acordo com o boletim de ocorrência, um morador, que não quis se identificar, relatou aos policiais que ouviu dois estampidos e, quando verificou o que seria, viu um veículo Celta, prata, modelo quatro portas, e uma motocicleta, fugindo do local do crime em alta velocidade. A PM empenhou diversas viaturas a fim de localizar algum suspeito, mas ninguém foi capturado. O corpo da vítima foi removido, sendo encaminhado para o IML. A perícia da Polícia Civil esteve no local e realizou os levantamentos de praxe. 

No caso de sábado, a morte violenta foi registrada na Rua Jequitibá, por volta das 19h30. Os policiais chegaram ao endereço da vítima, quando ela já estava sendo atendida por uma equipe médica. Uma viatura do Samu chegou a transportar Carlos Henrique para o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), mas ele morreu antes de dar entrada na unidade. A vítima apresentava perfurações no abdômen, na nádega e na perna esquerda. Conforme relato dos policiais que atenderam a ocorrência, a mãe da vítima contou que estava na sala, quando ouviu cerca de sete estampidos de arma de fogo. Em seguida, ela se deparou com o filho entrando em casa já ferido. A mulher não conseguiu visualizar os autores dos disparos. O boletim de ocorrência informa que, optando por não serem identificados, populares contaram que os suspeitos já tinham entrado em conflito com Carlos Henrique dias atrás.

Houve rastreamento policial em busca dos suspeitos e dois deles, 18 e 19, foram identificados. No local do assassinato, parentes da vítima entregaram aos policiais dois projéteis deformados, que foram apreendidos. A perícia também fez levantamento para as investigações posteriores. Das 73 mortes violentas registradas neste ano, 27 ocorreram na Zona Norte.

 

Na Vila Ozanam

A onda de violência do fim de semana teve início na noite de sexta-feira, na Vila Ozanan. Por volta das 23h30, Valdinei Santos da Silva, 41, foi morto com dois tiros na Rua Aníbal Paiva Garcia. De acordo com a PM, a ex-esposa da vítima relatou que ouviu os disparos e, ao verificar na via pública, em frente à sua residência, encontrou a vítima ferida. Ela contou que Valdinei estava chegando na casa para visitar a filha, quando foi assassinado. A perícia da Polícia Civil verificou que a vítima apresentava perfurações na cabeça e no braço. Uma equipe do Samu constatou o óbito no local. Houve buscas da PM na região, mas nenhum suspeito foi encontrado. Os casos foram encaminhados para investigação da Delegacia Especializada em Homicídios. 

  

Chutes na cabeça e facadas

Na noite da última sexta-feira, um homem, ainda não identificado, aparentando ter em torno de 30 anos, foi espancado e esfaqueado por um grupo de pessoas, na praça do Bairro Santa Terezinha, na Avenida Rui Barbosa. De acordo com a Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 23h. Populares contaram que cerca de oito homens atingiram a vítima com socos e chutes. Um dos agressores ainda passou a desferir facadas contra o homem, já ferido e indefeso. Após a agressão, o grupo fugiu em direção à Avenida Brasil. 

O Samu foi acionado e encaminhou o ferido para o HMTJ, onde passaria por cirurgia. Como o homem não foi identificado, a assessoria do hospital não teve condições de passar o estado de saúde dele. A informação do boletim de ocorrência é de que a vítima não portava documentos, mas era conhecida por populares, pois, durante o fim de semana, vendia CDs na praça. Entretanto, ninguém soube informar nome, apelido ou endereço da vítima, nem contato de parentes. Nenhum suspeito foi capturado. 

Um morador do bairro, que pediu para não ser identificado, contou à Tribuna que viu o momento em que a vítima foi ferida. "Eu o vi correndo, e vinha o grupo atrás dele. A vítima chegou a tropeçar, quando os agressores conseguiram abordá-la. Foi muita pancadaria, com chutes na cabeça. Parece que usaram algum material para furá-lo." 

 

Apuração 

O delegado Rodolfo Rolli, que responde temporariamente pela 4ª Delegacia de Polícia Civil, instaurou inquérito, nesta segunda-feira, para apurar os fatos. Segundo ele, assim que tiver condições, a vítima do espancamento será ouvida. Rolli conta que expediu ordem de serviço, para que seja levantada a autoria do crime. 

 

Ações 

Com relação aos crimes na Zona Norte, o comandante do 27º Batalhão da PM, tenente-coronel Moisés Ricardo Pinto, afirma que a região vem recebendo ações com o objetivo de reduzir os assassinatos. Segundo ele, a 269ª da PM está diretamente ligada aos bairros Milho Branco e Jardim Natal, onde tem havido maior concentração de homicídios. O militar também destaca o trabalho realizado pela Força Tática de Impacto, que tem atuado, principalmente nos crimes de roubo, refletindo de maneira positiva na redução das mortes violentas. 

"A Força Tática de Impacto conta com o trabalho da Rotam e de táticos móveis em períodos diversos do dia. Na ocasião dos dois homicídios, a Força Tática estava de serviço na região, devido a um grande evento no Parque de Exposições. Entretanto, os homicídios são imprevisíveis. Por isso, o foco tem sido os crimes de roubos, como forma de retirar armas de fogo de circulação. Também trabalhamos na identificação de suspeitos para retirá-los das ruas." Ele relata que a PM tem encontrado dificuldade para encontrar testemunhas dos fatos. "Há um receio grande de falar, e isso acaba contribuindo com os criminosos. É preciso que a população uso o Disque-denúncia 181, que vai guardar a identidade do denunciante e colaborar para a elucidação dos crimes."

Ele relata que a PM tem encontrado dificuldade para encontrar testemunhas dos fatos. "Há   um receio muito grande de falar, e isso acaba contribuindo com os criminosos. É preciso que a população uso o Disque-denúncia 181, que vai guardar a identidade do denunciante e colaborar para a elucidação dos crimes."

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